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Mercado global insinuou recuperação ontem, mas risco de reversão continua real

Após as turbulências indicando ajustes reversivos nos mercados globais, na 2ª feira, com ênfase mais visível às bolsas de valores, ontem ocorreram sinais de recuperação, porém hoje já fica mais evidente que há muitos receios e incertezas no horizonte e isto cria um ambiente de precaução e mais defensivo por parte dos “players”.

Afinal, o tripé aquecimento da economia americana, elevação da inflação e perspectivas de elevação do juro nos Estados Unidos, impacta de forma contundente nas expectativas, e intensifica o risco de um ajuste mais abrupto do que possa estar sendo imaginado, haja vista a expressividade das quedas registradas na segunda feira.

Tornando-se crescente as incertezas quanto ao momento seguinte, embora ainda haja exuberante liquidez, todos tem consciência de que a disponibilidade tende a passar a cadente, mas mais do que isto, que face à elevação das taxas de juros dos T-Bonds , grande parte dos recursos pelo mercado global sejam tragados pelo mercado americano.

Ainda deve ser considerado que a reforma tributária promovida pelo governo Trump podem começar a induzir, também, fluxos de capitais para os Estados Unidos, como investimentos estrangeiros e até retorno de nacionais.

É ilusório imaginar-se que os emergentes com precários sinais de recuperação econômica, como o Brasil, passe incólumes a estas mudanças.

O Brasil tem o clamor do seu mercado financeiro de redução da taxa SELIC para 6,75%, cuja decisão ocorrerá hoje, sendo notório o aquecimento da inflação (IPCA) que deverá ter perfil bem diferente da registrada no ano passado, agregando o fato da tendência de elevação do juro americano, e assim não pode perder de vista que grande parte dos recursos estrangeiros aportados em renda fixa e no mercado acionário são oriundos de operações forjadas com “carry trade”, que neste contexto que se projeta podem sofrer encarecimento e as montagens focadas na rentabilidade perder atratividade.

Ademais, o Brasil atravessa séria crise fiscal que ocupa o governo em grande embate com o setor político para aprovação de reformas com evidente dificuldade de angariar apoios, e tem um cenário prospectivo eleitoral altamente indefinido e com perspectivas de muitas perturbações seja pelos contratempos em torno do impedimento do ex Presidente Lula, seja pela indefinição de candidatos efetivos à sucessão presidencial que acaba por deixar muito nebuloso este quadro, gerando dúvidas e incertezas.

No nosso entender, os riscos para um movimento reversivo das expectativas no Brasil se acentuaram, podendo mesmo ocorrer de forma relativamente descolada do que esteja ocorrendo em Wall Street.

Por isso entendemos que o preço da moeda americana deve continuar sendo apreciado mesmo com alguma volatilidade, a despeito da intervenção do BC, reforçando a necessidade de atuação pelos “players” nacionais e estrangeiros de forma mais cautelar, até o dia 19 ou 20 quando deverá ser votada a reforma da Previdência, que para o bem ou para o mal, de acordo com o resultado, deve afetar as perspectivas.

 

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