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Dólar: preço fora da curva resiste, mas caindo por falta de fundamentos para alta!

Depreciação do dólar frente ao real recolocando seu preço dentro da curva revela certa resistência, mas parece inequívoca a tendência do ajuste ao ponto correto da curva, que entendemos esteja, no contexto atual, entre R$ 3,70 a R$ 3,75.

O momento requer sensatez e não se revela propício para exacerbações no preço da moeda americana, nem abaixo e nem acima do que consideramos seja o ponto de equilíbrio, sendo notória a tendência natural de que neste período em que o “Brasil foca preferencialmente o Brasil”, e assim, estando centrado nos debates e embates em torno da Reforma da Previdência, e, aguardando suas repercussões fundamentais para o país com ênfase na correção da grave crise fiscal e viabilização da retomada das atividades econômicas, com todos os seus reflexos positivos.

Como é sabido e repetidamente postado, o Brasil não tem problemas na área cambial, muito pelo contrário, tem um ambiente tranquilo e altamente bem defendido com contas externas em ordem, reservas cambiais soberbas face suas necessidades, déficit em transações correntes equilibradas e com o BC dispondo de mecanismos operacionais apropriados para eventuais pressões de demanda, o que ainda não foi sinalizado.

O “clima” em torno do andamento dos trâmites da Reforma da Previdência parece melhorar gradualmente, embora ainda seja notória a necessidade de melhor articulação política por parte do governo, mas a percepção do entorno vem acentuando o otimismo.

Esta questão, muito embora considerada excessivamente valorizada pelo país, exatamente por alguns que vêm grandes impactos externos, é, no nosso entender, a mais importante para o novo governo e para o seu plano de governabilidade, portanto bem acima em importância externa, pois sem o reordenamento das finanças do país, não há como planejar-se o desenvolvimento.

Entendemos que, neste momento, nem para baixo do ponto de equilíbrio da taxa cambial deva haver movimento, que não seria bom e certamente seria uma precipitação.

Da mesma forma, acreditamos que a Bovespa não devesse ultrapassar os 100 mil pontos já, pois fica o risco de retroceder adiante, sendo mais sensato que ocorra a partir do momento em que houver uma melhor visão sobre a formatação final da Reforma da Previdência e sua pujança para reanimar a atividade econômica, que deve ser, inegavelmente, a mola mestra da impulsão da Bovespa.

A temporada até maio pelo menos sugere precaução e sensatez, nenhuma exacerbação já que não há fundamentos ainda sustentáveis e, portanto, críveis.

O mercado financeiro vivencia um “estresse”, pois na realidade o comportamento mais adequado nesta fase de tramitação da Reforma da Previdência seria a sensatez e acomodação até haver melhores condições de prognosticar o momento futuro com certa segurança, mas como grande parte “ganha” com o giro, ocorre o imponderável de movimentos articulados nem sempre fundamentados.

Os problemas externos como China-USA, Brexit, União Européia, atividade econômica americana/FED, etc… fazem parte do cenário conturbado e eivado de incertezas e que afetam perspectivas para crescimento global e comportamento de algumas economias mais relevantes, como a americana, mas que, embora importantes, são menos importantes para o Brasil que o seu próprio ‘status quo” que sem solução não o permitirá retomar alinhamento com o desenvolvimento, que é fundamental.

O Brasil tem inflação controlada, juros baixos e câmbio confortável, fatores que no passado foram preponderantes em evidenciar nossa  desorganização em situações de crises, mas atualmente depende fundamentalmente da retomada forte da atividade econômica e, imperativamente, do primeiro passo que é a Reforma da Previdência, a primeira reforma efetivamente estrutural desde a última Constituição.

Não há muito que conjecturar e fustigar no momento, com fundamentos,  e as ideologias e radicalismos tendem a perder relevância também de forma gradual, por isso nosso ponto de vista é que, embora com alguma volatilidade, não deva ocorrer nenhuma “explosão” nem no índice Bovespa e nem no ponto de equilíbrio do preço do dólar, pois seriam riscos neste momento, ainda binário.

A postura do investidor estrangeiro em relação ao Brasil tem revelado sensatez, exemplo a ser seguido pelos investidores nacionais, não sinalizando desinteresse, mas tão somente precaução e sensatez.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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