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“Dilema de Sofia” pode determinar alta maior na SELIC, priorizando o combate à inflação, para poder estimular o crescimento na sequência.

O governo tem insistido que deseja controlar a inflação e fazê-la convergir para o centro da meta, e, ao mesmo tempo objetiva, também e ao mesmo tempo, o crescimento.

Sabidamente esta estratégia tem enorme possibilidade de tendência ao duplo insucesso pela incompatibilidade das decisões que envolvem uma ou outra alternativa, e este seria o pior dos resultados para o governo, principalmente, num ano pré-eleitoral.

É imperativo que, enquanto há tempo embora já escasso, que priorize uma com intensidade, para que depois incremente a outra.

Tratamento de choque na inflação sugere que a alta na taxa SELIC seja precipitada em percentuais maiores, ao mesmo tempo em que o preço do dólar deveria ser deprimido até um ponto de neutralidade, ou até mesmo a parâmetro contributivo para a contenção das pressões inflacionárias.

O consumo já revela retrocesso da demanda por parte das famílias decorrente da inflação, dados recentes dão esta evidência em diversificadas medições, e isto atinge fortemente a classe de baixa renda. Na mesma linha desencoraja o investimento produtivo que o país precisa para alavancar o seu crescimento.

A dispersão da inflação ainda está em níveis elevados na economia, e, não podemos perder de vista que a inflação ainda é algo muito presente no DNA da população brasileira, então reajustes tendem a generalização por todos os segmentos, caso não ocorram medidas imediatas de contenção.

Estranho que neste contexto o emprego continue em expansão, o que se constitui fator relevante para a pressão inflacionária, de vez que os salários acabam pressionados e ficando acima da expansão da economia, gerando inflação de custos.

Elevar o juro mais rapidamente não será problema, pode ser uma decisão política e não técnica, porém apreciar o real num contexto de fluxo cambial fragilizado não será tarefa fácil para o governo, salvo de utilizar as reservas cambiais para aumentar a liquidez. Por outro lado, a contínua expansão do emprego é algo estranho neste ambiente de baixo crescimento do país, deveria ser contida pelas próprias circunstâncias presentes.

Portanto, só elevar o juro não seria suficiente para a contenção mais rápida da inflação, precisaria apreciar o real, tarefa já não tão fácil, e, ocorrer algum reflexo negativo no emprego, algo impensável por parte do governo.

Então, se vê, que inibir as pressões inflacionárias presentes resultam num dificultoso teorema.

Por outro lado, estimular o crescimento resultaria em maior pressão inflacionária e aniquilaria o poder de consumo das classes mais baixas, âncora maior do próprio crescimento.

Tudo indica que o Brasil enfrenta um problema sem correlatos na economia mundial. Temos inflação elevada e crescimento nanico, o pior cenário para que se estruture estratégia de solução que contemple ambos os desafios em concomitância.

Terá obrigatoriamente que fazer a escolha e, ao que tudo indica, o combate à inflação será prioritário, já que tende a elevar a taxa SELIC, e esta decisão refletirá diretamente no câmbio sendo necessário apreciar o real.

Então, podemos afirmar que a tendência, em perspectiva, é de que o preço da moeda americana seja depreciado no curto prazo por ação determinada do governo, mas devemos reconhecer que não será tarefa fácil, pois os fundamentos sugerem o contrário.

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