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Análise do Mercado – 10/02/2011

Ruim sem ele (o corte orçamentário) ou pior com ele por desapontar as expectativas? A especificação será muito importante para sancionar a conclusão que será maturada a respeito do anúncio do corte dos gastos públicos este ano no…

Ruim sem ele (o corte orçamentário) ou pior com ele por desapontar as expectativas?

A especificação será muito importante para sancionar a conclusão que será maturada a respeito do anúncio do corte dos gastos públicos este ano no orçamento aprovado pelo Congresso.

Antes havia a ansiedade fomentando expectativas, agora, incertezas se haverá corte efetivo ou estaremos “cortando fumaça”, até porque nem foi especificado exatamente como será formado este montante de R$ 50,0 Bi.

Os congressistas haviam inflado o orçamento em R$ 25,0 Bi para acomodar suas emendas, que naturalmente serão afetadas. Cortando-se o excesso cometido pelos mesmos haverá redução da receita total prevista. Cortando-se as despesas de emendas que foram “casadas” com as receitas infladas, haverá redução da despesa total prevista. Além disto, há no orçamento muitas rubricas que podem ser desprezadas, por serem, na realidade, ações de rotina envolvidas em outras, e que nem deveriam estar contidas explicitamente na peça orçamentária.

A especificação deverá ocorrer na próxima semana, sendo um instrumento de pressão do governo sobre o Congresso na disputa envolvendo a aprovação do salário mínimo de R$ 545,00. É fundamental que construa uma visão pró-credibilidade da intenção.

O governo deixou então o orçamento de 2011, após os cortes, com receita líquida prevista de R$ 801,7 Bi, elevação de 13,8% em relação aos R$ 704,3 Bi de 2010 (não incluída a mágica de R$ 74,8 Bi com a Petrobrás), num ambiente em que se projeta um crescimento do PIB em torno de 4,5% a 5,0%, na melhor. Na ponta da despesa total 2011 ficou com R$ 719,9 Bi ante R$ 700,1 Bi em 2010, elevação de 2,8%.

É muito importante que o mercado financeiro forme consenso positivo acerca do corte orçamentário que, juntamente com medidas macro-prudenciais que são esperadas, poderão ser incrementadas visando conter ainda mais o crédito e mais, por inevitável, elevações da taxa SELIC, possam consolidar uma projeção mais amena da inflação, que neste momento já atinge ponto preocupante.

Há, também, sinais mais incisivos de aumento da inadimplência, que é um dado preocupante.

Sabidamente o fardo que este governo recebeu é extremamente pesado e requisitará muito esforço e reformulação forte para colocar “a casa em ordem”, porém, há fortes constrangimentos para que isto seja admitido publicamente.

No mercado de câmbio o fluxo cambial líquido de US$ 15,513 Bi em janeiro mereceu considerações eufóricas, mas grande parte foi decorrente de captações externas por empresas/bancos e não de investidores para a BOVESPA ou mesmo para aplicações em renda fixa. Portanto, foi algo pontual e que não pode ser considerado como tendência.

Destes US$ 15,513 Bi o BC retirou para as reservas cambiais brasileiras US$ 7,992 Bi, e os bancos fecharam o mês com o total de posições “vendidas” de US$ 11,017 Bi. Os exportadores fecharam o mês com um estoque de US$ 24,886 Bi exportados e não ingressados no país. Por outro lado, os importadores têm um estoque de US$ 3,583 Bi de importações em aberto. Há, portanto, um saldo líquido de US$ 21,303 Bi a realizar pelo mercado de câmbio físico.

Fevereiro, em sua semana inicial, evidencia quadro inverso ao de janeiro, registrando na 1ª semana um fluxo cambial positivo de tão somente US$ 39,0 MM, enquanto o BC já retirou US$ 2,836 Bi com seus leilões de compra, o que reconduziu o total de posições “vendidas” dos bancos à proximidade de US$ 14,0 Bi.

A despeito das ações do BC mantendo os leilões de compra à vista no mercado de câmbio físico; ter introduzido os leilões de compra a termo e a utilização dos “swaps cambiais reversos”, não nos parece evidente que deseje depreciar o real, mas sim, estabilizá-lo no entorno de R$ 1,67.

Fortalece esta percepção até o fato de não atuar com leilões de compra a termo, na concomitância da ocorrência de vencimentos destas operações, o que estimula os bancos a apreciarem pontualmente o real nestas oportunidades,e, também, estar promovendo o aumento do estoque em poder do mercado dos “swaps cambiais reversos” que, satisfeitos seus efeitos imediatos sobre o mercado de cupom cambial, preservam o forte potencial de estimular movimentos especulativos de apreciação do real.

Acreditamos que o atual estado de pressão inflacionária presente, ainda não permita ao governo renunciar a contribuição do dólar depreciado como elemento contributivo à ação de contenção da inflação.

Desta forma, todo o “arsenal” que vem sendo usado visa estabilizar e não a depreciar o real, pelo menos neste momento.

 

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