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Mercado poderá apresentar sua realidade efetiva, abatendo o otimismo exacerbado

O clima de “copo meio cheio” ou “copo meio vazio”, continua prevalecendo, porém inegavelmente  o governo vem ganhando esta “guerra de comunicação”, pois tem quase todos porta vozes das instituições financeiras alavancando os ainda discretos sinais de recuperação que vem dando a economia, assim tem prevalecido a visão do “meio copo cheio”, mas há uma vulnerabilidade e falta de sustentabilidade sobre as quais há um silêncio ou colocações muito comedidas.

Contudo, é notório que na “guerra de comunicação” em torno da reforma da Previdência o governo perdeu de goleada para os contrários à mesma, principalmente sindicatos mal intencionados e organizações em torno do funcionalismo público, o que conduziu a opinião pública a ser reticente e não entender os perigos de inadimplência futura do sistema previdenciário.

Políticos de plantão ávidos por benesses endurecem a concessão de apoio, e, o governo segue por seus porta vozes, por vezes os mesmos, garantindo que tem o número necessário de apoio e de repente, sem requinte qualquer, anunciam que faltam 40 a 50 votos.

Para um país com o problema fiscal do Brasil, a reforma da Previdência torna-se imperativa e divisora de águas, ou o país afunda e mostra todas as suas fragilidades e reverte todos os sinais positivos até agora alcançados pela economia, ou ganha fôlego para evitar o caos fiscal irreversível.

Alternativa existente para o governo seria aumentar impostos, que afetaria o ânimo dos investidores nacionais que já não suportam a elevadíssima carga tributária vigente.

Ainda não foi dito, mas logo algum iluminado vai falar da volta da CPMF, este tributo de altíssima má qualidade.

Enfim, ante o cenário confuso e incerto, o mercado que tem “comprado” o discurso otimista orquestrado pelo governo e por seus setores envolvidos e seus apoiadores no setor privado, se  coloca em alerta e reage colocando a BOVESPA em estado de realização, o que pode representar intensificação da saída de investidores estrangeiros e eleva de imediato o preço do dólar, ativo muito sensível, o qual tem sido mantido em nível baixo e não sinérgico com o quadro fiscal do país com forte intervenção do BC, via swaps e linhas de financiamentos com compra e venda casados, e, com os bancos operando com posições vendidas que lhes proporciona captação de reais a custo baixo e os faz agir pró apreciação do real.

Vivemos dias confusos e que impõe serenidade por parte dos diversos setores produtivos da nossa economia, sem perder de vista um olhar externo que tem a perspectiva de aumento da taxa de juro americana e valorização da moeda americana no mercado internacional com base em resultados econômicos e também da reforma tributária.

Assim, leituras precipitadas podem indicar que o BC tende a reduzir mais a taxa SELIC e que o dólar pode sucumbir aos R$ 3,00, mas nada torna críveis estas suposições postas. Há muitas incertezas em perspectiva, sem contar as decorrentes do cenário prospectivo do próximo ano que será eleitoral, cuja disputa já está nas ruas e na mídia.

Recomendável é a postura de precaução, pois pode ser que o “copo meio vazio” possa prevalecer sobre o “copo meio cheio”.

 

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