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Inquietação predomina ante incertezas, motivando excessos

Ruídos intensos de natureza política e risco cambial crescente provocam inquietação no mercado financeiro que se faz refletir na formação dos preços dos ativos, com amplo destaque e prevalência no preço do dólar americano e nos DI´s.

Na ordem das coisas o problema político parece estar encobrindo a relevância do risco cambial, pouco destacado ainda mais que tem uma relevância imensa se os objetivos mais imediatos do governo não forem conquistados.

A superação do problema político parece que tende a perder força na medida em que o governo evidencia que a parcela dependente do Congresso é pequena em relação ao todo, embora ganhe manchetes em torno do enfrentamento.

Fica então o desafio de transformar as medidas em resultados efetivos, mas há o contraditório visto que as próprias medidas podem causar efeitos de recessão na economia que neutralizem o alcance dos objetivos.

Por isso é que entendemos que será necessário um período mínimo para avaliar-se a tendência de sucesso ou não dos objetivos que precisam ser alcançados ou evidenciados mais no curto prazo.

As dificuldades maiores se ocorrerem será do ponto de constatação de que os objetivos não tendem a ser alcançados, então surgirá o risco efetivo de perda de rating pelo país e dificuldades mais agudas no mercado de câmbio.

O país poderá ter, se este contexto negativo vier a se confirmar, que enfrentar problemas consequentes de impactos relevantes na área cambial e naturalmente o total do risco cambial exercerá forte pressão a formação do preço da moeda americana.

Consideramos que o montante do risco cambial do país avaliado em torno de US$ 1,1 Tri com base no balanço fechado em 2014 é bastante elevado frente ao volume de reservas cambiais que o país detém, e, não há muitas variáveis de estratégia a serem praticadas pelo BC, que já está, no nosso entendimento, refém da manutenção do estoque de swaps cambiais que colocou no mercado futuro, caso ocorra uma intensificação de saída de recursos do país.

A visão prospectiva tem se acentuada negativista, porém é necessário dar um tempo mínimo para que verifiquem as tendências, mesmo que prematuras, não sendo correto que pela inquietação ocorra precificação muito antecipada.

Há necessidade imediata do Brasil melhorar os fluxos de recursos, mesmo que especulativos, para dar suporte à manutenção das reservas cambiais atuais, mas a volatilidade a despeito do ajuste no preço do dólar neutraliza os fluxos possíveis que são forjados a partir de operações de “carry trade”.

O BCE anunciou que no dia 9 de março iniciará o seu programa de compras de ativos de Euros 60,0 Bi mensais. A autoridade monetária informou que irá comprar títulos soberanos com taxas de retorno negativas em seu programa, desde que o yeld não seja menor que a taxa de depósitos da zona do euro, atualmente em -0,2%. A notícia impactou de imediato principalmente nos bunds (bônus alemães), sendo que os de dois anos que estavam sendo negociados com -0,213% passaram para -0,197%

O Presidente do BCE anunciou as novas projeções para o PIB da zona do euro para 2015 em 1,5% ante em dezembro de 1,0% e para 2016 elevou para 1,9% ante 1,5% em dezembro. Para a inflação, a projeção é de zero para 2015 ante 0,7% feita em dezembro.

Na China, o premiê anunciou redução da meta de crescimento do PIB em 2015 para 7,0%. Destacou a autoridade que a pressão de baixa sobre a economia aumentou e que 2015 será um ano crítico para assegurar crescimento estável, bem como reformas econômicas.

Não acreditamos que os recursos europeus possam fluir para o Brasil na forma especulativa, o momento impõe certo conservadorismo por parte dos europeus já envolvidos no problema da Grécia.

Contudo no caso chinês é um ponto negativo, pois pode sugerir menor demanda de commodities, que já estão com seus preços em baixa, e a China é grande parceira do Brasil.

A nossa balança comercial começou o ano cambaleante e sem perspectiva de que vá dar uma grande contribuição com ingresso líquido de recursos e notícias como a da China são negativas.

A expectativa é de que pelo menos a indústria ocupe o espaço perdido no mercado interno, provocando assim a redução das importações, mas o empresariado parece preocupado com a elevação da carga tributária, e este pode ser um dos efeitos contraditórios das próprias medidas do governo.

No nosso entender, a taxa de câmbio está fora do ponto (um pouco acima) como consequência da inquietação atual do mercado, mas poderá por isso sofrer um ajuste desde que algum fato positivo para o governo seja evidenciado ou mesmo, por exemplo, o BC faça uma oferta fora do programa de contratos de “swaps cambiais” para acomodar eventual demanda desequilibrada de hedge no mercado futuro.

Volatilidade e persistência em torno dos R$ 3,00 enquanto perdurarem os ruídos atuais, mas com risco de eventual perda de sustentação e registrar recuo para mais próximo de R$ 2,90, dependendo de fatos novos possíveis e que não vem sendo considerados no radar do mercado.

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