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Análise do Mercado – 09/06/2011

Nada de novo no sentido positivo na cena global dos mercados financeiros que suscite mudança de comportamento, tornando, em princípio, seu pessimismo sustentável, embora possa revelar-se volátil. Nada de novo no sentido positivo na…

Nada de novo no sentido positivo na cena global dos mercados financeiros que suscite mudança de comportamento, tornando, em princípio, seu pessimismo sustentável, embora possa revelar-se volátil.

Nos Estados Unidos, a divulgação do denominado Livro Bege não trouxe nenhum alento, mas simplesmente confirmou, numa análise macro, o que os números micros vêm evidenciando com extrema clareza. Reafirma, em linha com os discursos de Ben Bernanke, Presidente do FED, que a atividade econômica continua crescendo de forma lenta, o que pode não ser uma visão muito rigorosa, mas já faz uma ressalva relevante ao apontar que tem sido observada desaceleração em quatro das doze regiões avaliadas, que pode ser um indicativo primário de uma tendência em perspectiva.

No mercado futuro as bolsas sinalizam uma discreta perspectiva de alta, mas que pode sucumbir a um dado menos otimista sobre os pedidos de seguro desemprego, que serão divulgados hoje pela manhã. As projeções é que se elevem a 423.000 novos pedidos. Na realidade não há fatos que sugiram movimento de alta, porém quedas sucessivas acabam tornando certos papéis atraentes e acabam incrementando o giro.

Os T-Bills de 10 anos sustentam rentabilidade reduzida a 2,94% aa, evidenciando que há pressão de demanda provocando a valorização dos papéis. O petróleo sinalizava preço de US$ 101,55 o barril na Nymex, alta de 0,80% e o Euro estava cotado a US$ 1,4616, após a fala de Trichet passou a ser cotado fortalecendo o dólar a US$ 1,4540.

Na Europa, o cenário de dúvidas e incertezas continua predominando, porém uma sugestão colocada pelo Ministro das Finanças da Alemanha pode criar “ruídos” perturbadores. Wolfgang Schäuble defendeu que os credores privados arquem com uma parte do ônus da nova assistência financeira à Grécia. Essa seria uma condição para qualquer acordo visando impedir que o país em crise decrete uma moratória sobre suas dívidas. A proposta do ministro alemão, no entanto, como destaca a Associated Press, não está longe de ser um calote, embora seja classificada como mudança de perfil da dívida. A alternativa desperta forte oposição do BCE (Banco Central Europeu), que alega possibilidade de tumulto no sistema financeiro.

Naturalmente, que se esta proposta vier a ser aceita atingirá também bancos americanos, exatamente no momento em que o “QE2” está sendo finalizado e sendo retirado do mercado US$ 600,0 Bi.

Este fato novo poderá provocar repercussões, visto que a Alemanha tem uma posição muito forte na Comunidade Europeia e, certamente, quer tirar os bancos credores da zona de conforto, decorrente dos governos suportarem os socorros financeiros isoladamente.

O BCE, em reunião hoje, manteve a taxa de juro em 1,25% aa, com o Presidente Trichet reafirmando a possibilidade de elevação do juro na próxima reunião devido pressões inflacionárias e também a posição contrária do BCE à proposta da Alemanha para equacionamento da grave crise da Grécia.

O BoE (Banco da Inglaterra), também manteve a taxa de juro em 0,5% aa.

Estes fatos podem repercutir no comportamento do Euro frente ao dólar.

Na Ásia, o Japão confirmou que a sua economia teve retração de 0,9% no 1º trimestre e que o pais esta em recessão.

No Brasil, o COPOM confirmou o consenso predominante no mercado financeiro e elevou a taxa SELIC em 0,25% passando-a a 12,25% aa., em decisão unanime e sinalizando que continua atento no monitoramento sugerindo a ocorrência de nova ou novas altas.

O Brasil continua sendo o líder mundial da taxa de juro real tendo como base a inflação projetada para os próximos 12 meses, situando-se em 6,8%. Seguido pelo Chile, “second by far”, com 1,5%.

A estratégia atual do COPOM é inquestionavelmente mais técnica e, ao utilizar medidas prudenciais que visaram, em primeira instância, conter os excessos então presentes no mercado financeiro advindos do governo anterior e que exerciam pressões inflacionárias mais agudas, deixa evidente que ao utilizar multimecanismos pode ser mais sensato e comedido na utilização da taxa de juro SELIC. Desta forma, evita cometer excessos imediatos e sim monitorar a resultante da ação-reação para, então, adotar medidas corretivas.

Está dando resultados que chegam a surpreender o mercado financeiro, muito atrelado à utilização única da taxa de juro como antídoto às pressões inflacionárias, e os indicadores mais recentes são consistentes ao evidenciar que a curva inflacionária é cadente, respondendo na linha das expectativas.

O IPCA de maio, seguido pelo IPC-S da semana finda dia 7 indicando alta de 0,36% ante antecedente de 0,51% e hoje o IGP-M em sua 1ª leitura de junho revelando deflação de 0,09% ante 0,70% no mesmo período do mês passado, são indicadores presentes que fortalecem a credibilidade nas diretrizes que vem sendo adotadas pelo atual governo.

Os indicadores prospectivos sugerem que as medidas estão no caminho certo ao acentuarem a tendência da convergência à meta de inflação em 2012 e menos aguda em 2011, muito embora existam alguns obstáculos conhecidos no trajeto, em especial no inicio do 3º trimestre.

Como bem observa e salienta o colunista/analista Antônio Machado, em sua coluna de hoje no Cidade Biz:

“A medida anual obesa do IPCA é herança do passado, fruto do laxismo monetário e fiscal no ocaso do governo Lula. O IPCA com a marca da presidente Dilma Rousseff é o que expressa a sua medida mensal”

Mas, inegavelmente, no conjunto estratégico de contenção das pressões inflacionárias, perdura a necessária contribuição do real apreciado, razão pela qual, continuamos com a convicção de que o preço da moeda americana não se afastará muito do preço presente, podendo subir um pouco, discretamente, nas proximidades do final do ano.

Evidentemente, salvo um agravamento externo acentuado com repercussões maiores.

Esta convicção deve ser, também, a dos “hedge funds” que estão confortáveis apostando no real, mantendo uma posição liquida total “vendida” no mercado de derivativos de mais de US$ 20,0 Bi.

 

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