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O IPCA-15 do “day after” do COPOM fortalece a convicção da decisão errática!

Existem duas máximas que ressaltam neste momento em que se constata a efetividade da decisão errática e sem ousadia do BC/COPOM em sua mais recente reunião acerca da taxa SELIC.

“Números falam, são frios e não tem amigos” e “preços altos se curam com preços altos que causam  a exaustão da demanda”.

O IPCA-15 de 1,14% foi o sinal de inflação com uma voracidade intensa, já ancorando inflação de 10% este ano, mas que está muito perceptível na sua ocorrência cotidiana e em perspectiva que aumentos de preços na economia já chegam a ser banalizados. 

Ao BC/COPOM, como enfatizamos sobre sua mais recente decisão, faltou atitude e efetiva preocupação com o zelo da política monetária, visto que a inflação está amplamente disseminada e se realimenta diariamente impulsionando os preços em nossa economia, e não há dúvidas sobre as perspectivas que afrontam os interesses do país.

Decisão como a ocorrida, num ambiente amplamente desfavorável e perceptível que assola a economia brasileira, preocupa e sugere uma miopia difícil de ser compreendida pelo alcance e notória ineficácia, ficando a convicção firme e inconteste que estamos trafegando em “areia movediça” e “ancorando o desabamento com estacas”.

O mercado financeiro ajusta seus preços que sucumbem a este ambiente, juros sobem, câmbio demonstra insensibilidade e a Bovespa claudica por absoluta falta de perspectivas sobre a atividade econômica e crescimento do país.

Quando o BC/COPOM mencionou em seu relatório pós reunião que a inflação é “persistente e disseminada” demonstrou ter ciência do cenário prospectivo, então por que não agiu pró-ativamente zelando pela eficácia da política econômica?

Quando realiza revisões de crescimento do PIB brasileiro sanciona o conhecimento de que o aumento contínuo de preços acaba por provocar a retração da demanda, a reversão do crescimento econômico, a não geração de empregos e afetando a renda dos consumidores de forma intensa direta e indiretamente, já que a inflação é um redutor de renda.

A pobreza campeia pelo país, a falta de renda intensifica a pobreza e a mendicância que já busca se alimentar de restos disponíveis nos lixos, e pressiona o governo ao dispêndio de recursos que não tem com os necessários programas assistenciais, mas que também tem caráter eleitoreiro a impulsioná-los.

O país vive um momento cético, não há convicção para onde estamos indo, o “zelador” tem uma inibição incompreensível para quem clama por independência. 

O mundo “não dorme” com a perspectiva do caso Evergrande se tornar o novo Lehman Brothers na China, e isto certamente precisa estar no radar brasileiro,  pois o agravamento afetará o mercado de commodities do qual o Brasil é amplamente dependente em sua atividade de comércio exterior. 

Os Estados Unidos sinalizam que já reúnem condições, o emprego reagiu,  de retroceder nos programas de incentivo à atividade econômica, e isto coloca em perspectiva a elevação do juro que conduzirá naturalmente ao fortalecimento do dólar face à remuneração dos “treasuries”. 

No Brasil, o mercado de câmbio conviverá com o dia da PTax, taxa média para aplicação nas posições cambiais, e isto ensejará volatilidade contumaz.

A inadequação do juro à sua realidade brasileira frustra a perspectiva do câmbio com preço mais baixo, visto que o juro equilibrado é o grande antídoto ao preço exacerbado da moeda americana no nosso mercado.

Afora os problemas de mercado externo, havia forte convicção de que a moeda americana pudesse chegar ao final do ano no entorno de R$ 5,00 e isto seria contributivo para contenção inflacionária de alguns produtos importantes, mas com a postura errática do BC/COPOM no trato da SELIC esta perspectiva está fora do radar.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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