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Inflação americana transitória ou sustentável, eis a questão. E o real como fica?

Há um ambiente contraditório na economia americana entre a percepção do FED e a do setor produtivo. 

Enquanto a autoridade monetária considera que a inflação presente é transitória apontando para isto seu entendimento dos ajustes de estoques, etc..., e, com isto, dando suporte a sua não intenção de promover ajustes na sua política monetária, em especial o juro, o setor produtivo americano tem percepção dispare e o entendimento de que é sustentável. 

O governo americano notoriamente deseja nesta fase de retomada da sua atividade econômica que sua moeda permaneça mais fragilizada, já que é potencial instrumento de incremento à atividade exportadora de seu setor produtivo, ao mesmo tempo em que inibe maiores volumes de importações. Esta estratégia parece ancorar o objetivo imediato do governo americano, focando também o incentivo ao emprego e renda.

O setor produtivo, por sua vez, acredita que a inflação é sustentável e vem repassando para os seus preços os impactos dos ajustes, e isto fomenta as pressões inflacionárias.

Naturalmente, a postura do FED americano deve prevalecer por ter uma visão mais macro e ter objetivos claros.

Se verdadeira esta hipótese do dólar mais fragilizado, será natural que o real que estava com seu preço exacerbado, após quase ter sido ajustado,  buscará, outra vez, equacionar-se mais adequadamente à realidade brasileira, que não é brilhante e nem entusiasma na atividade econômica, mas já não tem latente riscos recentes e o país dispõe de confortável volume de reservas, o que atenua seu risco em moeda estrangeira.  

Evidentemente, não foge à percepção a absoluta necessidade de serem atenuadas as posturas políticas inadequadas, em especial por parte do Presidente, criando ruídos e acirramentos desnecessários fomentados pela campanha eleitoral antecipada e que motiva arroubos de poder que na realidade não procedem, mas são perturbadores.

O fator político tem sido a causa imediata da volatilidade no preço da moeda americana no nosso mercado, visto que é um termômetro dos sentimentos, nem sempre procedentes,  mas sempre oportunistas e afetam os ânimos, inclusive, em relação à Bovespa.

Há em perspectiva ambiente para muito desgaste do governo com a reforma tributária, visto que, cada vez mais, afloram análises apontando vorazes ataques aos interesses dos assalariados, acobertados pelo discurso de mínimo reajuste na base do ir na fonte, que devem atingir benefícios consolidados como vale refeição e vale alimentação, ao mesmo tempo em que, difícil de acreditar, privilegia beneficiários em paraísos fiscais.

Cada vez mais é possível se antever dificuldades para um andamento mais célere da tramitação desta reforma tributária que, contraditoriamente parece mais focada em retirar direitos e impor mais obrigações. 

Por outro lado, já com o clima eleitoral sucessório instalado será praticamente inviável a discussão de reforma administrativa mais assertiva, visto que o governo, cujo Presidente é candidato à reeleição, estaria fragilizado pela forte tendência de desgaste.

Tecnicamente, o viés de apreciação do real seria a tendência natural no ambiente presente, com o governo americano mantendo-se resistente à elevação do juro e mantendo o entendimento de inflação temporária, mas, inegavelmente, é imperativo que o nosso ambiente político busque um debate mais altivo e respeitoso, sem falsas opulências que criam irritações desnecessárias.

Em realidade, a percepção generalizada é de que o preço “normal” da moeda americana no nosso mercado se situa no entorno de R$ 5,00, e não fosse o ambiente politico que antecipou a campanha eleitoral para 2022, poderia ir abaixo, quem sabe até R$ 4,80.

É importante observar o acentuado viés de alta da taxa SELIC, o que deve motivar fluxo de capitais estrangeiros, em especial especulativos, para o país, o que ainda não ocorreu. Neste mês até o dia 9 o fluxo cambial financeiro está negativo em US$ 1,744 Bi.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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