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Perspectiva futura não tem capacidade de alterar o preço atual do câmbio

O Brasil registra no momento explicita carência de fluxos de recursos externos suficientes para fazer face ao financiamento do seu expressivo déficit em transações correntes, e isto impacta na formação do preço a despeito da estratégia do BC de superar esta baixa liquidez com o fornecimento de linhas de financiamento aos bancos, para que estes constituindo “posições vendidas” gerem a liquidez necessária.

Temos então um fator pontual, déficit de ingressos de recursos no curtíssimo prazo, afora outros fatores conjunturais do pais, que pressionam a depreciação do real, e esta é uma situação que não se sensibiliza com perspectivas futuras de melhora de fluxo.

Na ultima sexta feira o mercado de câmbio à vista abriu com forte depreciação do real repercutindo o quadro de deficiência de fluxo cambial para o Brasil, tendo atingido o preço de R$ 2,34, para depois recuar a R$ 2,2830.

Efeitos dos leilões dos aeroportos do Galeão e Confins, especialmente do Galeão que trouxe a perspectiva de ingressos no médio prazo? Inquestionavelmente não!

Pode até parecer, mas não foi a perspectiva de futuros ingressos que tiveram influencia na sexta feira, até porque ainda muito distantes para serem efetivos, portanto descasados da necessidade imediata presente de melhora do fluxo cambial para fazer à complementaridade do financiamento do expressivo déficit de transações correntes.

O mercado cambial brasileiro registra carência efetiva de ingressos de recursos externos líquidos suficientes, como mencionamos, e o número presente desta carência é exatamente o montante das posições vendidas dos bancos, ou seja, até o dia 20 era de US$ 10,623 Bi, que foi informada pelo BC na sexta feira.

Houve na sexta feira pontual ingresso de divisas em torno de US$ 3,0 Bi no mercado à vista, de forma discreta e extremamente providencial, e este fato é que impactou na liquidez do mercado à vista, promovendo a reversão da alta que se fazia pujante na abertura dos negócios.

Teria sido o montante que está sendo previsto para até o dia 27? Teria sido um ingresso de empresa ligada ao governo? Foi algo programado ou ocorrido dadas as circunstâncias de necessidade do mercado?

O fato é que o ingresso ocorreu e aliviou a pressão que depreciava o real fortemente na sexta feira, dia em que o BC, dentro do cronograma de seu programa, já ofertava US$ 1,0 Bi em linhas de financiamento que permitia aos bancos expandir ainda mais suas posições “vendidas”.

Teremos ainda o ingresso de US$ 3,0 Bi que está programado para esta semana até o dia 27 ou ele já ocorreu? Pelo que consta ainda ocorrerá, tendo sido o ingresso ocorrido efetuado por outra empresa.

Considerando mantida a hipótese do ingresso de US$ 3,0 Bi ou até um pouco mais até o dia 27, poderá ocorrer natural e pontual apreciação do real, mas não representando reversão da tendência de depreciação com fundamento no contexto geral.

O BC informou que até o dia 20 o fluxo cambial estava positivo em US$ 1,536 Bi o que sugere que em 3 dias (18 a 20) tenha havido ingressos líquidos da ordem de US$ 2,256 Bi, sendo US$ 2,045 Bi no financeiro e US$ 211,0 no comercial, o que reduziu as posições “vendidas” dos bancos para US$ 10,623 Bi naquela data, ancoradas em linhas de financiamento em moeda estrangeira concedidas pelo BC um pouco acima de US$ 14,0 Bi.

Mas pelo comportamento do mercado e da taxa cambial nos dias 21 e 22 deve ter se acentuado movimento de saídas de recursos que impactou na formação do preço da moeda a partir do mercado à vista, que foi abrandado na sexta-feira, dia 22, pelo ingresso já mencionado.

O déficit em transações correntes foi informado pelo BC ter atingido US$ 7,1 Bi em outubro, muito acima dos projetados US$ 5,3 Bi, acumulando no ano até aquele mês US$ 67,5 Bi e nos últimos 12 meses US$ 82,2 Bi, algo como 3,67% do PIB. Por outro lado, o ingresso líquido de IED (investimentos e empréstimos intercompany) atingiu US$5,4 bilhões em outubro, composto por US$2,5 bilhões na modalidade participação no capital e US$2,8 bilhões em desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias. Em doze meses, até outubro, os ingressos líquidos de IED somaram US$59,1 bilhões, equivalentes a 2,64% do PIB.

Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram ingressos líquidos de US$260 milhões em outubro, compostos por entradas líquidas de US$193 milhões em ações e de US$67 milhões em títulos de renda fixa. Os investimentos em títulos de renda fixa negociados no País somaram ingressos líquidos de US$196 milhões comparados a US$7,2 bilhões observados no mês anterior.

Os gastos de brasileiros no exterior em outubro atingiram US$ 2,314 Bi acumulando no ano US$ 21,251 Bi, que compensando os gastos de estrangeiros no país fica reduzido para US$ 15,676 Bi, valor muito expressivo para um país com carência de fluxos favoráveis. Sabidamente grande parte deste montante vem sendo dispendido em compras no exterior por parte dos brasileiros, tendo em vista a expressividade da diferença de preços.

Tudo indica que o Brasil não alcançará neste ano fluxo cambial liquido suficiente para fazer face à sua necessidade de financiamento externo para o déficit em transações correntes, e, portanto, o viés de alta do preço da moeda americana é uma tendência com fundamentos.

Poderá ocorrer volatilidade em decorrência de alguns fatos pontuais e outros nem tanto , mas avaliado o contexto geral de números e de fatos e conceitos presentes e riscos futuros em torno do Brasil a partir da visão dos investidores estrangeiros, o todo dá consistente tendência de alta ao preço da moeda americana no mercado cambial brasileiro.

Continuamos considerando a hipótese de vir a flutuar entre R$ 2,30 e R$ 2,35, para fechar o ano em R$ 2,30, com um viés de alta mais acentuada no 1º trimestre de 2014.

Acreditamos estar sendo exagerado o açodamento ao Banco Central do Brasil para que defina o futuro do programa de leilão cambial. Esta é uma decisão estratégica da autoridade monetária e será necessário avaliar as perspectivas para o ano que vem com muita acuidade, visto que a simples rolagem do estoque que será finalizado ao final do ano já é uma questão que deve ser avaliada, e que envolve em sí mesma a perspectiva de demanda efetiva no mercado à vista das transações protegidas por “hedge”. A questão é muito complexa para uma decisão simplista.

O Boletim FOCUS, divulgado hoje com data de 22, que indica as projeções medianas do mercado financeiro revê o preço do dólar para o final do ano elevando-o de R$ 2,27 para R$ 2,30 e reduzindo a projeção de inflação 2013 pelo IPCA de 5,84% para 5,82%, mantendo a projeção de 6,14% inalterada para os próximos 12 meses. No mais manteve a projeção da SELIC em 10%, do PIB em 2,5%.

 

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