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Abatido o adversário, resta ao PT enfrentar o “legado PT”

Encerrado o período eleitoral com a reeleição da Presidente Dilma, temos um Brasil dividido sugerindo ter havido um embate entre os independentes que desejavam mudanças imediatas e os dependentes que estão satisfeitos com o “status quo”, sendo estes ainda a maioria em quase 3 milhões de brasileiros.

A oposição desejava conquistar o governo central agora. Chegou perto, perdeu o jogo na casa do seu candidato, mas chegou bem perto e deixou uma sinalização importante para o governo reeleito, que sai deste embate vitorioso, mas inegavelmente enfraquecido, com um congresso muito fraccionado, problemas institucionais em perspectivas, e, além de tudo um legado a ser enfrentado criado por si mesmo de um país deteriorado, que precisa de uma “reviravolta mirabolante” para redirecionar-se no caminho da recuperação econômica, que muitos não acreditam seja capaz de realizar.

O Brasil produtivo tende a ser o ponto central do descrédito nos novos planos, se houver, mas é dele que o governo precisará para tentar mudar a rota do país.

O país precisa de investimentos de todas as naturezas e não mais incentivo ao consumo na base do estimulo à concessão de crédito. Não há mais como a população brasileira continuar se endividando, visto que a capacidade de pagar está praticamente exaurida.

Ao governo que permanece não parece haver a tolerância do “beneficio da duvida”, pois será muito difícil fazer o setor produtivo acreditar nas novas boas intenções após longos anos no poder.

Ou faz ou faz, não há alternativa diferente e este é o desafio num ambiente em que o país revela perda de credibilidade e atratividade, tem juros elevados, crescimento do PIB baixo e de difícil reversão de tendência, política econômica equivocada e política fiscal deteriorada.

Haverá certamente alguém ou muitos que considerarão que esta era uma eleição para ser perdida da forma que foi, mostrando força da oposição, mas sem assumir o legado difícil de ser superado num único período de governo, e que terá que conviver com sinais reversivos de persistência de crescimento baixo, desemprego e perda de renda e com o governo tendo queda de arrecadação e de superávit primário.

Enfim, tudo leva a crer que o próprio legado atual do PT será o seu maior adversário no próximo governo e para a próxima eleição, sendo melhor dar tempo ao tempo para que a realidade se revele naturalmente.

O mercado financeiro brasileiro deverá reagir de forma contundente à frustação com o resultado. O preço da moeda americana deverá ter comportamento volátil e com viés de alta, enquanto a Bovespa tende a derreter, principalmente, os preços das empresas estatais.

Os investidores produtivos deverão tender à retração, pois o país não enseja investimentos dado seu baixo crescimento e por ser um país caro, diferentemente de inúmeros países emergentes que se configuram mais atrativos.

Os investidores estrangeiros rentistas que estão ainda no país devem migrar seus recursos para outros países, em especial o mercado americano, colocando o Brasil sob observação, afinal o juro não é tudo na decisão do direcionamento dos recursos.

Afora toda a gama de problemas contidos no “legado”, o câmbio tende a se fortalecer como problema para o país, pois tende a sofrer pressão altista do preço e com isto colocar mais pressão sobre a inflação.

O próximo ano de 2015 já não proporciona cenário favorável para as principais commodities brasileiras, havendo perspectiva de perda de receitas, a indústria poderá se tornar mais importadora do que já tem sido, e os investimentos produtivos em queda e os especulativos buscando novos mercados são alguns dos fatores indutores a apreciação do preço da moeda americana.

Não contando com o “beneficio da dúvida”, já que tem sido contumaz em não cumprimento das metas a que se comprometeu e com perspectivas baixíssimas de conquistar equilíbrio fiscal com superávit adequado, o Brasil será candidatíssimo a perda de “rating” da sua nota de crédito, o que, se vier a se confirmar, piorará ainda mais as perspectivas para o câmbio.

O destaque deste embate é que não houve propostas efetivas para reverter a situação do país da situação atual, por isso houve sempre certo ceticismo em torno dos debates.

 A situação do país é tão caótica que acreditamos que nem a oposição teria condições de revertê-la no curto prazo, correndo, contudo, o risco de vir a ser responsabilizada pelas consequências que ainda poderão advir do legado que iria assumir, tinha somente o apelo de representar a alternância de poder, enfim uma perspectiva nova.

Acreditamos que seja inevitável o retrocesso para que seja possível buscar alternativas para reverter o quadro atual.

E com esta perspectiva, o impacto no câmbio será inevitável.

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