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Análise do Mercado – 04/07/2011

O volume de captação externa no semestre atingiu US$ 30,6 Bi, porém não nos parece justo atribuir a este fato a forte apreciação do real que se verifica neste momento. Uma análise mais detida dos números evidencia que no 1º trimestre…

O volume de captação externa no semestre atingiu US$ 30,6 Bi, porém não nos parece justo atribuir a este fato a forte apreciação do real que se verifica neste momento.

Uma análise mais detida dos números evidencia que no 1º trimestre ocorreu um fluxo cambial financeiro líquido positivo da ordem de US$ 31.3 Bi, sabidamente empréstimos externos especulativos de curto prazo, ingressados para “driblar” as medidas prudenciais do governo visando redução de liquidez e contenção do crédito com o objetivo de atingir as pressões inflacionárias advindas do consumo e que motivaram a elevação do IOF para 6% e extensão de incidência para os empréstimos até 2 anos.

Contudo, no 2º trimestre o fluxo cambial financeiro líquido foi negativo em todos os 3 meses, totalizando US$ 6,6 Bi, portanto, deixando evidente que há uma precipitação ao atribuir-se ao fluxo cambial financeiro a causa da apreciação do real até o extremo de R$ 1,55.

O que viabilizou a manutenção de saldo líquido positivo do fluxo cambial no 2º trimestre foram os saldos positivos comerciais de US 3,3 Bi em abril e US$ 7,2 Bi em maio, que contudo até o último dia 24 não se repetiam em junho, o que determina que o fluxo cambial esteja negativo no mês passado.

Nos meses de abril e maio houve uma melhora de preço da moeda americana repercutindo a queda no fluxo financeiro e que ensejou oportunidade para os exportadores realizarem suas ofertas, respondendo então, pelo fluxo cambial positivo naqueles meses.

Para verificarmos como a tese por si só não se sustenta, tivemos junho repetindo o fluxo cambial financeiro negativo, a exemplo de abril e maio, e, neste mês um fluxo cambial comercial positivo bastante discreto, o que determina que o mês de junho tenha um fluxo negativo total de US$ 2,3 Bi, fora o fato de o BC ter retirado adicionais US$ 2,0 Bi com seus leilões de compra.

Toda a tese assentada sob o fundamento de que é o fluxo que está determinando a apreciação do real não se sustenta, vira retórica viciada de quem não examina os números do fluxo, pois afinal, como explicar que exatamente no mês em que consolida um fluxo negativo o preço da moeda americana sofre a sua maior depreciação?

Ao final de 2010 os bancos estavam “VENDIDOS” em US$ 16,7 Bi; o fluxo cambial total conhecido até 24 de junho foi de US$ 40,7 Bi (comercial e financeiro); o BC retirou com seus leilões de compra diários US$ 37,9 Bi e os bancos estão “VENDIDOS” em torno de US$ 14,0 Bi.

Como se verifica o que permaneceu no mercado foram pouco menos de US$ 3,0 Bi no 1º semestre, volume não expressivo em termos de impacto de oferta, e, além disto a forte apreciação do real ocorre no mês de junho que registrava fluxo cambial negativo.

Então, constata-se que a retórica do fluxo cambial ser responsável pela apreciação do real é infundada, representa mais um “sentimento” sem aferição da realidade, sendo o formador da taxa o mercado de derivativos.

No mercado de derivativos, data base 1º de julho, temos os “hedge funds” fortemente posicionados líquidos “VENDIDOS” em US$ 23,5 Bi, sendo US$ 19,6 Bi em “cupom cambial-DDI” e US$ 3,9 Bi em “dólar futuro” especulando a favor do real; enquanto os bancos estão posicionados líquidos “COMPRADOS” em US$ 15,3 Bi, sendo US$ 15,2 Bi em “cupom cambial-DDI” e US$ 0,15 Bi em “dólar futuro”, porém mantendo no mercado de câmbio físico posição liquida “VENDIDA” de US$ 14,0 Bi, o que resulta num posicionamento cautelar sem apostas.

Os “hedge funds”, os estrangeiros, continuam com a visão de que é possível apreciar mais o real, mas com a melhora do cenário econômico americano, que espera-se seja fortalecido também por indicativos positivos no emprego, e do Japão; tendência de alta de juro na Europa; mudança da sistemática de calculo da PTax que reduz a liberdade para manipulação por parte dos “players”; queda no fluxo de recursos para a BOVESPA, etc. nos parece não recomendável apostar tão forte a favor do real.

A BOVESPA registrou fluxo negativo de estrangeiros no montante de R$ 344,0 MM em junho, quando apresentou queda de 3,43%. Os estrangeiros representam pelos dados de junho 34,74% dos investidores na BOVESPA, o que deixa evidente o seu “peso”, enquanto os institucionais representam 33,46%.

É bastante provável que a “forçada” da ultima sexta-feira para apreciar mais o real já seja uma ação dos “hedge funds” na busca de colocarem um piso bem baixo no preço para dar inicio ao processo de realização de lucros, com a consequente redução da aposta.

Hoje, feriado nos Estados Unidos em comemoração ao “Dia da Independência”, os mercados locais perdem volume, mas se nutre muita curiosidade sobre o volume de giro no interbancário de câmbio na ultima sexta-feira, 1º dia da nova PTax, já que o acesso a esta informação estava inacessível no sistema BC pela manhã.

Não estamos entre os que acreditam numa derrocada maior do preço da moeda americana, já que o fluxo esta negativo e o BC, com a nova estratégia de cálculo da Ptax, diminuiu o espaço de manobra dos especuladores na manipulação da formação do preço, e tende a buscar recuperar para o mercado de câmbio físico a ascendência na formação do preço.

Acreditamos numa discreta tendência de melhora da taxa, sendo operada com um viés de recuperação e com volatilidade, permanecendo mais no intervalo de R$ 1,58 a R$ 1,60.

Entendemos que a taxa de câmbio com o real apreciado continua sendo grande aliada do governo no controle da inflação, complementando a estratégia de elevação da taxa SELIC, mas aliviando a necessidade de uma elevação maior deste juro. Mas, claramente, o governo esta agindo para deter maior influência, através do mercado físico, na formação do preço, até então subjugada ao mercado de derivativos.

O BOLETIM FOCUS divulgado sexta, dia 1º, pelo BC, eleva a projeção do IPCA para os próximos 12 meses de 5,15% para 5,19% e para o ano de 2011 reduz de 6,16% para 6,15%; mantém a SELIC em 12,50% e o US$ em R$ 1,60. Reduz a projeção do IPCA do mês de junho, a ser divulgado esta semana, para 0,05%.

 

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