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Há consistência no preço do dólar no mercado brasileiro?

O contexto Brasil ainda não deu evidências numéricas de reversão da exuberante recessão que impacta em sua economia, com deteriorantes efeitos em sua política fiscal consequente de inúmeros erros de gestão no passado, estando presente a ausência de efeitos concretos que possam despertar e corresponder ao excessivo otimismo presente, principalmente por parte do governo em si e de uma parte dos integrantes do sistema financeiro.

É perceptível a prevalência de discursos e anseios e a “forçada” para que atenuem os números negativos da economia ainda em forte recessão, a partir do nada conquistado até o momento.

A política fiscal continua sem uma diretriz recuperatória efetiva, o que torna crível que o BC possa ter interesse em manter uma taxa baixa irreal do dólar para ir liquidando gradualmente sua exposição de swaps cambiais sem agravar a situação fiscal e, na margem, ter um fator fortemente contributivo para contenção da inflação.

Na mesma linha instituições e grandes investidores posicionados atuam estimulando a irrealidade.

Com este objetivo são propagados inúmeros fatores visionários e postados na mídia, mas o quadro geral esmiuçado não confirma os mesmos como fato concreto.

O governo transitório valeu-se deste fato e ampliou sobremaneira a projeção do déficit fiscal e agora se vê pressionado por pleitos inúmeros de aumentos dos setores ligados direta ou indiretamente a ele para obterem aumentos inoportunos. O Ministro Meirelles já destaca que a PEC de teto para avanço de gastos públicos passará por ajustes, mas defensivamente para evitar impactos negativos imediatos, salienta que não haverá aumento de impostos que seria altamente para a economia cambaleante. Todavia, cada vez mais parece irreversível que o aumento de impostos estará na pauta.

Sinais consistentes deste fato é a expectativa de que um novo ciclo robusto de investimentos em infraestrutura no Brasil demorará pelo menos um ano, sendo isto mais um anseio do que uma perspectiva sustentável.

Prévia da FGV aponta queda de confiança da indústria em agosto, havendo notório agravamento no segmento que parecia estar se recuperando com as exportações como o automobilístico, deixando evidente que o otimismo está em queda e o desemprego continuará crescendo com a concomitante queda de renda e consumo.

No câmbio o que se detecta é um fluxo negativo de US$ 8,4 Bi até 19 de agosto, com fluxo comercial positivo de US$ 30,8 Bi e fluxo financeiro negativo de US$ 39,2 Bi, desmistificando que ocorra um enorme fluxo de recursos para o Brasil, já que o volume de saída liquida continua predominando e os bancos estão sendo financiados pelo BC para gerar liquidez no mercado a vista com montante que representa sua posição vendida total de US$ 29,0 Bi, num ambiente desfavorável a sua cobertura, o que torna efetiva a utilização indireta das reservas cambiais brasileira.

E o que se denota é que a perspectiva de saldo positivo na balança comercial de US$ 50,0 Bi para este já pode ser revista para US$ 40,0 Bi.

Exportações são fortemente cadentes e as importações crescentes, e, inegavelmente, isto se deve ao desequilíbrio na formação do preço do dólar no nosso mercado.

Tudo sanciona o fato de que não há consistência no preço do dólar no nosso mercado de câmbio e, em algum momento bastante próximo, isto ficará evidente, retardando a retomada do direcionamento da nossa economia para a saída da recessão pelo desestimulo aos setores industriais, comerciais e de serviço.

A colocação da inflação na meta poderá ser uma vitória aparente, deixando como legado um forte impacto de desestimulo para a economia.

 

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