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O fluxo cambial melhora, mas intervenção do BC está excessiva!

O FED emitiu sinais recentes de que o inicio do ajuste da política monetária americana com alteração no juro deve ocorrer agora, provavelmente, a partir do 2º semestre de 2015, o que possibilitou que o capital externo, ainda que em montante menor face ao “tapering” do QE em pratica pelo FED, retornasse de forma especulativa aos mercados das economias emergentes buscando rentabilidade, por período de curto prazo.

O Brasil foi um dos países que passaram a receber bom fluxo para operações de arbitragens na forma de “carry trade” face à elevação significativa da taxa SELIC, 11,0% atual ante 7,25% a um ano atrás, e, também pela atratividade especulativa na Bovespa com preços bastante deprimidos das ações.

Embora tenha ocorrido um considerável ingresso de recursos especulativos, o montante não foi capaz de resolver o problema do baixo fluxo cambial liquido que vem afetando o país, pois o saldo líquido no ano até o dia 11 foi de US$ 3,059 Bi, negativo US$ 126,0 M no comercial, e positivo US$ 3,185 Bi no financeiro, o que é muito pouco considerando tão somente a captação realizada pela Petrobrás.

No mês de abril o fluxo cambial esta positivo em US$ 1,0 Bi, sendo US$ 932,0 M no comercial e US$ 69,0 M no financeiro, o que é muito pouco e não justifica o preço da moeda americana nos parâmetros atuais.

Este imprevisto, antes do FED ter se manifestado, fluxo de capitais especulativos pelo menos evitou que o país registrasse expressivo saldo de fluxo negativo já no primeiro trimestre do ano, que em nossa visão prospectiva antecedente vislumbrava como ocorrência factível com impacto na formação do preço da moeda americana que a levaria ao preço de R$ 2,50 no fechamento do 1º trimestre.

Todavia, ficou muito evidente que o país registrou no 1º trimestre expressivo, relevante mesmo, volume de saída de recursos externos do país como prevíramos para o impacto que conduziria o preço da moeda americana a R$ 2,50, mas este movimento, por vezes, parece ter passado ao largo da observação mais atenta dos analistas que ficaram muito focados nos ingressos de capitais especulativos.

O fato é que o ingresso dos recursos especulativos foi muito eufórico, pois sendo direcionado para a Bovespa e para o mercado de renda fixa provocou natural ebulição nestes segmentos, alavanco volumes negociados e preços, enquanto, as saídas ocorriam de forma silenciosa e pouco focada, mas em montante tão intenso quanto os ingressos.

O BC extremamente pressionado pelos indicadores inflacionários aquecidos em ano eleitoral e atingindo todas as classes sociais, com ênfase a C e D, vem mantendo forte intervenção no mercado de câmbio, mantendo o seu programa de oferta diária de 4.000 contratos de “swaps cambiais” e realizando a rolagem das posições vincendas, quando se esperava que este processo de renovação dos contratos de “swaps cambiais” vincendos ocorresse de forma mais parcimoniosa, ou seja, mais compatível com a efetiva demanda do mercado.

Em março rolou parcialmente, mas neste mês já anunciou a rolagem precocemente ao começo do mês e ao que tudo indica rolará a posição de um pouco mais de US$ 8,0 Bi integralmente.

Com esta atitude coloca o preço da moeda americana a serviço da contenção da inflação como coadjuvante da taxa de juro SELIC, ainda mais após o susto do mais recente IPCA apurado elevadíssimo.

Ao deprimir demasiadamente o preço da moeda americana torna atraente a taxa para as empresas detentoras de passivos externos e causa impactos no incremento das importações e desestimulo as exportações.

Mas, como teve um ingresso considerável de recursos externos especulativos e a Bovespa apresentou, no curtíssimo prazo, elevadíssima alta que incita a realização de lucros imediata, este movimento tende a se complementar com a saída dos recursos do país motivado pela taxa cambial favorável que lhes permite que além do ganho financeiro no mercado acionário ainda realizem um ganho adicional de variação cambial.

Desta forma, o capital especulativo, em especial o direcionado para a Bovespa, fica tendente a sair do país com a mesma rapidez com que entrou, pois já cumpriu seu objetivo de ganho rápido.

Por outro lado, devemos considerar que a taxa cambial com o real depreciado acaba por inibir a continuidade do ingresso de capitais especulativos, pois em perspectiva as projeções sugerem que a moeda americana entrará em processo de recuperação de preço, pois a demanda se acentuará mais no mercado à vista do que no mercado futuro, e então serão demandadas divisas efetivas, pressionando a liquidez que já está insuficiente em US$. 13,2 Bi que está sendo carregada pelas posições “vendidas” dos bancos, lastreadas em financiamentos concedidos pelo próprio BC no montante de US$ 11,7 Bi e por banqueiros estrangeiros.

Não vemos condições favoráveis para que o BC consiga fluxo positivo este ano suficiente para financiar o déficit em transações correntes projetado em US$ 80,0 Bi, o que poderá tornar imperativa a realização de leilão de venda de moeda americana pelo BC ao mercado, cobrindo no todo ou em parte o montante das posições vendidas dos bancos e suprindo a liquidez faltante no mercado à vista de câmbio.

Para melhorar o fluxo, mesmo que seja de capital especulativo, terá que reduzir a intensidade da intervenção no mercado de câmbio, retomando-a quando houver pressão mais expressiva que se espera quando o BC alterar sua política monetária.

É muito provável que o BC esteja trabalhando com a hipótese de diminuir a sua intervenção no câmbio na medida em que as pressões inflacionárias, em especial do item alimentos, arrefecerem, contudo isto pode determinar um lapso de tempo maior do que o razoável.

Segundo o BC com base no seu IBC-Br a economia brasileira cresceu menos em fevereiro com o indicador apontando 0,25% frente a projeção de 0,30%.

O Presidente do BC, Alexandre Tombini, em manifestação hoje cedo, segundo relato do jornal Valor, afirmounesta quarta-feira “ que a economia mundial está em um processo de gradual recuperação, mas não livre de riscos. Segundo ele, essa retomada ainda é heterogênea.

A melhor notícia, no contexto global, é a recuperação da economia dos Estados Unidos, afirmou Tombini, durante apresentação ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto.

O presidente do BC lembrou que as condições monetárias começam a ser normalizadas nas principais economias e, com isso, o mundo já sofreu um ajuste inicial de preços relativos. Tombini, repetiu que a volatilidade de preços provocada por esse cenário não pode ser confundida com fragilidade.”

Ele citou ainda que o fluxo de capitais para o Brasil tem sido forte neste mês e que as condições do país para enfrentar essa nova fase global são “robustas”.

No cenário externo ocorreram sinalizações positivas, a despeito dos problemas em torno da Ucrânia:

O PIB da China no 1º trimestre deste ano com crescimento de 7,4% no 1º trimestre, ligeiramente melhor que o esperado de 7,3%, mas inferior aos 7,7% do 4º trimestre de 2013, trouxe certo alivio para o mercado global, embora abaixo da meta oficial de expansão que é de 7,5%, mas havia preocupação de que o crescimento pudesse ter sido inferior ao registrado.

Também foi divulgado que a produção industrial da China cresceu 8,8% em março ante o mesmo mês do ano passado.

Este dado contribui para a retomada do otimismo no mercado global, e, naturalmente no Brasil que vê oportunidades de incrementar as exportações de “commodities”, ajudando a recuperar a debilitada balança comercial que tende a negativo este ano com a redução drástica de demanda por parte de alguns parceiros.

Por outro lado, a economia americana revelou dados econômicos positivos, acentuando o positivismo do momento. A taxa de utilização da capacidade dos Estados Unidos subiu para 79,2% contra estimativa de 78,7%, após 78,8% no mês anterior, e a produção industrial subiu 0,7% frente a projeção de 05%. No setor de construção os dados foram mistos.

O Dollar Index que havia iniciado o dia em baixa já estava em recuperação operando em alta.

O preço da moeda americana esta sendo utilizada como instrumento de contenção das pressões inflacionárias, mas mantida a excessiva intervenção do BC no mercado com esta finalidade, poderá acarretar efeitos negativos na economia, e, inclusive o risco de movimentos abruptos da taxa cambial quando a demanda for mais intensa no mercado à vista sem a correspondência de ingressos especulativos como ocorre no momento.

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