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Juro fora da curva obriga o BC a intervir no câmbio em momento oportuno!

É inquestionável que o preço do dólar no patamar de R$ 5,80 intranquiliza o BC por todas suas repercussões na economia brasileira, colocando mais pressão inflacionária num ambiente que já está desconfortável, e até acentuando as tensões em torno da próxima reunião do COPOM que ocorre nos próximos dias 15 e 16.

A decisão de elevação do juro está dada pelas circunstâncias atuais, mas a taxa cambial exacerbada por todos os seus malefícios imporia uma correção imediata da SELIC de forma contundente e inequívoca, provavelmente acima do idealizado pela autoridade monetária. 

Então, num dia em que o dólar demonstrava fragilização no mercado internacional, face aos indicativos de inflação mais tênue nos Estados Unidos em fevereiro, o BC aproveitou para intervir pontualmente e desta forma deprimir o viés de alta, num momento em que a moeda americana já evidenciava depreciação frente às moedas emergentes e com isto, obteve um bom ajuste no preço no nosso mercado, algo em torno de 1% a mais do que as demais emergentes em relação ao dólar, alcançando, então, localmente ajuste em torno de pouco mais de 2%.

Afora as pressões externas pontuais presentes, que ontem diminuíram um pouco, e outros tantos motivos internos que agregam prêmio ao câmbio no nosso mercado, o fator juro brasileiro absolutamente fora da curva é causa relevante de impulsão do preço da moeda americana no nosso mercado.

A  política monetária brasileira está claramente atrás da curva, focando otimizar alguns interesses da gestão do governo, mas provocando elevados danos à economia e seus preços aviltados pela contaminação do elevado preço do dólar.

Desta forma, o BC de momento e dada as circunstâncias tem como instrumentos de intervenção, por vezes meramente paliativos no mercado futuro que é o efetivo formador do preço no Brasil, os leilões de dólares. Oferta dólares à vista, estes quase sempre fundados em efetiva demanda, e oferta contratos de swaps cambiais novos no mercado futuro buscando gerar instrumento de segurança a investidores inseguros, nem sempre com a finalidade de hedge com lastro comercial.

Assim procedeu, vendeu algo próximo de US$ 500,0 Mi no mercado à vista, que, além disto, teve ingressos pontuais acima de US$ 100,0 Mi de empresas, e ofertou mais contratos de swaps cambiais de valor equivalente a US$ 1,0 Bi, e com isto impactou na formação do preço da moeda que cedeu, já que não havia grande demanda fundada em negócios.

De momento atenuou a pressão altista do preço, mas a sustentabilidade dependerá em grande parte da continuidade de sinais mais amenos da inflação americana, que repercute nos yelds dos Treasuries e tende a aliviar o fortalecimento do dólar, e da ousadia que o COPOM revelar na próxima reunião, visto que o contexto atual sugere uma elevação até de 0,75%, efetivamente com potencial para arrefecer parte da pressão altista do dólar no nosso mercado, e, também mitigar a espiral inflacionária já presente.

Desejável, mas pouco crível que o COPOM tenha uma atitude mais assertiva, pois tentará amenizar com a visão prospectiva da melhoria de ambiente com as reformas, etc.. etc...

Contudo, a volatilidade deverá continuar prevalecendo no preço da moeda, visto que há muitos fatores de interferência nos ânimos, agora tendo o fator  político amplamente fortalecido para debates contínuos, colocando a sucessão presidencial no radar.

No mais, o ambiente na questão sanitária atinge cenário inimaginável e com elevado risco de caos, prevalecendo o desalento do enorme número de infectados e o alarmante número de óbitos, realmente apavorante.

A atividade econômica certamente será muito prejudicada neste 1º semestre, havendo riscos de retrocessos em avanços que vinham sendo conquistados gradualmente.

Os fatos políticos recentes ainda precisam ser avaliados sobre os impactos que causam sobre a imagem do país, mas certamente não contribuíram para elevar a atratividade do país aos investidores estrangeiros.

O risco temido é que o novo cenário  político acabe neutralizando o foco nas questões prioritárias e emergentes como as reformas tributária e administrativa, e a questão das privatizações, que agora deverá ganhar voz contrária da oposição fortalecida.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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