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Movimentos abruptos dos ativos no mercado evidenciam insustentabilidade presente!

Comportamentos dos preços e índices dos ativos no nosso mercado financeiro, como os de 3ª feira última e revertidos parcialmente ontem ao início dos negócios para posteriormente recuperarem-se com os “bons ventos” externos e não próprios,   com fundamentos locais em “palavras e afirmações” desta ou daquela autoridade evidenciam quanto são frágeis para que indiquem tendências sustentáveis.

O Brasil precisa “mais” dados concretos do que isto e este é o ponto, por isso preconizamos que a “revisão do risco Brasil” permite vislumbrar-se IPCA em 2 dígitos ao final do ano, pois já temos nos últimos 12 meses algo como 9,3% e a pressão para os último quadrimestre do ano sugere manutenção deste patamar, com grande probabilidade de intensificá-lo com as que deverão continuar vindo e pesando mais neste ano decorrentes da crise hídrica/energética, algo incontrolável por parte do governo por decorrer de choque de oferta e que as sobretaxas nas contas de energia tendem a maior agravamento.

É inquestionável a absoluta necessidade do BC/COPOM impor forte e necessária alta da taxa SELIC, agressiva mesmo um pouco acima do que vem sendo preconizado, para que a coloque como fator de contenção da expansão dos impactos da crise hídrica/energética para os demais preços relativos da economia, até aqueles que acabam repercutindo por “osmose”, como é típico no Brasil.

O juro bem “calibrado” com a realidade é o antídoto correto para ajustar o preço do câmbio no país, caso contrário a sua insuficiência provoca ao governo o ônus e não concede ao país o bônus, que seria uma taxa cambial mais efetiva e realista com a nossa realidade cambial que é, até certo ponto, confortável face às reservas cambiais que o país detém que também barateia importações que se tornam, também, antídoto a expansão dos preços nacionais. 

O foco tem de serem os números gerados pelas contas fiscais e da economia efetiva do país, suas perspectivas concretas ante o “status quo”, e não expectativas ancoradas somente em manifestações infladas dos governantes e cenários externos que não geram, ainda, repercussões efetivas e concretas por aqui. Há desafios enormes presentes para o país e retóricas contumazes são “aproveitadas pelo mercado” como se fossem verdades absolutas e sustentáveis para fomentar movimentos díspares com a realidade, volatilidade,  que tornam até despercebida a lentidão de tramitações imperativas de matérias fundamentais para ajustes imprescindíveis, como as reformas tributárias e administrativas, que pelas demoras acabam sendo desidratadas e perdem relevância, ainda mais quando ocorre o acirramento precoce das disputas eleitorais para 2022, com a crescente propensão aos dispêndios populistas sem fontes definidas para suporte.

Neste cenário temos um dia rico em projeções e visões prospectivas destacadas para justificar melhoras e noutro olhamos para a realidade efetiva e ocorre a revisão, isto decorre da insegurança e incerteza predominante. São apontados como causas no caso cambial fatores que são anseios e assertivas tidos como consequências naturais se os ajustes necessários fossem efetivados, mas que na realidade ainda não são realidade.

A curva do juro no Brasil sancionada pelo BC/COPOM, como salientamos de imediato após a mais recente reunião do órgão, está aquém da curva inflacionária, então, o tão esperado fluxo de investidores estrangeiros, que é posto como causa de alguns movimentos na taxa cambial não é efetivo porque de fato não ocorrem e são tão somente expectativas que venham a ocorrer, como as operações ancoradas em operações de “carry trade” por investidores estrangeiros especuladores, mas cumprem o “papel” dentro do círculo vicioso de fundamentos imediatos. Basta olhar na semana seguinte, o fluxo cambial divulgado pelo BC para se constatar a realidade.

A economia gera um dado ou outro e causa euforia, mas vemos agora a realidade de que bastou a quebra da intensificação de recursos assistenciais por parte do governo para que o comércio eletrônico perdesse força, já que são estes recursos  que tornam não consumidores em consumidores que, por vezes, protelam necessidades essenciais para satisfazer consumo, até supérfluo, reprimido.

Naturalmente estes movimentos repercutem na indústria e fica a impressão de que a economia está ganhando tração, mas em realidade o “grande consumidor na economia” é o próprio governo de forma indireta e não a economia que esteja gerando renda. 

Todos sabem ou devem saber que o que tem tração efetiva no país é a cadeia produtiva que envolve as commodities de uma forma geral, grande beneficiária do dólar alto combinado com preços externos aquecidos com a retomada de atividade das grandes economias. 

A economia real tem sinais concretos de deterioração,  pois falta força efetiva de consumo ancorada na capacidade de consumo da população suportada pelo emprego,  que cada vez sente a dilapidação de sua baixa renda pela inflação sem reposição e perdura o magnânimo número de desempregados e subempregados. Por outro lado, há perda de credibilidade na política econômica ancorada fortemente na retórica otimista num ambiente real distante da pregação. 

Enfim, a inflação e o juro certamente estarão ao final do ano muito distante das projeções do Boletim FOCUS, apesar do empenho retórico do Presidente do BC, mas o dólar se houverem as correções imprescindíveis poderá retroagir o preço às proximidades das projeções, pois o juro em patamar justo é o melhor antídoto à exacerbação.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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