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Câmbio: O efeito “Levy” provoca ajustes e sustenta alta necessária

Como destacamos ontem, o Ministro da Fazenda Joaquim Levy falou sobre o câmbio na última sexta feira, e este foi um fato novo na dinâmica da gestão da política econômica do país, já que este é um tema não focado usualmente com considerações objetivas pelo Ministro antecessor e nem desta forma pelos membros do COPOM e BC.

O mercado ainda operava com foco pouco centrado no comportamento da moeda americana, dado certo vício de conduta característico do governo e absorvido pelos players nos últimos anos, qual seja o de administração do preço por parte do BC no sentido de evitar pressões inflacionárias, quando a fala do Ministro surgiu como novidade e provocou 3% de alta na sexta-feira e mais 1% ontem, conduzindo a cotação do dólar para além dos R$ 2,70 e com viés de que pode ir um pouco além deste nível.

Os dados pouco satisfatórios de alguns segmentos da economia americana até sugeririam comportamento diferente da moeda americana no nosso mercado, mas com o país tendo a geração de liquidez no mercado à vista de câmbio pelos bancos através posições vendidas e com um expressivo volume de instrumentos financeiros denominados “swaps cambiais” ancorando a credibilidade da moeda nacional, o preço que vinha sendo formado no mercado era absolutamente incompatível com este “status quo” direto no câmbio e mais, apresentava desalinhamento com a realidade dos indicadores mais relevantes do país, apontando para a ocorrência de sobrevalorização no preço da moeda nacional, e isto acaba sendo um fator determinante para os fluxos cambiais eventuais e especulativos oriundos das operações de “carry trade” forjados a partir da liquidez proporcionada pelo QE´s europeu e japonês não sejam direcionados para o Brasil.

O Brasil precisa melhorar os fluxos de recursos externos, ainda que não rigorosamente para o setor produtivo como investimentos estáveis pelo menos para sanar uma necessidade de incremento imediato de volume, mesmo sendo especulativos focando obtenção de rentabilidade oferecida pelo país.

Há muitas análises entendendo que este seja um sinal de que o BC diminuirá a oferta de swaps cambiais. Não acreditamos nesta hipótese agora, entendemos que primeiro o país precisa conquistar fluxos cambiais positivos para depois gradualmente reduzir esta oferta, caso contrário a taxa cambial poderá sofrer uma alta expressiva e comprometedora em demasia.

Uma ação em dois ou três tempos, primeiro atraímos os capitais especulativos para pelo menos evitar que o BC tenha que aumentar a oferta de swaps cambiais, caso os fluxos se tornem negativos, para depois – e o Ministro deu uma chamada nos exportadores – o setor produtivo buscar a produtividade e não somente contar com o efeito positivo da taxa cambial mais elevada para aumentar as vendas ao exterior, ao mesmo tempo em que ganhará também maior competitividade no mercado interno pelo encarecimento do produto importado, contendo as importações. E, por fim, mas não menos urgente, o governo abriria as concessões para a infraestrutura, que consideramos quase único setor em que o país poderá despertar interesse ao investidor estrangeiro para seus investimentos efetivos no país.

A balança comercial de janeiro emitiu expressivo sinal de como estão as perspectivas neste campo. Déficit de US$ 3,174 Bi, com as exportações revelando queda de 17,9% ante dezembro e 10,4% ante um ano atrás. Os destaques da queda das exportações foram minério de ferro e carnes, mas é bom lembrar que as commodities agrícolas estão com preços cadentes no mercado internacional e é possível que ocorra retração da demanda, pois a China está emitindo sinais nesta direção. Por outro lado, as importações cresceram 2,8% ante o mês de dezembro e 12% ante um ano atrás.

A manutenção da moeda nacional sobrevalorizada simplesmente daria sequência ao processo histórico que esteve vigorante nos últimos anos causando a desindustrialização do país e forte incremento às importações.

Inúmeras vezes em nossos posts diários destacamos a irrealidade da taxa cambial que vinha sendo praticada, a despeito da elevação de 13% no ano passado, mas que neste ano já havia recuado o preço até insustentáveis R$ 2,55 e ressalvamos que a questão da taxa SELIC não era algo resolvido, visto que colocado o preço da moeda americana no seu devido patamar evidentemente poderiam surgir pressões inflacionárias exigindo taxa de juro mais elevada.

O fato é que o estado de deterioração do país tem inúmeras demandas, o que determina que muitas das quais para serem atingidas se confrontem, e este é um jogo que cabe aos gestores da política econômica definir gradualmente, por isso neste processo de ajustes as projeções ficam muito prejudicadas quando fundamentadas em velhas práticas.

 

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