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Análise do Mercado – 28/02/2011

Hoje, último dia do mês, é o dia da fixação do Ptax mais importante, por isso, desde 6ª feira, os “players” posicionados liquidamente “vendidos” considerando mercado à vista e futuro envolvendo a moeda americana atuam fortemente buscando apreciar…

Hoje, último dia do mês, é o dia da fixação do Ptax mais importante, por isso, desde 6ª feira, os “players” posicionados liquidamente “vendidos” considerando mercado à vista e futuro envolvendo a moeda americana atuam fortemente buscando apreciar o real, situação que atende os seus interesses para consumação de lucros.

Contudo, o BC não dá tréguas.

Na 6ª atuou forte com intervenções nos leilões se antepondo ao movimento, atuando no mercado físico “à vista” e no futuro com “swaps cambiais reversos”, e não permitiu que “afundassem” o preço da moeda americana com relevante distanciamento do ponto neutro de R$ 1,67, conseguiu manter a taxa acima de R$ 1,66.

Hoje, os “players” retomaram a dinâmica indutora de apreciação real, mas o BC retrucou rapidamente com 2 leilões de compra a termo no mercado físico, com os quais baliza o preço da moeda americana para em seguida anunciar um leilão de “swaps cambiais reversos” no mercado futuro e, logo após, um leilão de compra à vista no mercado físico.

Está bastante evidente que o BC não quer mais os “derivativos” e “especuladores” fazendo o preço da moeda americana no nosso mercado, criou estratégia que lhe permite exercer vigilância e interferência efetiva na formação do preço, que não deseja que se afaste do entorno de R$ 1,67, ponto que, ao que tudo indica, considera neutro. Não estimula críticas maiores do que já ocorreram por parte da indústria exportadora e não contribui para o aquecimento inflacionário.

O que entendemos o que esteja faltando são medidas de desoneração às exportações não agrícolas e onerar as importações não essenciais. Urge que sinalizações e ações efetivas por parte do governo sejam efetivadas.

Da mesma forma, o governo precisará encontrar o ponto exato de crescimento do PIB que permita não exercer pressões inflacionárias e que permita que as medidas que está adotando viabilizem a conversão da inflação para a meta.

Hoje será detalhado o corte de R$ 50,0 Bi anunciado anteriormente pelo MF.

O governo, através do MF, ainda vislumbra que o país possa crescer 5,0% em 2011 e 5,5% em 2012, mas a mediana das projeções de 100 instituições financeiras divulgada pelo Boletim FOCUS reduziu de 4,50% para 4,30% este indicador para 2011 e manteve em 4,50% para 2012, porém já há inúmeros analistas que não vislumbram crescimento acima de 4,0%, considerando inevitável a retração para que a “casa possa ser efetivamente colocada em ordem”.

Esta semana, reuniões na 3ª e 4ª feira, o COPOM definirá a nova taxa de juro SELIC, e não há consenso.

O fato é que um aumento de 0,5% ou 0,75% não deve ter impacto muito diferente no consumo, mas a atitude envolvendo o percentual de reajuste pode sinalizar postura de maior ou menor rigor no enfrentamento da inflação.

Somos da opinião de que o que deve ser feito deva ser o mais rápido possível, visto que este governo está no início e não pode perder tempo. Por isso, entendemos que devesse aplicar logo uma alta de 0,75%, passando a taxa de juro SELIC para 12,0% de imediato.

E, adicionalmente, poderia aplicar maior rigor na concessão de crédito ao consumo, já que as medidas macroprudenciais implementadas têm mostrado resultado, mas ainda há sinais de que tanto o crédito quanto o consumo estão acima do ponto considerado ideal.

A idéia de que elevando-se o juro o fluxo cambial se intensifica para os investimentos em renda fixa, não tem se confirmado na prática, visto que dezembro e janeiro apresentaram fluxo negativo para este tipo de investimento, deixando sinais de que o IOF tem desincentivado os investidores.

O fluxo cambial tem sido mantido no segmento financeiro por captações de recursos externos por empresas e bancos.

A BOVESPA, também, vem revelando fluxo negativo.

A indústria que já deu sinais em dezembro de desaquecimento na atividade, teve agora apurado pela FGV de que o nível de confiança caiu a parâmetro de 11/2009, por isso há muita expectativa pela divulgação da produção industrial, que é esperada negativa.

Por isso, temos enfatizado que é preciso “abrir a janela para a exportação”, de forma que a indústria encontre motivação para continuar investindo, caso contrário poderá haver recuo comprometedor.

Na 6ª feira teremos a divulgação do PIB do 4º trimestre de 2010 e do IPCA deste mês. Indicadores relevantes e importantes.

O Boletim FOCUS elevou discretamente a projeção para o IPCA 2011 de 5,79% para 5,80%, mas no mercado financeiro, considerado o contexto atual, já se admite algo em torno de 6,0%, por isso serão importantes as decisões rápidas e pontuais do governo, que poderão afetar as perspectivas, que são determinantes para formação das projeções.

Para o dólar a projeção foi mantida para o final do ano em R$ 1,70, após ter sido reduzida de R$ 1,75. Acreditamos que o ponto neutro para o governo neste momento e até o meio do ano seja R$ 1,67, porém para o 2º semestre poderá haver alguma pressão altista, a partir da percepção mais efetiva do quadro de déficit em transações correntes, que se estima neste momento, em torno de US$ 70,0 Bi, com o Boletim Focus indicando US$ 66,25 Bi.

O FOCUS também ajusta a projeção para a produção industrial de forma cadente, de 4,41% para 4,10%, mas já há projeções considerando-a em torno de 3,5%.

Março encerrará o 1º trimestre do novo governo e será importante se tiver bem definida a estratégia de contenção das pressões inflacionárias, política fiscal, política monetária e para o câmbio e incentivos e desonerações para a indústria exportadora não agrícola.

 

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