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Câmbio: Mudança política teria capacidade para alterar economia já?

Perspectivas absolutamente confusa e complexa não valida comportamento dos principais indicativos do mercado financeiro, como comportamento da BOVESPA, dólar e juro.

Há muito achismo e pouca fundamentação na formação de preços pelo mercado financeiro e, também, pelo conteúdo no principal instrumento de divulgação, o Boletim Focus.

Otimismo exacerbado num ambiente que sugere mudanças de natureza política, mas que acumula muitas e enormes dúvidas sobre o que seria o próximo ambiente político e que de forma alguma garante situação econômica mais promissora no curto/médio prazos, sem impor severa depuração à condução e gestão de governo, que poderá trazer fortes desapontamentos para os imediatistas, tanto partidários quanto antagonistas.

É preciso considerar sempre que a situação é extremamente complexa, não havendo predominância do quadro político ao quadro econômico, ambos são drásticos e incertos.

O Boletim FOCUS projeta uma mediana para o IPCA este ano de 7,46%, com o Top 5 em 7,48%, mas parece que estão desconsiderando que até fevereiro já “consumimos” 2,2% que é muito, e, notoriamente, o estado de recessão da economia não vem impactando como se esperava provocando retração, se convivendo com uma inflação na realidade inercial que não responde à grandeza do juro, já que a demanda é cadente.

A recessão precisaria ser quase estagnante da nossa economia, recuando o PIB mais do que o 3,54% projetado. O Goldman Sachs projeta no momento retração de 3,6% enquanto o Morgan Stanley aponta 4,3%.

Desta forma ou a retração do PIB deveria ser maior para enquadrar o IPCA dentro do projetado ou a projeção do IPCA deveria ser maior, algo acima de 9,0%.

A mediana para o dólar persiste em bases baixas, agora R$ 4,25, incompatível com a saída financeira liquida até fevereiro de US$ 11,395 Bi, que se sugere crescente com a persistência da não rolagem de empréstimos vincendos este ano e saídas de recursos alocados em renda fixa e variável, face ao aumento do risco Brasil e perda da preponderância do juro.

Há otimismo demasiado com a perspectiva de saldo da balança comercial, que, a rigor, não deve ser muito acima dos US$ 15,0/20,0 Bi e está sendo projetado em US$ 41,20 Bi, sem fundamentos sustentáveis. Neste momento é mais anseio.

A tendência perceptível é de que a atividade industrial tende a ser cadente e com baixo nível de investimento, gerando desemprego de forma mais intensa. Tudo leva a crer que a queda deva ser discretamente abaixo da verificada no ano passado.

É preciso considerar que o BC vem envidando esforços para manter um excesso de liquidez no mercado de câmbio e com isto não permitir que o preço da moeda americana expresse sua realidade. A reação errática na formação do preço pelo mercado, envolvida por especulação de certos agentes e forte oportunismo, acabou por conduzir o preço a parâmetros extremamente irrealistas.

O BC está agora procurando dar pouca transparência nas posições vendidas dos bancos, já publicas em US$ 27,0 BI, através as quais promove a liquidez no mercado a vista. Ao passar a realizar leilões a termo (compra casada com venda) tira um pouco a transparência do aumento das posições vendidas como ocorre quando as supre somente com linhas e, mantém a rolagem dos contratos de swaps que passa ser um excedente de oferta. Na nova formatação promove excesso de liquidez, a partir do mercado futuro, mantendo a rolagem dos contratos de swaps e promovendo o hedge natural na própria operação a termo por envolver as duas pontas (compra e venda).

E se não conseguirem o desejado “impeachment” da Presidenta?

E se o conseguirem?

Algo muda intempestivamente no curto/médio prazo?

A reação é a que se percebe no mercado pós-manifestação popular grandiosa. O mercado financeiro está inseguro e não sabe exatamente qual seria a perspectiva.

Por isso, depois de toda irrealidade construída recentemente pelo mercado financeiro nos seus ativos, agora convive com as incertezas e, muito provavelmente, sem saber como desconstruir o que construiu.

Então, pode ocorrer um forte “sell-off” na Bovespa, que registrou valorização incompatível com o contexto da nossa economia. O dólar poderá ter recomposto seu preço compatibilizando-o com a realidade do país.

É muito provável que a grandiosidade da manifestação publica ocorrida dia 13 de março, domingo, tenha provocado um choque de realidade quanto às perspectivas reais, por isso ontem a BOVESPA andou de lado e o dólar reverteu ainda discretamente a sua tendência de preço.

Entusiasmo ficou mais comedido.

Do ocorrido há perspectivas que devem ser observadas, mas que não devem determinar otimismos exacerbados, pois há muitas incertezas se mudanças políticas ocorrerem e não há convicções de que a situação econômica mudará de pronto, sem ter que ser depurada de forma severa com repercussões várias e necessárias que poderão não ter o apoio necessário.

O momento aponta riscos de ajustes abruptos e rápidos, por isso é necessário sensatez. 

 

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