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IPCA atingiu 6,31% em doze meses, a queda para 0,60% em fevereiro foi pontual e não tendência, e o BC, com a parceria dos bancos com posições “vendidas”, acentua a apreciação do real enquanto não eleva a taxa SELIC

O governo enfrenta sérias dificuldades para conter as pressões inflacionárias, que se mostram mais resistentes do que o esperado.

O IPCA que foi de 0,79% em dezembro subiu para 0,86% em janeiro e cedeu para 0,60% em fevereiro por razões pontuais conhecidas e não como tendência. Anualizado teve a trajetória de 5,84% em dezembro; 6,15% em janeiro e 6,31% em fevereiro.

Tudo leva a crer que atingirá o topo da meta neste semestre, já que há na trajetória o aumento do transporte em São Paulo e Rio de Janeiro e, os efeitos imediatos de alguns benefícios perderão impacto.

A Presidenta Dilma, com olhar para as classes mais baixas, esta fazendo o que deveria ter sido feito desde a muito e desonera os produtos da cesta básica, procurando mitigar o efeito solapador dos aumentos ocorridos no poder aquisitivo das classes emergentes. Embora possa se identificar atitude política na medida, não se pode desconsiderar o mérito.

O problema maior é que a inflação faz parte do DNA do brasileiro e está ainda muito presente, razão pela qual ocorrem aumentos disseminados pela economia, por vezes muito acima do razoável.

Indicando que poderá vir a elevar a taxa SELIC, mas ainda não tendo sancionado, o BC procura fortalecer a utilização do real apreciado como antídoto às pressões inflacionárias, no que tem a parceria dos bancos que, com posições “vendidas” no mercado a vista e futuro, têm todo interesse no barateamento da moeda americana.

Mas esta estratégia pode não trazer as benesses esperadas, mas sim provocar efeitos negativos relevantes.

Este fortalecimento da apreciação do real ocorre exatamente quando se obteve em janeiro sinais de melhora da dinâmica da indústria nacional, tendo revelado aumento da produção em 2,5% ante dezembro e 5,6% no confronto com o mesmo mês em 2012.

Este cenário complexo em que o governo buscar forjar alternativas de crescimento num ambiente de forte pressão inflacionária provoca contraditórios na política monetária que desencorajam a tomada de decisão sobre os investimentos.

Devemos ter um breve período de melhora do fluxo cambial, pelo menos se espera; consequente da negociação das safras agrícolas, com reflexos positivos no fluxo comercial, mas não se pode deixar de considerar que os fluxos financeiros tem um viés cadente para o Brasil, que pode compensar e neutralizar a melhora dos fluxos comerciais.

Há muitas dúvidas bastante procedentes que o fluxo cambial para o Brasil possa ser muito apertado este ano, com risco até de ser negativo, e isto pode refletir na nossa capacidade de captar recursos externos suficientes para financiar o déficit em transações correntes.

Os dois fatores implícitos neste quadro são fortemente antagônicos à estratégia do governo de apreciar o real.

Como se vê, sobram duvidas e faltam certezas. O quadro econômico brasileiro é bastante complexo, crescer num ambiente em que se procura conter a inflação aquecida é tarefa sujeita ao fracasso, salvo se houver a priorização de uma em relação à outra, e não é isto que esta acontecendo com clareza.

Ainda há otimismo em relação a 2013, mas é preciso que o governo torne mais transparente sua politica monetária e cambial, para que não perdure a dúvida de que isto ou aquilo está valendo até quando?

O Boletim FOCUS deu um salto em sua projeção para o IPCA-2013 de 5,70% para 5,82% e alterou de forma substantiva a projeção para a taxa SELIC ao final do ano, elevando-a de 7,25% para 8,0%. O dólar foi mantido em R$ 2,00, a pesquisa tem como base instituições financeiras e a estas convém um dólar baixo. O PIB foi discretamente melhorado de 3,09% para 3,10% e a produção industrial otimizada de 2,86% para 3,0%. O déficit em transações correntes foi elevado de US$ 62,90 Bi para US$ 65,0 Bi. A balança comercial teve reduzida a projeção de US$ 15,0 Bi para US$ 14,90 Bi e os IED´s permanecem inalterados em US$ 60,0 Bi, mas acreditamos que proximamente será revisto para menor.

 

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