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Análise do Mercado – 19/08/2011

Ainda bem que é sexta-feira, o mundo global, exceto Israel, terá 2 dias para reoxigenar-se do cenário desalentador presente em todos os segmentos do mercado financeiro, exceto o ouro que sustenta alta como opção de segurança para reserva…

Ainda bem que é sexta-feira, o mundo global, exceto Israel, terá 2 dias para reoxigenar-se do cenário desalentador presente em todos os segmentos do mercado financeiro, exceto o ouro que sustenta alta como opção de segurança para reserva de valor, e, os T-Bills que, a despeito do quadro preocupante da economia americana, ainda é outro ativo para onde se deslocam os recursos dos investidores no processo do “fly to quality”.

Mas, a rigor, não há neste momento sinais de que a segunda-feira não será tão desastrosa quanto foi ontem e quanto será hoje, com um “sell-off” consistente nas bolsas de valores de todo mundo, mantendo o preço do ouro em alta e os T-Bills com grande demanda, o que determina expressiva queda de rentabilidade.

Hoje teremos mais do mesmo de ontem, afinal consolida-se a percepção de que a recessão nos países tidos como desenvolvidos, Estados Unidos e Europa, é inevitável, já que a atividade econômica nos mesmos está quase parando e tendente a entrar no negativo, que, contudo, tecnicamente terá que repetir-se por 3 trimestres para que seja considerada efetiva recessão.

Mas não é só isto, crescem as desconfianças e as observações cautelosas generalizadas se acentuam. Americanos olham europeus e europeus olham os americanos, e o mundo todo olha ambos.

Ken Goldstein, economista do Conference Board, em entrevista à Agência Estado emitiu uma série de considerações, com um viés pró-Estados Unidos, para ao final cair no lugar comum da discussão sobre quem está pior. Apontou que os Estados Unidos têm uma possibilidade de 33% de entrar em recessão, enquanto a Europa 50%. Naturalmente, são dados empíricos, muito embora, haja a percepção de que a situação da Europa e de sua zona do euro sejam mais críticas e complexas.

O que ninguém sabe é o caminho para a saída, a ação prospectiva possível de viabilizar a reversão do “status quo”, mas o pouco que pode ser vislumbrado aponta como inevitável a recessão.

Mas, na realidade se houver uma quebra de uma instituição financeira de porte, ambos e alguns mais terão suas situações agravadas, pois as repercussões provocarão o efeito “dominó” e o contágio será generalizado, travando o crédito, com destaque para o interbancário.

O BCE vazou que na quarta-feira emprestou US$ 500,0 M para socorrer uma instituição financeira, emergencialmente por 7 dias, o que não ocorria desde fevereiro. O Banco Nacional da Suíça recorreu a linha se swap estabelecida pelo FED realizando uma operação de US$ 200,0 M, também por 7 dias. Os Estados Unidos estão monitorando os bancos europeus, numa ação de vigilância para averiguação se não estariam se financiando no mercado americano.

Não há certezas, cada dia mais florescem as incertezas e, por isto, aumentam muito as expectativas sobre o Simpósio de Jackson Hole que ocorrerá na próxima semana, onde serão discutidas ideias para contornar a crise. Neste fórum, espera-se que Ben Bernanke, Presidente do FED, ventile ideias para um próximo pacote de medidas para a economia americana, num conjunto que poderia constituir-se no tão esperado “QE3”.

O índice de atividade industrial do FED da Filadélfia caiu para -30,7 em agosto, nível só visto em períodos de recessão.

As bolsas americanas sinalizam na abertura tendência de queda, mas podem ser menos intensas do que ontem e até apresentar volatilidade com probabilidade de alguma reversão, mas os fundamentos para este comportamento são frágeis e podem ser justificados pela diminuição do ambiente de pânico.

Os T-Bills, após forte valorização, sinalizam estabilização com o rendimento dos títulos de 10 anos ficando no entorno de 2,08%. O Euro frente ao dólar revela comportamento volátil no entorno de US$ 1,44 por euro. Petróleo continua em queda e o ouro sustenta forte alta.

É ilusório imaginar que os países emergentes não sofrerão reflexos da crise nas economias desenvolvidas.

É algo inevitável, o mundo global não permite mais que algum país seja uma “ilha”.

Menor volume de exportações de “commodities” agrícolas e metálicas e a preços em queda, poderão impactar na balança comercial brasileira, que já não pode contar neste ambiente com um movimento recuperatório da exportação de produtos industriais não agrícolas, praticamente sem condições neste momento.

Pressão de oferta de produtos para importação que cada vez mais se tornarão competitivos.

Queda nos IED´s e aceleração nas remessas de dividendos, lucros e juros s/capitais, podendo alterar as projeções para o déficit de transações correntes do ano.

Queda na oferta de crédito do mercado externo, com consequente encarecimento.

Recuo nos investimentos estrangeiros de risco e renda variável, com acentuado movimento de saída, já que a preferência passa ser a liquidez de caixa e os investimentos de maior segurança.

A curva do mercado de juro nos últimos dias demonstrou uma excessiva reversão indicando possibilidade de cortes fortes na SELIC, o que é improvável que ocorra de imediato, sendo mais razoável considerar-se a paralização das elevações.

O IPCA-15 de agosto apontou forte 0,27% após registrar 0,10% em julho, segundo o IBGE. No ano atinge 4,48% e em 12 meses acumula 7,10%. De toda forma está em linha com a projeção para o IPCA de agosto captada pelo Boletim FOCUS.

Mas, face à mudança radical do cenário externo, este dado perde um pouco de sua relevância ao tonar-se tardio.

No mercado de câmbio, repetindo o que já temos afirmado, acreditamos que o preço de equilíbrio do dólar descontaminado de especulações seja R$ 1,60. Não há razões para especular pró-real por não ser moeda de reserva de valor e nem contra, pois está bem defendido por reservas cambiais de US$ 350,0 Bi e uma situação fiscal relativamente adequada.

Temos especial atenção com a proximidade do final do mês, já que os “hedge funds” continuam “prisioneiros” de sua posição líquida vendida no mercado de derivativos, cupom cambial-DDI, de US$ 14,6 Bi, já que a liquidez é baixíssima. Esta aposta foca elevação de juros e queda do preço do dólar.

O cenário sugere exatamente o contrário, e a liquidez esta em poder dos bancos, que estão comprados em US$ 10,4 Bi, e atualmente tem posição vendida no mercado físico à vista bastante reduzida.

Como temos ressaltado, o governo tem meios de superar os efeitos da crise focando o mercado consumidor interno, a exemplo do que ocorreu em 2008/2009, porém nos parece que o cenário seja um pouco menos favorável neste momento, face ao endividamento da população e também que grande parte da demanda reprimida ter sido satisfeita.

 

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