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O mercado se esforça para simular que está tudo normal!

Afinal, falta praticamente um ano para que , segundo a interpretação de grande parte dos analistas, o FED dê início à elevação do juro nos Estados Unidos, e isto parece tempo demais para tornar as perspectivas pouco otimistas no futuro em fator presente desestabilizador do excessivo otimismo presente, que a rigor não se sustenta em nenhum fundamento crível, simplesmente ocorre porque ainda existe farta liquidez.

Mas não é bem assim, o desmonte deverá ter inicio ainda neste ano, pois com a redução de US$ 10,0 Bi a cada reunião, em dezembro o QE deverá estar finalizado, então, antes que isto aconteça o desmonte de posições deverá ter inicio e com este movimento toda uma reversão do que se presencia na atualidade.

E o pior, logo em seguida virá a alta do juro, fator que deve promover forte reversão de capitais estrangeiros em poder dos emergentes para os desenvolvidos, em especial para o mercado americano.

O contexto global atual afora o fator de forte liquidez não tem motivos ou fundamentos para otimismos exacerbados, o quadro macro mundial não é tranquilizador, e, em especial, para os emergentes à riscos presentes.

Os Estados Unidos busca a recuperação de sua atividade econômica focando o emprego e renda como prioridades, mas na realidade busca restabelecer o seu dinamismo que o coloca como a grande locomotiva da economia mundial.

A Europa ainda capenga, emitindo alguns sinais de recuperação, porém falta muito para que seja restabelecida a sua força econômica e passe a gerar emprego e renda.

A China apresenta um momento confuso que sugere perda de dinamismo da sua atividade econômica, mas dificilmente teremos um quadro com transparência, pois há sempre dúvidas sobre os números que divulga a seu próprio respeito, mas é notória a percepção de que no todo não vai bem e encontra sérias dificuldades para alterar o seu modelo de crescimento ancorado no modelo exportador, procurando dinamizar o mercado interno e inverter o quadro de 50% do PIB em investimentos e 30% de consumo baseado num ainda frágil mercado interno.

E no Brasil, por que o real se valoriza num ambiente que já teve fluxo de recursos externos insuficiente para financiar o déficit em transações correntes o ano passado e tende a repetir o mesmo evento com maior intensidade este ano?

O país com baixa atratividade para investimentos externos produtivos e uma tendência potencial para um movimento de reversão dos recursos estrangeiros presentes no país, seja pela deterioração da sua macroeconomia e em especial de sua política fiscal, perspectivas de baixo crescimento do PIB, inflação, etc… Temos riscos de perda de rating e agora mais recentemente tem riscos no setor energético que é fortemente desincentivador aos investimentos.

Temos riscos das mais diversas vertentes já excessivamente pontuados inibindo investimentos produtivos e motivando saída de recursos. Este ano temos o setor privado com o montante em torno de US$ 84,0 Bi para saldar, do qual uma boa parte pelo desinteresse não deverá ser rolado e assim se transformará em demanda efetiva no mercado de câmbio à vista.

Não é razoável admitir-se que o preço da moeda americana em R$ 2,33 esteja compatível com algum fundamento crível, que sugere que estivesse em torno de R$ 2,45.

Atribui-se a fluxos “intensos” de ingressos, que ao final não se confirmam em grande escala quando divulgados os números oficiais pelo BC, e o que fica bastante evidente é que já a algum tempo ocorre um movimento especulativo pontual encima da moeda brasileira, em alguns momentos com operações de “day trade”, como parece ter ocorrido ontem, em outros pelos “vendidos” no mercado futuro que assim conseguem cobrir suas posições a preços mais baixos.

Por vezes é notório que o real “descola” do comportamento das moedas no mercado internacional e dos fundamentos internos para definição do seu preço e apresenta comportamento acentuadamente atípico.

Os argumentos que nossa taxa de juros de 11% atrai capitais direcionados para renda fixa é algo suposto, mas nem sempre verdadeiro, pois temos inflação que tende a situar-se acima dos 6% e a taxa cambial baixa, absolutamente fora do ponto, que inibe grande parte dos investidores especuladores que acabam tendo um custo de “hedge” muito elevado, já que é quase consensual que o preço estará no entorno de R$ 2,60 ao final do ano.

Como afirmamos ontem, se a taxa cambial do dólar se mantiver depreciada certamente teremos, mais uma vez, fluxo cambial negativo mais expressivo este ano do que os US$ 12,3 Bi do ano passado.

Na ausência de atratividade para os investimentos produtivos e uma balança comercial com sinais de tendência a repetir o pífio resultado do ano passado, resta ao país atrair capitais voláteis especulativos, mas para tanto o país precisa oferecer não somente juro elevado, mas taxa cambial de conversão equilibrada, sem o que haverá contração nesta quase única possibilidade de melhora para o fluxo cambial.

A dinâmica da redução do QE a razão de US$ 10,0 Bi a cada reunião do FED provocará, cada vez mais, efeitos sobre a liquidez internacional e isto será mais sentido com o encarecimento dos recursos e seletividade por parte dos investidores, o que dificultará as captações no mercado internacional, e, além disto, no caso do Brasil a reversão com a saída de recursos externos deve começar ainda neste ano de 2014, provavelmente entre o 3º e 4º semestre o que forçará o desmonte das posições em ativos.

É bem provável, poucos ainda observaram este detalhe, que o desmonte e o aperto com intensificação de saídas de recursos do país ocorra justamente no momento das eleições presidenciais no país.

Por isso, entendemos temerosa a atitude que evidencia que “O MERCADO SE ESFORÇA PARA SIMULAR QUE ESTÁ TUDO NORMAL”, pois afinal não falta exatamente um ano para que todo cenário sofra mutações relevantes, já estamos bem próximos.

 

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