Câmbio News

O presidente do BC foi enfático na postura da autoridade monetária frente à inflação, mas há contraditórios.

É inegável o fato de que a dinâmica da inflação presente na economia brasileira surpreendeu as autoridades governamentais, e tendo ocorrido certa leniência no trato da questão, o problema tornou-se maior.

Tardiamente, o COPOM voltou a acionar a elevação da SELIC para combater o espiral inflacionário quando já havia sustentabilidade na tendência, visto que, admite-se, houve a intenção de preservar intacta a grande conquista deste governo, que foi a redução do juro.

Neste interregno leniente ainda ocorreu a depreciação do real focando estimular o setor produtivo nacional, cujos resultados foram insatisfatórios, mas aceleraram mais o processo inflacionário.

A afirmação do Presidente do BC Alexandre Tombini, feita ontem, de que o “BC fará o necessário para colocar a inflação para baixo”, sinaliza, pela ênfase, que teremos SELIC em alta e real apreciado ou pelo menos num ponto neutro, que não é o atual em torno de R$ 2,02/2,03.

Notamos neste ponto um contraditório, quando aduziu também em suas considerações que “a inflação está e continuará sob controle”. Ora, se assim estivesse não seria preciso fazer tudo que for necessário para colocá-la para baixo, o que é evidência de que é o que se buscará, mas não que esteja sob controle, na medida em que se situa no topo da meta da inflação, com sério risco de ultrapassá-la como já sinalizou recentemente.

Outro ponto a destacar é que mais uma vez foi reportado que o ambiente externo permanece complexo e com riscos elevados, evitando auto incluir o Brasil neste contexto, pois também temos um cenário complexo e com riscos elevados, e questões centrais como crescimento acentuado do déficit em transações correntes do país; baixa performance da balança comercial; falta de competitividade dos produtos brasileiros no exterior; aumento da participação dos produtos importados no consumo brasileiro; perda de atratividade do pais junto aos investidores estrangeiros como se evidencia nos principais fórum que vem abordando o tema; fluxo cambial cadente; indicativos de queda de consumo da família; etc.

O Brasil tem um quadro bastante complexo, visto que precisa focar o crescimento e, em concomitância, adotar medidas de contenção às pressões inflacionárias, situações que são oponentes.

Na estratégia de contenção inflacionária, dentro do princípio de que tudo que for necessário será feito, haverá a combinação do aumento da taxa de juro SELIC com a apreciação do real a níveis neutros ou contributivos para a contenção da inflação, também temos um cenário complexo, já que o país revela queda acentuada do fluxo cambial, que é um fator que não favorece a apreciação do real, pois é um fundamento efetivo do mercado e que pode requisitar mais do que “swaps cambiais” para reverter a tendência, levando a autoridade à necessidade de vender moeda efetiva.

É verdade que o mercado internacional está com ampla liquidez, mas o país já não atrai investidores, seja porque há barreiras tributárias, seja porque o país vem perdendo atratividade para investimentos por razões sobejamente conhecidas.

Evidente que captações de empréstimos de médio e longo prazos podem mitigar esta carência de ingressos, e isto vem ocorrendo, mas se revelando insuficiente para fazer face às saídas, por isso o fluxo cambial financeiro está negativo.

A captação de empréstimo de US$ 12,0 Bi pela Petrobrás pode melhorar este cenário, mas dependerá muito da estratégia de ingresso deste montante no país, que poderá contribuir para restabelecer a liquidez confortável do mercado e até permitir a formação de um “colchão de liquidez” pelos bancos, ou poderá se transformar somente num volume não contributivo para a liquidez do mercado se ingressar em uma única “tranche”, repercutindo unicamente nas estatísticas do fluxo cambial.

Mas o fato é que na realidade a atratividade pelo país para investimentos é cadente no exterior, da mesma forma que é cadente a perspectiva da balança comercial, cujos produtos industriais não são competitivos e o modelo de exportador de “commodities” parece ter deixado o “boom” para trás, não sendo capaz de proporcionar saldos substantivos na balança comercial, em especial quando as importações de produtos para o nosso consumo interno estão em linha crescente.

O IBC-Br apurado em março de 0,72% mostrou uma recuperação apenas moderada, abaixo das projeções do mercado que eram de 0,90%. Com base neste indicador a economia apresentou expansão de 1,05% no 1º trimestre ante ao ultimo trimestre de 2012.

O mercado financeiro continua prognosticando o crescimento do PIB no 1º trimestre da ordem de 0,7% na medição pelo IBGE, com melhora no FBCF (investimentos) e eventual queda do consumo das famílias, afetadas pela inflação.

Para o mercado o crescimento do PIB tende a 2,8% a 3,0%, enquanto o BC projeta 3,1%.

A tendência de momento é que o preço do dólar continue pressionado no entorno de R$ 2,03, mas certamente haverá esforço do BC para recuá-lo a abaixo de R$ 2,00, onde acreditamos esteja o ponto neutro, seja com estratégia no ingresso dos recursos da Petrobrás, seja por intervenção direta.

Como os bancos reduziram suas posições “vendidas” para o entorno de US$ 3,0 Bi, é provável que o BC venha a ofertar “swaps cambiais” para “hedge” e assim motivando-os a ampliar estas posições com a utilização de linhas externas.

A dúvida que fica é se os bancos estarão dispostos a esta ampliação num cenário prospectivo que ainda sugere baixo fluxo cambial liquido, embora a manutenção de posicionamento “vendido” no câmbio lhes proporcione a possibilidade de captação de reais a custo muito baixo.

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