Câmbio News

Análise do Mercado – 16/01/2013

Hoje o COPOM anuncia a decisão acerca da taxa SELIC e não se espera novidade. A taxa será mantida, o governo, certamente, reafirmará sua convicção que a inflação tende à convergência à meta, enquanto o mercado financeiro, cético, demonstrará que tem visão totalmente oposta, vendo a inflação mais pressionada do que as projeções iniciais, acreditando mesmo que atingiria 6,5% nos últimos 12 meses, caso não ocorra o deslocamento negociado de elevações de preços pontuais para esta época para meados do ano.

A inflação tornou-se a preocupação maior do cenário macroeconômico brasileiro logo ao início do ano e, com pouco espaço de manobra para esta desagradável surpresa, resta ao governo utilizar-se do preço do dólar como instrumento básico e principal para tentar conter as pressões altistas presentes.

Evidentemente que o governo pode adotar medidas macro prudenciais a qualquer tempo, mas, em regra, tenderiam a impactar no consumo, que é, neste momento, ainda a grande aposta para que a economia mantenha ritmo e contribua para o crescimento do PIB.

O mercado parece não acreditar nesta possibilidade de medidas prudenciais de imediato, tanto é que, embora sendo consenso que o governo pretende manter a taxa SELIC de 7,25% ao longo do ano, reagiu elevando as taxas de juros na BMF&Bovespa como resposta ao sinal de melhora de vendas no varejo em novembro em relação a outubro da ordem de 0,3%.

Neste início de ano surgiram, também, duvidas sobre a sustentabilidade do fornecimento de energia pela capacidade instalada no país, adicionando-se então o risco de insuficiência e ocorrência de apagões.

Desta forma, bastaram tão somente 15 dias deste ano de 2013 para que ocorra uma reversão de expectativas bastante perceptível.

O Brasil com perspectiva de crescimento entre 4,0% a 4,5% parece ter ficado distante precocemente, a realidade agora esta entre 2,5% a 3,2%.

A propensão ao investimento por parte da indústria nacional, segundo a CNI, é a menor em quatro anos. Isto compromete as projeções de crescimento da produção industrial no entorno de 3,5% neste ano de 2013.

Com a estratégia possível e imediata é de contenção das pressões inflacionárias envolvendo a apreciação do real, o processo de desindustrialização poderá ser retomado com maior ritmo, aumentando-se as importações de insumos e bens finais.

Enquanto na outra ponta, a das exportações, a tendência é de uma fragilização maior. A nossa balança comercial nas duas primeiras semanas revelou saldo negativo.

E este é um cenário que pode sofrer agravamento, pois se a economia global não reagir novos planos de incentivos às suas economias serão implementados pelos países desenvolvidos, e isto exigirá que o BC administre a taxa cambial num piso acima para defender a indústria nacional, mas, em contrapartida, isto teria impactos inflacionários.
 
O grande desafio para o país recompor seu ritmo de crescimento é a elevação expressiva do investimento, com consequente aumento da competitividade. Ao que tudo não será em 2013 que este objetivo será alcançado nos padrões necessários e, portanto, o risco é de “patinarmos a exemplo do que aconteceu em 2012”.

Este contexto complexo poderá inibir o fluxo de IED´s para o país, hoje há economias concorrentes em oportunidades com potencial para receber investimentos estrangeiros que poderiam vir para o Brasil.

Da mesma forma, já não somos tão atraentes para investimentos em renda fixa e/ou variável. A inflação aquecida e uma taxa de juro SELIC baixa geram na ponta uma taxa de juro real muitíssimo baixa.

O grau de atratividade do Brasil já era cadente, e, com um contexto muito complexo ao inicio do ano pode contribuir ainda mais para este sentimento pouco favorável dos investidores estrangeiros.

O índice de Atividade Econômica do BC, IBC-Br, divulgado pelo BC trouxe um bom numero. Novembro comparado com outubro cresceu 0,4%. A comparação anual com o mesmo mês indica crescimento de 2,67% e em 12 meses acumula alta de 1,32%.

Estes números criam efetiva perspectiva de que o Brasil possa ter crescido acima de 1% em 2012, o que não é muito em relação ao que se esperava pouco abaixo de 1%, mas se confirmado será positivo psicologicamente.

O Banco Mundial estima que o Brasil cresceu 0,9% em 2012; o Boletim FOCUS abaixo de 1% e o BC em dezembro estimou 1,0%.

Ao observar-se o cenário externo constata-se que 2013 será um ano complexo e com muitas incertezas, sendo temerário fazer projeções otimistas.

Enquanto no Brasil, vemos uma pressão inflacionária muito forte e de difícil contenção, afora existir fatores pontuais que precisarão ter os preços alinhados com a realidade e que exercerão ainda maior pressão, e, o espaço de manobra está bastante estreito.

Por isso, temos salientado que este cenário de taxa cambial administrada “calmo” como instrumento de contenção inflacionária pode ser enganoso, pois tudo indica que o fluxo cambial será pouco favorável para o Brasil este ano e este fato gerará pressões altistas que tornarão imprescindíveis intervenções mais continuas do BC no mercado.

Este 1º trimestre é fundamental para que ocorra uma melhora do fluxo cambial, consequente, principalmente, das reversões normativas nos Empréstimos Externos e nos Pagamentos Antecipados a Exportações. Caso não se confirme teremos pressão da demanda, a partir das operações conjugadas vincendas realizadas pelo BC com os bancos.

 


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO

 

Compartilhar :
plugins premium WordPress