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A autofagia do PMDB no poder e os riscos inerentes

Recentemente, nos dias 06 e 12 últimos, tivemos oportunidade de divulgarmos dois “posts” um denominado “Sonho grande, esperança enorme e realidade cheia de receios” e outro, “Economia: enfoque com excessivo otimismo pode causar desapontamento”.

Ressaltamos no primeiro além de todas as considerações, que “Não será “mais do mesmo”, mas politicamente muito semelhante e o tempo, provavelmente, num espaço mais curto evidenciará que há diferentes DNA’s num típico colchão de retalhos, que tenderão a uma convivência conflituosa.

Ainda vivíamos a fase pré-impeachment.

No outro, já na sequência do afastamento da Presidenta aprovada pelo Congresso, mencionávamos, que “A votação do Senado Federal aceitando o pedido de abertura do impeachment da Presidenta Dilma Rousseff atingiu 55 votos a favor contra 22 votos contra, um placar confortável quando precisava tão somente 39 votos, mas este número representa tão somente 1 voto a mais do que os 54 votos que precisará para interromper o mandato da Presidenta definitivamente quando ocorrer o julgamento final.” E mais, “isto coloca o governo Temer que assume por 180 dias, que tem o manifesto propósito de continuar, “pisando em ovos”, situação em que não poderá errar e comprometer o apoio atual e o que vier a receber ao longo dos 180 dias.

E não é que, os pontos desgastantes em torno da unidade de apoio ao novo governo vem sendo comprometidos muito mais rapidamente do que poderia se imaginar!

Já houve saída de Ministro importante e acirra-se a divulgação de gravações de telefonemas que acarretam amplo desconforto e podem corroer de forma intensa a unidade absolutamente necessária.

É possível mesmo que as certezas comecem a ser trocadas por incertezas tensas e que, a rigor, devem afetar duramente o clima político podendo causar defecções da base de apoio político do governo transitório, colocando a nefasta possibilidade de retorno do antigo governo, sabidamente sem capacidade de governabilidade.

A obtenção de tão somente 55 votos na aprovação da abertura do impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff deve ser observado, atentamente agora, dada a sua exígua margem.

Evidentemente, não conseguindo superar os desarranjos no campo político, será muito difícil ao governo transitório implementar de forma segura as relevantes alterações na condução da política econômica que objetiva o enorme desafio de reverter o estado decrépito de nossa economia e política fiscal amplamente combalida.

É muito perturbadora esta conturbada convivência no novo governo de filiados ao próprio PMDB e que tem como causa o enorme emaranhado decorrente da presença dos mesmos nas investigações contundentes da Lava Jato.

Patina no campo político o novo governo e isto pode e deve afetar apoios necessários para as medidas imprescindíveis no campo econômico, tornando imperativo que o governo haja com precisão, embora sabendo que não tem capacidade de interferir na Lava Jato, que no fundo é o que a grande maioria dos políticos em torno do atual governo teme e não pode evitar.

E o nosso mercado financeiro, tão eufórico e irrealista em relação às perspectivas que vislumbravam as possibilidades das ocorrências presentes, está reagindo como se nada estivesse acontecendo, quando na realidade deveria pontuar extrema cautela.

Há com se preocupar e muito neste momento com estes desencontros entre políticos aliados e ligados ao partido que detém o poder, não se sabendo aonde poderá chegar tudo isto.

O dólar ao meio dia desta sexta feira era cotado a R$ 3,6162, subindo mais de 1% com o mercado revelando baixo volume de negócios, mas se a tendência, a nosso juízo fundado em análise, já era de alta, os últimos fatos devem fazer este preço se acentuar em alta.

Como temos colocado este é um preço absolutamente desalinhado, precisará atingir a proximidade de R$ 4,00 para cumprir bem seu impacto nos preços relativos da economia e imputar estimulo à retomada da atividade econômica, imprescindível para a reversão do desemprego, queda da renda e consumo e melhora do humor predominante. Acreditamos que o preço da moeda americana seja, neste momento, o dado mais importante, embora não falado, dos planos do novo governo.

Os Estados Unidos anunciou a segunda leitura, por seu Departamento de Comércio, que revelou crescimento do PIB no primeiro trimestre deste ano em 0,8% (anterior 0,5%) ante a expectativa do mercado de 0,9%, o que levou os analistas a aumentar as probabilidades de eventual alta do juro americano para junho próximo.

Mas os fatos internos do Brasil no momento predominam sobre os eventualmente externos, e há riscos neste “tiroteio entre parceiros”, que poderá vir a atingir a figura central do Presidente interino, Michel Temer.

E que o mercado financeiro não os ignore e sim os capture e os avalie da forma sensata e adequada.

No nosso entender há com o que se preocupar efetivamente neste momento.

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