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Estratégia para reversão enfrentará a intolerância a novos erros

O mix de ações de curto, médio e longo prazos que envolvem o novo e grande projeto reversivo do quadro econômico brasileiro amplamente deteriorado exige um sincronismo perfeito e sem erros, tal e qual uma partida de xadrez, porque o governo reeleito gastou todo o direito ao beneficio da dúvida no seu primeiro mandato absolutamente sem brilho.

O desafio é enorme e tudo leva a crer que foi convocada uma equipe para enfrentá-lo que inspira confiança e bem aceitos pelos diversos setores da economia brasileira, restando tão somente ser observado o grau de liberdade que terão para colocar em prática o que já manifestaram na teoria.

O processo de reconstrução da economia do país demandará minimamente 2 anos, mas é imperativo que o governo adote decisões não contaminadas pelos erros recentes e não tão recentes que a conduziram ao quadro absolutamente deteriorado, com ênfase às contas publicas e ao crescimento muito próximo de zero.

O anúncio do objetivo de praticar uma política fiscal duríssima, fechando todas as torneiras e ralos que proliferaram ao longo dos tempos mais recentes, retirando-a do conceito expansionista inconcebível com um ambiente de receitas insuficientes é promissor, mas a sua consumação levada a sério será gradual, como já destacado pelo Ministro Levy, sendo, contudo, a sinalização firme, para ser fundamental para impactar favoravelmente nas expectativas negativas.

Neste intervalo entre a intenção e a consumação de resultados da nova postura de politica fiscal, que naturalmente será amplamente contributiva para a contenção das pressões inflacionárias, o BC ainda precisará persistir com a utilização da taxa SELIC mais incisiva para este monitoramento.

Cautelarmente, já poderá elevar a SELIC de 11,25% para 11,75% na reunião do COPOM esta semana, pois há preços administrados na economia que precisarão ser descomprimidos.

O governo não tem recursos para investimentos como a nossa economia requer de sua parte, tendo, portanto, a absoluta necessidade de promover a mudança de comportamento dos empresários brasileiros e procurar fazer o país atraente ao investidor estrangeiro em pontos específicos, já que no geral não é visto como atrativo.

Neste contexto de ações corretivas que necessariamente consumirão minimamente dois anos, o governo precisa criar condições de viabilização imediata de alteração de atitude do empresariado brasileiro, motivando-o ao investimento e retomada a atividade econômica, e isto passa necessariamente pela alteração da logística da política cambial como ponto chave para este objetivo.

A indução sistêmica da apreciação da moeda nacional, ancorada desde agosto do ano passado na “compra de credibilidade” com a colocação de contratos de instrumentos financeiros denominados “swaps cambiais” no mercado futuro de dólar destinados para bancar “hedge”, cujo estoque atual ronda os US$ 105,0 Bi, mas a rigor praticada por inúmeros mecanismos desde 2005, é que desconstruiu a indústria nacional e permitiu forte ingresso dos produtos importados, já não encontra espaço para continuidade no mercado de câmbio brasileiro.

É bem verdade que ao inicio da pratica artificializar do processo de apreciar o real o país viveu o “boom” das commodities e com a elevação dos preços justificava a apreciação excessiva da moeda nacional, atribuindo aos fluxos cambiais positivos, que absorvia integralmente com leilões de compra no mercado, a valorização do real, mas que estrategicamente tinha a indução também por parte do governo para conter as pressões inflacionárias dos seus gastos já excessivos.

A desconstrução da indústria nacional não foi, portanto algo concentrado a partir do Governo Dilma, teve inicio em 2005, mas se acentuou no seu governo.

O preço do dólar nesta fase de necessidade de evidências e estímulos com causa e efeito mais imediatos será peça fundamental. E entenda-se que deixar o preço da moeda americana ajustar-se à sua realidade ou próxima de seu preço justo não deverá ser considerado benesse, mas sim uma necessidade premente da economia brasileira em ter paridade simétrica do real frente ao dólar americano.

O governo precisa devolver o que retirou da indústria com a prática contumaz de apreciação induzida do preço da moeda americana.

Assim agindo, a indústria nacional terá condições de elevar de forma sustentável a sua competitividade no mercado interno e externo, seja pelo encarecimento justo do produto importado, seja pelo aumento do potencial exportador. Certamente, com a revitalização das oportunidades para a indústria, os empresários se sentirão motivados ao investimento.

E mais, vivemos agora momento diferente da época do “boom” das commodities, com tendência de queda nos preços internacionais, então, é necessário, como está ocorrendo nos demais países produtores de commodities, o a moeda nacional seja fragilizada, o que ocorrerá naturalmente pelas forças de mercado, para equalizar a remuneração aos produtores.

Adicionalmente o governo tem que disponibilizar a oferta de projetos focados na recuperação da infraestrutura do país, objetivando atrair investidores estrangeiros.

Portanto, o câmbio é neste momento a peça chave para o governo atinja reação da atividade econômica imediata do setor industrial e não desestimule o setor de commodities, não como concessão de benesse, mas simplesmente deixando o preço do câmbio assumir sua realidade.

Afinal precisamos perder o hábito de ostentar sempre as nossas reservas cambiais de US$ 375,0 Bi, constituídas com aumento da divida publica, e sim focar a redução brusca do expressivo déficit em transações correntes, 3º maior do mundo, que vem se repetindo ano após ano, mais um dos itens altamente prejudicados pela manutenção artificializada do preço da moeda americana no mercado de câmbio brasileiro.

Há confiança, mas a credibilidade só virá com resultados e o momento requer mudanças significativas para ser considerado diferente, pois se transparecer que teremos mais do mesmo o nível de tolerância será mínimo e o país não sairá do momento desfavorável presente.

 

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