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Fator externo prepondera e determina desvalorização do dólar frente ao real!

Menor perspectiva de aceleração da inflação no curtíssimo prazo nos Estados Unidos, com consequente afrouxamento no juro das T-Bills, promovem a desvalorização do dólar no mercado internacional e isto repercute na formação na paridade real/dólar no nosso mercado, onde a volatilidade da moeda também está arrefecida.

Contudo, a melhora do preço do dólar no nosso mercado, face ao decorrer de razões externas, não determina ajustes nos preços relativos da nossa economia diretamente afetados pelo comportamento da moeda americana, pois os fatores internos de influência neste comportamento ainda são frágeis e incertos.

O Ministro Paulo Guedes, que não tem sido assertivo nas perspectivas que tem apregoado, está tentando dar andamento à Reforma Tributária, mas suas projeções acerca da economia brasileira já transparecem estar em clima eleitoral.

A pandemia do coronavirus ainda está muito presente e há até perspectiva de que ocorra uma 3ª onda no país, e isto repercute diretamente na retomada da atividade econômica face às incertezas que gera e inibem investimentos, afeta a geração massiva do emprego e da renda, que vem sendo deteriorada também pela expressividade da inflação nos bens exportáveis de alimentação, que reboteia para os preços internos o comportamento dos mesmos no mercado internacional e a cotação do dólar no nosso mercado pelo pico, já que como destacamos não retroagem quando o preço da moeda americana cai face a fatores externos e não internos.

O cenário político vem ganhando dimensões preocupantes antecipando a disputa presidencial do próximo ano, e isto certamente, tira foco de questões imperativas para alinhar o país à rota do desenvolvimento.

A cena política repõe no centro dos embates velhos “lobos” que haviam sido afastados num momento em que o Presidente Bolsonaro os conteve, mas que agora os repõe politicamente, outra vez, no centro das disputas como personagens de influência.

A política retoma a dinâmica de politicagem e isto pode levar o país a ter maiores dificuldades para obter o necessário equilíbrio fiscal.

O ponto central nas perspectivas para o preço do dólar no nosso mercado neste momento está diretamente identificado com as perspectivas inflacionárias nos Estados Unidos, que amenizadas neste momento, podem ser reacendidas ao longo do próximo verão americano (julho-setembro), visão já antecipada por alguns membros do FED, e também por eventuais decisões da autoridade monetária americana quanto a retrações aos programas governamentais de incentivo à retomada da atividade econômica.

Para que fatores internos passem a ter peso é imperativo que haja concretos avanços nas Reformas Tributárias e Administrativa, e ambas sugerem que não terão solução breve, pois devem gerar calorosos debates políticos que devem determinar morosidade em suas conclusões, e pode invadir o período efetivamente pré-eleitoral, o que poderá inibir decisões mais incisivas.

Além disso, é fundamental que ocorra recuo da pandemia do coronavírus e que o país alcance efetivo avanço na vacinação, que ainda perdura morosa, o que retrai a retomada das atividades econômicas e os investimentos imperativos, assim como o programa de privatizações do governo.

O Ministro Guedes apontou que as perspectivas de aumento da arrecadação podem proporcionar a redução do déficit fiscal projetado para o ano de R$ 280 Bi para algo em torno de R$ 180, mas este nos parece mais um “balão ensaio” contumaz da autoridade.

Se este fato se tornar efetivo, naturalmente terá impacto positivo visto que a questão fiscal no Brasil centraliza as atenções, e há inúmeras postulações para que sejam estipuladas benesses às classes menos favorecidas, o que pode determinar posturas “populistas” e “eleitorais” por parte do governo para angariar apoio popular.

O juro que foi elevado pelo COPOM, e que tudo sugere que continuará sendo, ainda não foi capaz de reconstruir a atratividade dos investidores estrangeiros pelo Brasil, o que está evidente quando se analisa o fluxo cambial, o que deixa claro que o COPOM precisará ser mais agressivo visto que o patamar atual do juro está muito aquém das projeções inflacionárias presentes, que parecem ser bastante consistentes. Para se situar próximo da taxa de juro neutra o COPOM precisaria promover elevações contundentes.

Portanto, é muito temerária qualquer projeção que se estabeleça para o Brasil neste momento ancorada no comportamento do preço do dólar no nosso mercado interno, visto que, como destacamos, a formação do preço da moeda americana está diretamente à mercê do comportamento da mesma no mercado internacional, repercutindo decisões do FED americano.

É relevante não se atribuir a melhora do preço da moeda americana a causas internas, pois isto pode conduzir a erros de projeções. O Brasil precisa construir fundamentos internos, caso contrário as mutações no preço do dólar não contribuirão para amenizar o aquecimento dos preços relativos da nossa economia.

O ambiente presente no curtíssimo prazo favorece as bolsas americanas, e influenciam as bolsas dos países emergentes, podendo até determinar algum fluxo maior de investidores estrangeiros, mas a sustentabilidade do desempenho da nossa Bovespa ainda dependerá do país gerar fundamentos efetivos e críveis e sinais mais contundentes de recuperação da atividade econômica, caso contrário continuará dependente das commodities ou de alguns papéis pontuais relacionados a atividade com o exterior.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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