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O dólar sensibilizou o desapontamento com o resultado do megaleilão do pré-sal!

Havia temores que as empresas estrangeiras não seriam tão agressivas nos lances para a cessão onerosa, em especial após as desistências da francesa Total e da britânica BP, mas a resultante apontando a Petrobras levando 90% do Consórcio Búzios causou enorme frustração, pois havia foco na maior participação das empresas estrangeiras e com isto um impacto extremamente favorável no fluxo cambial para o país.

Reação intempestiva e naturalmente com maior intensidade do que o fato em si reverteu o preço da moeda americana da abertura em torno de R$ 3,97, com viés de baixa ante a expectativa favorável, para algo como R$ 4,08 colocando todo o peso da decepção com a frustração sobre eventuais fluxos de dólares para o país,  na cotação.

Como o país atravessa um período de fluxo cambial adverso que envolve uma diferença substantiva de US$ 40,0 Bi líquidos na comparação entre os mesmos períodos de 2018 e 2019, o evento era visto como capaz de prover o país com relevante reversão, ainda que parcial, no saldo negativo líquido deste ano, pouco mais de US$ 20,0 Bi.

De forma geral, os ativos do mercado financeiro reagiram mal e evidenciaram nos seus comportamentos a frustração, e Petrobras ficou sob foco cerrado, já que com a aquisição, certamente, poderá se questionar a sua capacidade de levar a desalavancagem em curso que tem metas ambiciosas para 2020. Contudo, o CEO da Petrobras informou que a empresa dispõe de “caixa” e não vai alterar os planos de redução do endividamento.

Mas em termos efetivos e fundamentados a frustração impactante na formação do preço do câmbio é o mais consistente e procedente, tendo em vista que a perspectiva ancorada no fluxo esperado tinha grande peso, sugerindo até que se pudesse ter um impulso concreto para que o preço da moeda americana recuasse ao  em torno de R$ 3,80.

No câmbio o efeito negativo deve encontrar maior sustentabilidade, embora no todo do mercado financeiro os aspectos de impactos financeiros na Petrobras deverão se acomodar com rapidez e continuar o ambiente de otimismo, fortalecido com o novo programa apresentado pelo governo através 3 PEC´s  que, com raríssimas exceções, foram muito bem recebidas.

O país inquestionavelmente está na direção certa, falta,  contudo, ganhar intensidade na sua recuperação da atividade, que é fundamental para gerar emprego, renda e consumo.

A continuidade das ações positivas governamentais fortalece as perspectivas de recuperação da atratividade do país junto a investidores estrangeiros, e desta forma, permanece presente a perspectiva de reversão para positivo no curto prazo dos fluxos de recursos para o país.

A frustração pode inviabilizar a nossa perspectiva de câmbio abaixo de R$ 4,00 ao final do ano, o fato novo neutraliza o viés otimista que poderia conduzir o preço ao em torno de R$ 3,80, bastante provável na nossa visão com base na expectativa de participação efetiva de empresas estrangeiras no leilão do pré-sal e substantivo incremento no fluxo cambial.

O fluxo cambial líquido do mês de outubro foi negativo em US$ 8,494 Bi, resultante de positivo comercial US$ 262,0 mm e negativo financeiro US$ 8,756 Bi, segundo maior negativo do ano. O fluxo cambial líquido do ano está em US$ 21,904 Bi até o dia 1º de novembro. Na comparação entre 2018/2019 o fluxo líquido negativo é de US$ 39,348 Bi.

Os bancos autorizados a operar em câmbio registram no fechamento de outubro posição vendida total de US$ 23,650 Bi, e tomaram até o momento US$ 9,850 Bi de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra do BC e compraram dólares a vista do BC desde agosto até outubro o total de US$ 22,815 Bi, que possibilitou ao BC reduzir em termos efetivos as reservas cambiais brasileiras para US$ 369,836 Bi em outubro, já que a contraposição de swaps cambiais reduzida com swaps cambiais reversos não envolve dólares efetivos por serem tão somente derivativos liquidáveis por diferença em reais.

A estimativa de fluxo cambial com o megaleilão era da ordem de US$ 8,5 Bi, e o resultado sugere tão somente US$ 1,7 Bi.

Enfim, o desapontamento com os resultados do leilão do pré-sal sobre as expectativas até então presentes de fluxo cambial dá sustentação ao preço da moeda americana num piso próximo de R$ 4,00, contendo o viés de baixa mais intensa que estava se viabilizando como provável.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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