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Análise do Mercado – 25/10/2011

Reação demasiadamente forte dos mercados internacionais ontem, a partir de uma discussão ainda inconclusa acerca de medidas para amenizar a crise europeia havida no final de semana, que teve postergada para a próxima quarta-feira a…

Reação demasiadamente forte dos mercados internacionais ontem, a partir de uma discussão ainda inconclusa acerca de medidas para amenizar a crise europeia havida no final de semana, que teve postergada para a próxima quarta-feira a possibilidade de consolidação de propósitos definidos sobre a ampliação do EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira), a recapitalização dos bancos e um plano sustentável para a economia grega.

Neste ambiente incerto mas alavancado pela “esperança”, as ações de bancos dispararam com relevantes altas, o que parece contraditório, pois deverão estar na lista dos que suportarão as perdas de 50% a 60%, e, para tanto necessitam ser capitalizados.

Hoje, já se questiona sobre a viabilidade da pretensão ter solução rápida e fácil. A Alemanha provavelmente terá que submeter seus posicionamentos acerca da alavancagem do EFSF ao Legislativo, e podem surgir posicionamentos contrários.

Credores da Grécia, dado ao percentual prognosticado de perda “voluntária” da ordem de 50% a 60%, já não estão tão alinhados com a hipótese de serem tão voluntários.

Na Itália, há evidência de falta de vontade política para novos apertos monetários focando o lado fiscal.

E a Grécia já manifestou que pretende que seja alcançado um acordo definitivo sobre o seu problema, não desejando mais acordos temporários. Isto, certamente, decorre da fragilidade do governo que pode não resistir por muito tempo face ao desgaste contínuo provocado por apertos em “pinga gotas”, que têm sido paliativos e causam revolta na população.

Além disto, papéis de mineradoras foram estimulados a fortes altas, em decorrência de dado divulgado pelo HSBC apontando aceleração na atividade manufatureira da China. Não é razoável empolgações com dados que podem ser pontuais, visto que num cenário em que as principais economias mundiais perderam fortemente o ritmo e tendem até a recessão, não há consistência admitir-se que a China não terá repercussões no seu ritmo de atividade econômica, até por ser inevitável.

Estas ocorrências acabam provocando exacerbações totalmente fora de propósito. O petróleo subiu 4,5% atingindo US$ 91,37 o barril na Nymex.

O dólar caiu ante as moedas fortes, o euro atingiu quase US$ 1,40 e a libra quase US$ 1,60.

Nos Estados Unidos, o FED faz insinuações de que poderia surgir um “QE3” e isto mexe com o ânimo do mercado financeiro, se bem que nos programas anteriores, salvaram-se os bancos, mas não a economia do país, que piorou bastante, agravando o problema do endividamento do governo, o desemprego e a renda da população, já que os recursos ficaram “ilhados” pelos bancos em aplicações no próprio FED, o crédito não deslanchou, as empresas não investiram dada a insegurança sobre o comportamento do consumo.

A “farra” foi do mercado financeiro, e, certamente o resultado de um novo “quantitative easing” não tende a ser diferente.

De positivo, a decisão das autoridades americanas de novas medidas para ajudar os devedores imobiliários em dificuldades de renegociar seus empréstimos.

Um “QE” novo só servirá para postergar os problemas presentes, evitar um ajuste abrupto do preço dos ativos muito alavancados e que poderia ter repercussões drásticas com grandes perdas, muito provável num ambiente em que há um viés recessivo tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. É dar oxigênio ao “moribundo”, com a certeza de que não o salvará, mas protelará a eclosão do problema maior.

Portanto, nos parece que é preciso pontificar a sensatez para não entrar na euforia, absolutamente descabida.

Hoje as bolsas europeias e americanas já devolvem os excessos de ontem.

Ganha manchete hoje também o fato da OMC ter anunciado que debaterá a problemática do câmbio e o comércio exterior, a pedido do Brasil. Parece-nos tão somente uma atitude para demonstrar que não está insensível a respeito do tema, mas a possibilidade de qualquer alteração, no nosso entender, é praticamente zero.

O problema é câmbio x juros = maior ou menor competitividade ou câmbio administrado manipulado para aumentar competitividade. Esta é a problemática que envolve moedas conversíveis, que repercutem com grande intensidade nas suas paridades. As demais moedas que orbitam no entorno destas moedas conversíveis acabam perdendo ou aumentando competitividade.

O Brasil tem sido enfático na crítica do que denomina “guerra cambial”, mas temos “telhado de vidro” para entrar nesta discussão.

Provavelmente, não temos uma boa resposta ao mercado internacional sobre as razões que nos levam a praticar taxa de juro tão elevada, sendo um país com risco baixo e situação fiscal medianamente equilibrada, que nos valeu o reconhecimento de “investment grade”.

Por outro lado, notoriamente, ao longo do governo Lula e um período curto deste governo Dilma, o governo utilizou estratégias incentivadas no mercado de derivativos, nas posições “vendidas” dos bancos no mercado de câmbio à vista, etc. visando a apreciação do real e com isto, fazendo a nossa moeda coadjuvante ao juro ou até principal em algumas oportunidades na contenção da inflação. Com isto, praticamos a “eutanásia” no nosso comércio exterior de produtos industriais não agrícolas, fato que nos transformou em exportador potencial de insumos.

Esta será uma discussão em que, ao apontarmos o nosso “indicador” para os que supostamente praticam o que o governo gosta de chamar de “guerra cambial”, estaremos apontando os demais dedos para nós mesmos.

Neste jogo, os interesses individuais são tão relevantes, que é muito difícil o convencimento de todos, por isso o Acordo de Bretton Woods foi abandonado pelo próprio Estados Unidos na década de 70, e, hoje, é praticamente impossível pela grandeza das economias e sua globalização colocar-se aquela disciplina.

O que resta e que poderia ser colocado é que para que haja o reconhecimento de “economia de mercado” de um país, ele obrigatoriamente deve praticar o câmbio flutuante.

A dificuldade de colocação de papéis brasileiros denominados em real no exterior, dada à volatilidade, é uma evidência clara daquilo que temos falado ao longo do tempo, o real não é uma moeda para reserva de valor.

    
Predomina neste momento grande “curiosidade” sobre o texto da ATA do COPOM da última reunião, que será divulgada na próxima quinta-feira, para que se tenha a percepção do BC a respeito da desaceleração da nossa atividade econômica. Caso fique evidente que o ritmo é maior do que a percepção da autoridade, será possível prever-se cortes mais intensos nas próximas reuniões, para que a taxa feche 2011 em 10,0%. O mercado financeiro já vem sinalizando que a inflação perde força e poderá ficar dentro do limite alto da meta este ano.

No mercado de câmbio presenciamos a predominância do fluxo cambial na formação do preço da moeda americana, por isso volátil, sendo baixa a influência externa de forma direta, visto que o mercado de derivativos está “travado” pela imposição do IOF.

Há um viés de queda abaixo de R$ 1,75, porém toda vez que isto ocorre verifica-se que há uma demanda reprimida que se faz presente e entra no mercado e pressiona a taxa. Provavelmente o fluxo cambial está muito estreito ou negativo, mas se houver uma melhora, continuamos com a perspectiva que retorne até R$ 1,70.

 

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