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A sinalização do COPOM indicando que poderá vir a elevar a taxa SELIC para confrontar as pressões inflacionárias, ameniza, mas não elimina ainda a baixa credibilidade do mercado financeiro na capacidade do BC coordenar as expectativas

O inesperado, mas necessário, aumento autorizado à Petrobras de 5% no preço do diesel pelo governo, causou no dia da decisão do COPOM alguma dúvida sobre a manutenção da taxa SELIC em 7,25%, havendo quem especulasse que poderia ser sancionada uma alta de 0,25%, não projetada antes do fato novo.

Todavia, o COPOM assumiu decisão dentro da projeção predominante do mercado e manteve a taxa SELIC inalterada em 7,25%, porém com relevante mudança no contexto do seu comunicado pós-reunião, salientando que irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até a sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na estratégia de política monetária.

O mercado financeiro está fazendo a leitura de que é praticamente certa a elevação de no mínimo 0,25% na próxima reunião. E, entende também que esta será uma prova de fogo ao BC para provar que tem alçada para elevar ou reduzir a SELIC.

Espera-se que fevereiro gere indicadores amenizados de inflação, mas por razões pontuais e, por esta razão, não há como ter-se em perspectiva que seja tendência, até porque ainda resta a ser aplicado o aumento dos transportes, que deveria ter ocorrido ao inicio do ano.

Portanto, tem-se como certo que o cenário prospectivo deverá indicar a necessidade de elevação da SELIC, recolocando-a na sua função correta na política monetária, visto que os impactos da estratégia de confrontar a inflação via real apreciado tem baixas perspectivas de sucesso.

Além da baixa eficácia do real apreciado como instrumento de contenção das pressões inflacionárias, o BC enfrenta também um contexto difícil de fluxo cambial, que continuou negativo no fechamento de fevereiro em US$ 105,0 M, fato que se repete desde agosto do ano passado, exceto no mês de novembro.

Houve na ultima semana de fevereiro recuperação do fluxo que recuou de negativo US$ 2,840 Bi para US$ 105,0 Bi, com o fluxo comercial ficando positivo em US$ 690,0 M e o financeiro negativo em US$ 795,0 M.

A expectativa é que com a negociação das safras agrícolas possa ocorrer uma melhora no fluxo, mas é importante acompanhar o fluxo de IED´s e demais investimentos em renda fixa e variável, que tem evidenciado perda de atratividade pelo país.

Eventual alta do juro como está sendo previsto é medida de desincentivo ao setor produtivo da economia, e, na margem também onera o crédito ao consumidor. Estes são fatores que confrontam com a necessidade do país fortalecer a linha do crescimento econômico.

Conforme temos salientado é bastante complexo e quase inviável administrar com politica monetária os dois pontos conflitantes e relevantes presentes na economia brasileira: inflação aquecida e necessidade de incentivar o crescimento econômico.

Por isso, e considerando que a tendência do fluxo cambial, embora admitida melhora momentânea no período de safras agrícolas, é de ser negativo ou extremamente equilibrado, é que somos levados a acreditar que o governo venha a desistir da utilização da ação estratégica de apreciação do real, deixando o preço ajustar-se melhor a sua realidade presente, na medida em que retome a SELIC como instrumento principal para conter a inflação.

 

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