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Dados consumados e projeções sancionam perspectiva de “downgrade”

O quadro deletério da economia brasileira que sugere longo período e medidas corretas, sendo previsível uma fase de maior agravamento antes dos sinais primários de recuperação, já é suficientemente preocupante para observação mais aguda do Brasil pelas principais agencias de rating internacionais.

O país tem um relevante agravante do seu quadro geral no absoluto descontrole da sua politica fiscal, que foi sancionado para este ano em R$ 120,0 Bi, o que por si só o coloca na linha direta de ter seus ratings rebaixados e então ocorrer o “downgrade”.

Temos destacado que entendemos que em 2016 teremos um quadro de agravamento do quadro, envolvendo repercussões maiores no lado social, com aumento massivo do desemprego, queda consequente da renda e do consumo, sem que haja movimento de redenção do setor produtivo.

Este ano de 2015 deve findar-se com inflação bastante aquecida rondando os 11%, dólar em torno de R$ 4,00, PIB em retração próxima a 4% e a indústria retrocedendo na sua atividade em quase 8%. Dados bastante comprometedores e deixando evidente o grande desafio de gestão por parte do governo para corrigir seus próprios erros, o que, por ter sido o causador, retira em parte a credibilidade na capacidade de fazer e conspira contra a confiança, tornando o percurso mais difícil.

A desempenho de 2015 já seria bastante para justificar medidas revisionais das agências de rating, com repercussões amplamente negativas para o país no contexto internacional.

O ano também fecha com fluxos cambiais financeiros negativos, a despeito de estar ofertando expressiva taxa de juro, e com um saldo de balança comercial pouco contributivo. Tem um expressivo comprometimento indireto das reservas cambiais ao ancorar a credibilidade dos contratos de swaps cambiais para “hedge” colocados no mercado em torno de US$ 110,0 Bi e mais posições vendidas (a descoberto) dos bancos lastreadas no todo ou em parte pelo próprio BC com linhas de financiamentos em moeda estrangeira. Como não há perspectiva de que o país venha a ter um intenso fluxo de capitais positivo, não se vê solução à mercado para este quadro de sustentação do preço do dólar.

Mas não bastasse isto, as projeções do BOLETIM FOCUS, que continuam fora do ponto nas suas projeções para 2016 no quesito IPCA (inflação) ao apontar 6,80%, o que corresponderia a uma retração sobre os atuais níveis da ordem de 35% o que é praticamente impossível mesmo num ambiente de forte recessão e depressão e dólar a R$ 4,20 num ambiente prospectivo amplamente negativo, apontam com realismo e acreditamos com fundamentos “vis-a-vis” a retrospectiva de 2015, queda no PIB de 2,67% e queda na produção industrial de 3,45%, o que deixa evidente a enorme dificuldade, praticamente inviável, de o governo reorganizar sua politica fiscal, dada a grande dificuldade de cortar em termos efetivos seus gastos, a despeito dos anúncios constantes.

O quadro atual e as perspectivas para 2016 surgindo logo ao final de 2015 com cenário ruim certamente alavancam a possibilidade e proximidade do país para ser rebaixado e ser conduzido ao “downgrade”.

Ocorrência desta natureza com possibilidade tão efetiva, já tendo a Moody´s colocado a nota do Brasil em revisão, o que pode acontecer com a Fitch e quem sabe a S&P, pode agregar grande dificuldade para o país, que sofrerá a retirada de recursos estrangeiros aqui aplicados e que tem condicionamento a nossa condição de grau de investimento, e que pode motivar que outros recursos estrangeiros também deixem o país espontaneamente por questão de risco.

A FITCH já se manifestou afirmando que o país terá menor acesso aos recursos externos, o que sugere dificuldade para rolagem de empréstimos e encarecimento.

Em suma, o país perderá ainda mais atratividade para investimentos produtivos, já que sua economia persistirá no estado de latente inanição. Há no momento países emergentes muito mais atraentes do que o Brasil.

Afora este contexto, temos na pauta a alta do juro americano que pode motivar deslocamento de recursos externos atualmente locados em países emergentes para o mercado americano.

Enfim, o que se vê e se projeta é ruim para os fluxos de capitais estrangeiros para o Brasil, e isto sim é que deve ser precificado, porque consistente e fundamentado, e não fatores envolvendo a questão politica e tentando trazer para o mercado à vista situações ainda pouco claras e que, a rigor, não garantiriam sucesso recuperatório imediato da situação caótica da nossa economia.

Está faltando bom senso. O viés de alta do preço da moeda americana tem motivos suficientes aqui mesmo para ser sustentável, e este deve ser o foco, e não se buscando atribuir a fatores externos, como China, etc…. as causas determinantes.

O preço da moeda americana tem potenciais fatores de indução fundamentada para fechar este ano em R$ 4,00 e, se o país for penalizado com o “downgrade” não se pode considerar a taxa ao final de 2016 em R$ 5,00.

É importante observar que os instrumentos de “contenção” do preço que o BC dispõe já estão sendo usados, e se tencionar ser mais contundente no enfrentamento da tendência de alta terá que utilizar a oferta efetiva de moeda e esta não será uma boa opção, pois fragilizaria mais a situação do país.

O momento sugere rigor na observação e sensatez na ação, pois como temos dito o mercado está muito para profissionais e com movimentos de atipicidades constantes.

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