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Se COPOM não decepcionar, dólar cairá a R$ 4,60/4,80, mesmo sem fluxo cambial!

O correto equacionamento da relação câmbio x juros é pontual na condução da taxa cambial prevalecente à equivalência justa com o dólar, contendo volatilidade e com isto desmontará totalmente a estratégia de baixo sucesso do Ministro Guedes do “câmbio alto juro baixo”, com o qual pretendeu dinamizar a atividade industrial brasileira evitando a desindustrialização fortalecendo as exportações, contendo as importações e incentivando o investimento interno.

Assim, poderemos ver a taxa cambial, de forma sustentável, romper o piso dos R$ 5,00, independente de fluxo cambial de investidores que ainda é muito fraco e do comportamento do dólar no mercado internacional.

Importantíssimo mesmo e relevante é que o governo pleiteie do setor produtivo com preços marcados a mercado e correlacionados aos exportáveis, que equacionem seus preços relativos a esta nova realidade sendo incisivo, tal qual reagiu quando a Petrobrás elevou seus preços e o que mostra agora, como injustificável, o aumento do botijão de gás, já que na prática relegam o fato da queda do dólar e deixam prevalecer nos seus cálculos os parâmetros que rodearam os R$ 5,80.

A economia brasileira precisa de um choque de realidade nos seus preços, principalmente aqueles alimentares que afetam diretamente os custos das classes menos favorecidas, e com urgência e veemência. 

Com isto, pode proporcionar recuperação de parte da renda afetada pelos elevados aumentos provocados pela alta do dólar, que na realidade foi um redutor de renda de todas as classes, mas com maior impacto nas classes menos favorecidas.

Vemos o governo atrasado neste aspecto. A inflação está aquecida,  mas o ajuste de preços dos produtos marcados a mercado quebraria em grande parte este aquecimento, que ameaça a médio prazo desafiar a taxa SELIC, caso não seja contido.

Neste aspecto, entendemos que o Boletim FOCUS não tem captado esta realidade e ainda projeta o preço do dólar para o final do ano em R$ 5,18. Contudo, para o crescimento do PIB tem se mantido sensato e cauteloso colocando a projeção de 4,85%, visto que há até uma parte empolgada que chega a 7% e vê o crescimento virando o final do ano muito aquecido.

Há um equívoco na percepção da gravidade da pandemia nas principais capitais brasileiras, onde está aquecidíssima e não deve ter menosprezada a sua capacidade neutralizante da atividade econômica, embora o governo procure incentivar o disfarce e uma boa parte da população “vá na onda”, e este é o problema maior para superação deste desastre sanitário. A vacinação ainda atinge um percentual muito baixo da população, há muita empolgação, mas a realidade é que estamos atrasados, não adianta ficar comparando nosso desempenho com economias menores, visto que o Brasil tem dimensões continentais.

A um menosprezo pelo elevado risco de uma crise hídrica no país, que seria um fator inibidor do crescimento do PIB, e já ligamos as usinas térmicas, o que é o primeiro sinal que a crise é possível se a economia aquecer.

Há projeções de aquecimento do varejo e do setor de construção civil, mas há que se observar que a renda foi muito corroída, mesmo de quem consegue uma nova colocação, e os programas de auxílio do governo agora são menos generosos, o que coloca em dúvida o aquecimento no varejo. Contudo, na construção civil é possível com o governo injetando recursos a custo baixo e os imóveis tendo dimensões diminutas de 70 a 23m2, com a população se adaptando a um novo estilo de vida.

Como dissemos anteriormente, é enganosa a confusão de correlacionar a alta da Bovespa com o desempenho da economia brasileira, uma não está representada pela outra. A BOVESPA reúne 84 papéis em seu índice, mas são 10 de ditam o ritmo e são ligadas às commodities e repercutem comportamento do mercado externo, nada tendo a  ver com a nossa economia, com exceção do setor financeiro.

A economia está melhorando e politicamente tem se entendido que isto fortalece a candidatura à reeleição do Presidente Bolsonaro, o que não deixa de ser verdade, por enquanto não há uma terceira via, então do outro lado aparece o Lula, de péssima lembrança pelos fatos revelados, mas uma grande parte da população prefere lembrar o lado bom em que foram mais felizes. 

Por enquanto, há muitas dúvidas, mas a prevalência da política esta inibindo medidas altamente relevantes para o país, como a reforma administrativa e tributária, que vem sendo postergadas nas mesas do Congresso Nacional.

Enfim, há muito o que se observar ainda antes de prever intensidade do crescimento do PIB, IPCA que poderia ser melhorado com ajustes de preços marcados a mercado, mas temos a convicção de que o dólar ficará entre R$ 4,60/4,80, ou até menos se o investidor estrangeiro, em especial o especulativo, vier fazer “carry trade” no nosso mercado aproveitando a alta do juro.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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