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Análise do Mercado – 22/11/2011

O fracasso do Super Comitê, a comissão bipartidária do Congresso americano, para avaliar propostas e viabilização de cortes orçamentários da ordem de US$ 1,2 Tri, ilustra mais uma vez a incapacidade do Congresso atual para tomar…

O fracasso do Super Comitê, a comissão bipartidária do Congresso americano, para avaliar propostas e viabilização de cortes orçamentários da ordem de US$ 1,2 Tri, ilustra mais uma vez a incapacidade do Congresso atual para tomar decisões difíceis para colocar as finanças federais num caminho sustentável no médio prazo, e, deixa evidente que efetivas diretrizes para a superação da crise econômica de forma sustentável só serão possíveis pós-eleição presidencial e, ainda assim, se o partido do novo presidente conquistar maioria em ambas as casas do Congresso.

Para amenizar o ambiente, as agências de classificação de crédito Moody´s e Fitch mantiveram os ratings de crédito dos Estados Unidos, que até foi valorizado visando criar mais uma “onda insustentável” de melhora de humor, com o intuito de estimular a volatilidade, mas que não se firmou.

O dado revisado para pior do PIB americano do terceiro trimestre de 2,5% para 2,0% piorou o humor

Na Europa, volta a ser considerada a colocação, antes descartada, de eurobônus conjunto, chamados de “estabilidade” pela Comissão Europeia, que substituiriam as emissões nacionais de cada um dos países da zona do euro.

A ideia já havia sido posta, mas não havia evoluído ante a forte oposição da Alemanha, que ainda não está convencida. Contudo, a emissão imporia a todos os países a ampla expansão da autoridade de Bruxelas sobre os orçamentos nacionais, o que seria uma intervenção direta na gestão da política fiscal total da eurozona, o que pode encontrar resistências.

O fato é que desde o Tratado da União Europeia, chamado de Maastricht, em 1992 até o denominado Tratado de Amsterdam em 1997, e os tempos mais recentes, houve um profundo desrespeito aos princípios definidos para a política fiscal dos seus integrantes, quais sejam, déficit fiscal máximo de 3% e endividamento não superior a 60% do PIB.

Houve um quase absoluto descumprimento dos pilares estabelecidos e, com isto, quando finalmente verificada a situação da grande maioria dos países o caos estava instalado.

Hoje tudo teria que ser rediscutido e realinhado. As paridades cambiais das moedas nacionais em relação ao euro estão absolutamente distorcidas face a fragilização de muitos e fortalecimento de poucos.

Este cenário faz com que nem os fracos e nem os fortes desejem o fim do euro, pois as moedas dos fracos sofreriam forte desvalorização e dos fortes forte valorização. Todos perderiam e muito.

Por isso, a Alemanha pode resistir a uma solução conjunta já que é a que responde pela parte maior, mas certamente não tem interesse nenhum no fim do euro, pois a valorização de sua moeda teria forte impacto negativo na sua atividade econômica.

Quanto mais se avaliam os problemas da Europa e da eurozona mais evidente fica a sua complexidade, e, não se vislumbra solução que não seja de longo prazo para que o desastre não seja coletivo.

A rigor, a situação ruim dos Estados Unidos é consideravelmente menos ruim que da Europa, já que os Estados Unidos é um país forte e único e superado os impasses políticos pode encontrar mais rapidamente as diretrizes para sair da crise, enquanto que a União Europeia é um conjunto de países com culturas diferentes e com problemas díspares, o que torna altamente complexa a definição de regras únicas, a  menos que passe por todo um processo de realinhamento das bases de sua criação, o que pode não interessar a nenhum deles.

Com este cenário e mais o Japão “patinando” desde muito, a crise internacional deve alongar-se e a recuperação só será possível com gradualismo.

Com este tripé que responde por algo como 2/3 da economia mundial passando por momento crítico, não é razoável imaginar-se que os países emergentes, a partir do carro-chefe China, não sintam os efeitos, até porque a China ainda tem um consumo interno fraco para a sua dimensão.

O mundo global certamente tende a crescer menos e poderão ter ocorrências de recessão econômica em algumas regiões.

O Brasil precisa repensar rapidamente incentivos fortes à indústria no sentido de torná-la competitiva no mercado externo, para que forte possa responder a demanda interna e recuperar atividade com as exportações, sendo geradora de empregos e renda, e, naturalmente, de divisas.

As “commodities”, base destacada das nossas exportações, tendem a ter seus preços depreciados, e, há dois fatores para serem observados, se a valorização da taxa cambial será compensatória e o reflexo dos impactos desta nos preços dos insumos importados para as “commodities” agrícolas.

Na nossa visão a inflação sofrerá impactos que a farão convergir para as metas consequentes deste contexto global, o que permitirá que o COPOM possa reduzir substantivamente a taxa SELIC, o que, além de todos os reflexos positivos, proporcionará relevante economia ao Tesouro Nacional.

Fluxos cambiais tendem a ser menos benignos para o país, o que promoverá ajustes na taxa cambial, e que podem ampliar o mercado interno para a indústria nacional em detrimento dos bens e insumos importados que fomentam a desindustrialização.

Mas o país neste quesito está bem. Construiu, a despeito do custo de carregamento, nível adequado de reservas cambiais.

Acreditamos, contudo, que haverá necessidade de revisão nas projeções hoje disponíveis para o

ano de 2012.

O BC tem se mostrado à frente do mercado financeiro em seus diagnósticos prospectivos, e, poderá até surpreender na próxima reunião do COPOM indo além de um corte de 0,5%, embora tenha sinalizado moderação, mas ocorre que o contexto externo só tem acrescentado piora desde a última reunião.

Os sinais recentes vêm confirmando a tendência de queda dos indicadores inflacionários.

No mercado de câmbio, a taxa no entorno de R$ 1,80 tem tudo para ficar ou ir até um pouco além até o final do ano, já repercutindo este cenário prospectivo, e até o dia 15 de dezembro deverá ocorrer um aumento da demanda, com probabilidade do fluxo cambial ficar negativo.

 

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