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Análise do Mercado – 16/02/2011

Incertezas pesam sobre a formação de perspectivas que possam sugerir tendências críveis para a economia brasileira neste 2011. Tudo indica que é necessário um choque de realismo mais acentuado para as projeções acerca do comportamento da…

Incertezas pesam sobre a formação de perspectivas que possam sugerir tendências críveis para a economia brasileira neste 2011.

Tudo indica que é necessário um choque de realismo mais acentuado para as projeções acerca do comportamento da economia; das pressões inflacionárias presentes; da efetividade dos instrumentos e ações sugeridas pelo governo; do rigor fiscal; etc.

Os sinais iniciais de mudança de humor vêm surgindo de revisões das projeções para o crescimento do PIB, fomentadas por indícios de que a indústria desacelera mais forte do que o esperado e que as pressões inflacionárias exigirão medidas adicionais mais rigorosas por parte dos gestores do governo, especialmente focando o crédito e o consumo interno.

O ajuste fiscal anunciado pelo governo ainda não adquiriu credibilidade por parte do mercado. Há muitas dúvidas sobre a efetividade dos cortes ou se ocorrerão compensações de receitas excluídas com despesas excluídas, e, ainda pelo fato do governo prever um aumento de receitas muito acima do crescimento projetado para o PIB, o que pode não se concretizar e ser menor até do que as despesas, deixando na ponta a suspeição de eventual aumento da carga tributária, sob risco de não atingir o superávit primário.

Ocorrem muitos ruídos na negociação do novo salário mínimo, algo já negociado anteriormente, e nas discussões se coloca o condicionante de reajustar ou não tabela do IR, que não são temas correlatos sendo o reajuste algo absolutamente lógico, caso contrário corresponderá a um aumento de tributo. E, para finalizar, já se ouve de membros do governo que se o salário mínimo for aprovado em R$ 545,00, poderá ocorrer corte da SELIC ao final do ano. Sic!!

Para viabilizar a superação dos problemas que não criou, mas que assumiu sabendo, o novo governo precisará utilizar “mão forte” cortando benesses diretas e endurecendo mais ainda as medidas prudenciais visando a contração do crédito e do consumo.

Sabidamente, a potencialização da janela para o comércio exterior exportador manufatureiro seria o contraponto à retração do consumo interno que foi o “carro chefe” do crescimento recente do PIB, mas existem fatores em oposição, quais seja o dólar depreciado combinado com o elevado custo Brasil e a forte concorrência externa, já que todos os países precisam vender mais e comprar menos.

Porém, para a questão cambial não há magias possíveis e não é fácil depreciar o real dado à atratividade que o país desperta com os seus extraordinários juros ofertados e que também o conduziu a 2ª moeda, a nível mundial, do mercado especulativo de derivativos.

No nosso entendimento, neste momento e com as pressões inflacionárias presentes, nos parece que o governo está priorizando a manutenção do real apreciado como antídoto complementar ao enfrentamento da inflação. É verdade, também, que, a rigor, o governo não tem instrumentos que possam depreciar o real, mas com a utilização do seu “arsenal” está conseguindo manter o preço da moeda estável, ou seja, evitando maior apreciação do real, evitando críticas e mantendo o preço de R$ 1,67 ainda bastante contributivo para o controle da inflação.

Provavelmente, dado um fluxo cambial não tão benigno como ainda vem sendo projetado para fazer face ao déficit em transações correntes tendente a crescimento, o próprio mercado possa realizar o que a autoridade monetária não está conseguindo e, em razão de sua condição flutuante, então flutuar elevando gradualmente o preço da moeda americana, por conta das circunstâncias e não pelas interferências do BC. E, se o rigor fiscal não der evidência de eficácia, poderá ser um elemento a mais a contribuir com a depreciação do real.

Inflação e perspectiva de desvalorização da moeda local podem ser determinantes de perda de atratividade da BOVESPA, já afetada pelas projeções de um PIB menor e consumo interno em desaquecimento.

Por enquanto, parece absolutamente tranquilo que o preço da moeda americana ficará no entorno de R$ 1,67, a despeito de todo tipo de intervenção do BC no mercado de câmbio físico.

 

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