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Análise do Mercado – 21/07/2011

Ao observar os números dos mercados financeiros nos mais diversos e importantes centros podemos cometer o equívoco de considerar que tudo está bem no cenário global…

Ao observar os números dos mercados financeiros nos mais diversos e importantes centros podemos cometer o equívoco de considerar que tudo está bem no cenário global.

Fundamento para tanto? A “esperança” , simplesmente ela, a “esperança”!

Assim ocorre em relação ao impasse presente no Congresso americano sobre a elevação do teto de endividamento do país, que precisa de uma solução até o dia 2 de agosto próximo, sendo desnecessário enumerar aqui as consequências desastrosas na economia mundial se o governo americano for conduzido a uma situação de perda de liquidez, o que poderia atingir não somente o federal, mas inúmeros estados americanos de grande expressão.

Todos, inclusive nós mesmos, entendemos que haverá uma solução intermediária que acomode a situação, mas afinal só acomodará o risco do desastre, mas não viabilizará a recuperação imediata do emprego e da renda, da atividade econômica americana.

Assim ocorre também em relação à crise na euro-zona que envolve muitos países e suas economias, mas que tem, por enquanto, no epicentro a Grécia, pequena economia que precisa ser tratada com todo cuidado para não se tornar um grande problema para as grandes economias. Se não resgatarem a Grécia, certamente as demais economias da região com problemas fiscais entrarão na roda, e até algumas “ilustres” economias também farão parte, não somente as periféricas. Hoje está ocorrendo reunião dos lideres da comunidade em Bruxelas, Bélgica, buscando construir uma solução para o caos, um “apagar o incêndio” mas que não terá a força de impulsionar para a viabilização o drama fiscal da Grécia e a sua recuperação sustentável, sem que outros percalços venham a ocorrer. A doença lá parece crônica, então a recomendação para a questão é uma velha tirada do Ministro Delfim “dívida é para ser administrada e não paga”!

Enfim, tudo se ajusta para o “melhor dos mundos” nos mercados financeiros, mas, na realidade, ninguém sabe o “por que?”, visto que não há fundamentos críveis, mas sim, tão somente a “esperança”, e isto é pouco para tanta euforia.

E, por aqui no Brasil, tivemos a decisão do COPOM dentro do consenso do mercado, elevando a taxa SELIC em 0,25% passando-a para 12,50%, mas com um comunicado pós-reunião sem alinhar expectativas, ficando portanto livre qualquer tipo de ilação sobre o futuro, e certamente teremos inúmeras e diversificadas.

O fluxo cambial divulgado ontem tabulando dados até 15, provavelmente efetivo 13 considerando que o critério D+2 é prevalecente, apresentou um inesperado saldo positivo de US$. 10,1 Bi, composto por US$ 3,244 Bi comercial e US$ 6,88 Bi financeiro, inflado por uma inusitada entrada de US$ 7,8 Bi financeira no dia 11, sobre a qual teceremos comentário a seguir, e que “ninguém viu” no mercado, entendida pelos agentes no mercado como uma operação direta.

Curioso e intrigante é o fato da operação desta dimensão estar tabulada no dia 11, provavelmente realizada no dia 8 ou 9, caso tenha sido liquidada D+2 ou D+1, e portanto, já absolutamente conhecida pelo BC no momento em que baixou o normativo determinando a redução do limite das posições “vendidas” dos bancos de US$ 3,0 Bi para US$ 1,0 Bi, e não se pode descartar que tenha ocorrido até com certo direcionamento para que os enquadramentos ocorressem ser maiores repercussões no mercado.

Isto explica porque o comportamento do mercado foi absolutamente tranquilo na semana do enquadramento, pois já devia ter ocorrido quando o normativo foi baixado.

Mas agora o mercado, desde a mudança do cálculo da PTax e da redução das posições “vendidas”, parece estar observando o cenário interno e global, já que as posições “vendidas” no mercado físico caíram a US$ 7,0 Bi e as posições “compradas” dos bancos e “vendidas” dos “hedge funds” no derivativos tem mantido relativa estabilidade, preservando montantes elevados.

Esta calmaria e observação do desenrolar externo e suas repercussões e do comportamento do nosso mercado, com os normativos vigentes a partir deste mês, pode ser rompida se a apreciação do real continuar retornando como está ocorrendo, pois pode atingir parâmetro não desejável pelo governo, e provocar que as medidas pré-anunciados pelo Ministro Mantega se tornem efetivas.

 

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