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Crise fiscal. Falta de alternativas factíveis. Riscos são agravados e ignorados

O mercado financeiro está atropelando via Bovespa e nem tanto via dólar, o fato relevante da inviabilização da reforma previdenciária, que seria fundamental para dar algum alento em perspectiva à expressiva crise fiscal com a qual se defronta o país.

Embora a economia do país venha dando sinais de evolução, por vezes menor do que os propagados é inegável que há avanços, mas ainda não há sustentabilidade e fundamentos consistentes, pois o país tem vulnerabilidades, como a crise fiscal, e um consistente conjunto de desafios a serem superados, com intensa sinergia com a política, onde o clima tende a ser cada vez de maior acirramento entre os poderes, que resulta em baixo apoios intra-poderes, ainda mais quando há evidentes pretensões eleitorais focadas no pleito a Presidente, entre os seus membros.

Não há como dissociar-se a economia da política, visto que os vasos comunicantes são enormes neste momento, e embora a economia possa estar melhor as questões políticas tendem a assumir o protagonismo principal e inviabilizar os avanços necessários para uma melhor gestão.

Para não dar a impressão de que sentiu a clara derrota sofrida com a reforma previdenciária, que buscou desfocar com o fato da intervenção atribulada na segurança do Rio de Janeiro provocar a sua inviabilização, o governo lançou um plano B eivado de assuntos requentados, muitos dos quais já em tramitação no Congresso Nacional.

A irritação entre os protagonistas principais dos poderes constituídos é notória, e isto deixa transparecer que ocorrerá um processo de enrolação no pautar dos projetos, sendo mesmo crível que o assunto em torno da independência do BC será tema para o próximo governo.

Como era de se esperar, as agências de rating deram mostras de que há o que considerar como negativo na não implementação da reforma previdenciária, restando saber agora se não rebaixarão ainda mais as notas do Brasil.

A reação da Bovespa mantendo a tendência de recuperação, ignorando o descarte da reforma da previdência, até porque já a considerava como improvável, merece observação, visto que a suposição se tornou realidade e a crise fiscal do país é fato relevante.

O dólar, ainda que se possa atribuir influências externas, repercutiu em parte a frustração com a não aprovação, mas a tendência de valorização da moeda americana no mercado internacional é algo que está no radar como consequente do aquecimento da economia americana e seus indicadores. De toda forma não se pode descartar o intervencionismo técnico “cirúrgico” do BC na administração do preço da moeda, o que nem sempre é captado por simples observação.

Entendemos que, a rigor, o risco Brasil face a sua crise fiscal agora com menor expectativa de controle mais eficaz se acentua e desta forma, sugere que se observe o comportamento da Bovespa com maior acuidade, já que a sua dinâmica está quase que totalmente sendo tocada pelo recursos externos especulativos e estes se, por seus gestores, notarem maior acirramento nos ânimos afetando a economia e acentuando as dúvidas em torno do processo eleitoral, até com o movimento reacionário em torno do condenado ex-Presidente Lula que “continua candidato” declarado, poderão alterar o apetite em torno do Brasil.

Além disto, há tendência bastante consistente de que o FED implemente medidas face à dinâmica da economia americana que impactarão nos países emergentes, que poderão ser agravadas se em conjunto ocorrer um enxugamento na liquidez elevada do mercado internacional.

Sem perder de vista a necessária sensatez e precaução que temos salientado como melhor postura, o momento requer uma sintonia fina no ambiente dia a dia, pois “as coisas vão indo” mas a riscos verdadeiros que podem determinar reversão.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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