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Eventos determinam postura defensiva do mercado, mas dólar manteve viés de baixa!

A notória recuperação da atividade econômica do Brasil, ainda lenta, mas consistente e na direção certa, denota força para recompor a formação do preço da moeda americana e isto implica na sua desvalorização frente ao real, mesmo com a persistência da intervenção neutra do BC que, em tese, dá sustentação à taxa cambial com disfuncionalidade.

Numa semana envolvendo decisões relevantes como reuniões do BC/COPOM, FED americano, BCE e foco na validação por parte dos Estados Unidos sobre a aplicação de tarifas sobre produtos chineses a partir do dia 15 próximo, eventos com potencial de causar postura de cautela e defensiva nos mercados financeiros globais, o dólar no mercado brasileiro manteve a cotação e há a clara percepção que o viés é de baixa, contrariando a grande maioria de projeções.

O enquadramento da taxa cambial à sua normalidade e compatibilidade com o “status quo” do país no segmento cambial, certamente, ocorreria rapidamente se o BC restringisse sua intervenção profilática de prover o mercado com liquidez à vista, ante a acentuada queda do fluxo, sem conjugar esta ação com a oferta de swaps cambiais reversos, o que ancora o preço com disfunção.

A tese de que “juro baixo dólar alto” não é sustentável com uma taxa cambial com disfuncionalidade como ocorre na atualidade, por isso urge que a taxa cambial fique compatível com a realidade, que, no momento, entendemos estar no em torno de R$ 4,00, até que seja recomposto o fluxo cambial positivo que determinará viés para preço abaixo deste patamar.

As revisões de projeções econômicas brasileiras para melhor, melhora da balança comercial, melhora das perspectivas de resultados fiscais com a Reforma da Previdência, etc… estão ficando acima das expectativas e isto fomenta a retomada do otimismo e intensifica a perspectiva de que os investidores estrangeiros possam retornar, agora com capitais não especulativos, ao mercado brasileiro, já que o país detém um excelente risco evidenciado pelo CDS de 116 pontos, com viés de romper o recorde de 111 pontos.

Evidentemente que houvesse as reformas administrativa e tributária sido dinamizadas nas suas proposituras seria um fator a mais positivo, mas há convicção de que, ainda que com certo retardamento, serão implementadas.

Já está presente, também, a perspectiva ainda de longo prazo, mas factível, quem sabe para 2022, a recuperação de rating por parte do Brasil, quiçá retomando o “grau de investimento”.

Hoje o COPOM/BC deve definir mais um corte de 0,50% na taxa SELIC reduzindo-a a 4,50%, mas é objeto de observação a viabilidade de continuidade ou não de mais cortes e isto poderá se tornar mais claro a partir da manifestação da autoridade monetária pós-reunião.

Será importante que a taxa de câmbio retome sua normalidade evitando-se assim que haja impactos nos preços relativos da economia, o que seria negativo antes que a atividade econômica seja efetivamente revitalizada.

Hoje, também, o FED deve definir a taxa de juro americana e não se espera mudanças, portanto o esperado é a manutenção. As eventuais críticas do Presidente Trump serão inevitáveis, mas já se espera que o mesmo recue na aplicação do tarifaço sobre produtos chineses a partir do dia 15.

A grande realidade é que 2019 já sinaliza que o país deverá ter um 2020 muito mais promissor, e isto passa necessariamente pela retomada de fluxos cambiais positivos para o Brasil, principalmente impulsionando a Bovespa e impactando forte sobre a formação do preço da moeda americana.

O país não tem e nunca teve nos tempos recentes problemas na área cambial, mas tem convivido com um “clima destemperado” no em torno deste assunto, passando até a falsa impressão de que pudesse estar convivendo com uma crise cambial, algo absolutamente inexistente.

Não há fundamentos críveis para o preço da moeda americana estar acima de R$ 4,00 no nosso mercado.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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