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Conjuntura complexa neutraliza expectativas com reformas estruturais no Brasil!

O Brasil tem uma conjuntura econômica bastante complexa neste momento, e, para agravar o mesmo ocorre com a conjuntura global, e então há firme sinalização de que as expectativas que o país nutria com as suas reformas estruturais em andamento e projetadas tendem a ter frustradas suas expectativas de curto/médio prazo, pois além dos relevantes entraves internos, conspiram agora os contratempos externos.

Todo este cenário conturbado global encontra o Brasil em situação bastante desvantajosa e desta forma compromete severamente toda a visão prospectiva de retomada da atividade econômica, fundamental para o país reconquistar atratividade, investimentos e gerar empregos, renda e consumo, que já tem fatores contrários internos e agora podendo se acentuar as adversidades oriundas do ambiente externo, que coloca os países em postura defensiva.

A guerra comercial presente no comércio exterior internacional, que polariza o embate entre Estados Unidos e China, mas que não se restringe aos mesmos, sinaliza que pode evoluir para um contexto mais degradante e extremamente perigoso, qual seja estimular e desenvolver uma guerra cambial como fator concorrencial entre os países.

O iuan chinês rompeu a marca de 7 por dólar hoje e impactou forte no mercado. Seria o início da retaliação por parte da China?

A paridade das moedas é um forte instrumento concorrencial no comércio exterior, e, num ambiente de perda de dinâmica como se verifica no volume de negócios no cenário global e com aumento do protecionismo, se revela um instrumento ainda mais potencial.

No ambiente interno o Brasil pontifica a crescente frustração das expectativas sobre as resultantes imediatas das reformas estruturais que estão em andamento e projetadas, pois a conjuntura interna adversa não enseja a desejada perspectiva de retomada da atividade econômica a partir de ações por parte do setor produtivo, visto que há capacidade ociosa e estoques que inibem investimentos imediatos, e o país tem enorme fragilidade na capacidade de consumo da população, com renda altamente comprometida pelo endividamento e forte desemprego.

Alternativa que acreditamos poderia passar a ser focada pelo Governo Federal, na ausência de sua capacidade presente e imediata para realizar investimentos estruturais e da inércia do setor produtivo, seria avaliar a possibilidade de reduzir as reservas cambiais em torno de 10%, já que são excessivas para reverter para investimentos estruturais e com isto dar impulso direto à retomada da atividade econômica, gerando empregos, renda e fomentando o consumo geral ao invés de ficar criando alternativas frágeis com liberação do FGTS e de depósito compulsório para os bancos, já que a primeira pode ser direcionada não para o consumo, mas sim para atenuar o endividamento e o segundo, em grande parte, poderá retornar ao Tesouro na forma de compra de papéis federais, face à baixa demanda para crédito com a economia em ritmo baixo.

Poderia, inclusive, mesclar esta ação com o aumento das ações focando as privatizações essenciais, visando criar foco de atração para investidores estrangeiros de longo prazo.

No comércio exterior, como somos predominantemente “coloniais”, podemos tirar alguma vantagem por sermos exportadores potenciais de commodities agrícolas e metálicas, visto que podem surgir oportunidades pontuais face ao embate comercial e preços com viés de alta.

O preço do dólar frente o real então sofre pressões de duas vertentes. A interna que com o país registrando fluxo cambial negativo fica com baixa liquidez no mercado a vista e que com eventual movimento de aversão ou perda de atratividade pode acentuar o fluxo de saída que poderá pressionar o custo do cupom cambial face ao estreitamento dos juros interno e externo. E externa em decorrência da acentuada tendência de guerra cambial e agravamento da aversão ao risco, que fragiliza as moedas emergentes.

Afinal, há muitos fatores adversos, deixando claro que não basta tem juro interno e CDS baixo, o Brasil precisa muito mais e, principalmente, ações imediatas e criativas por parte do governo, dada a inércia do setor produtivo nacional e baixa atratividade externa.

O dólar tende a ser o centro das atenções na cena global e no Brasil, e seus efeitos repercutem rapidamente!!

O viés persiste de alta!!


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

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