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Descuido com a crise sanitária pune o Brasil, e acentua muitas incertezas!

A nova rodada de lockdowns, ainda que parciais, e o lento crescimento econômico neste 1º trimestre tendem a interromper a recuperação inicial que foi possível vislumbrar-se ao final de 2020, mesmo com a queda do PIB da ordem de 4,1%, mas esta ocorrência se faz imperativa pelos atemorizantes recordes de novos infectados, recordes atemorizadores de mortalidade e a perspectiva do caos do sistema assistencial-hospitalar.

É difícil despistar e assumir postura de que tudo está normal, até porque não está e não somente na questão da nova retomada da pandemia do coronavirus, com enorme capacidade de agravamento presente, mas há inúmeros vetores perturbadores no contexto cotidiano do Brasil, seja de ordem política, econômica, jurídica, que travam a dinâmica que o país precisaria desenvolver neste momento.

A PEC emergencial, já tardia, tende a tirar grande parte da população da miséria para a pobreza, mas com grande sacrifício para o governo, que não tem fontes sustentáveis de financiamentos e procura construir atalhos que conduzem a sensibilidade do mercado financeiro ao ceticismo e insegurança, e isto repercute no comportamento da formação do preço dos ativos.

Certamente, o novo programa de assistência social consequente da aprovação desta PEC emergencial favorecerá número menor de pessoas e os benefícios serão menores, e, como sói acontecer, provocará por parte dos assistidos e dos não assistidos reclamações contumazes e desgastantes para o governo.

É importante que, mesmo com limitações, se supra a população carente com algum alento neste momento, e o país volte a focar o empenho pelas reformas tributária e administrativa, e, ainda e principalmente, as privatizações.

Enfim, todos nós sabemos que o que precisa ser feito “era para ontem” e não se sabe se será possível ainda neste governo, pois são matérias que ensejarão debates e disputas corporativas contumazes e com grande poder retardatário.

À margem disto há de se conviver com a caótica situação da crise sanitária, que a rigor não permite perspectiva de término, o que é desalentador, e que inibe a retomada das atividades econômicas inibindo fortemente, até com risco de reversão, a geração de empregos e renda.

Cenário como este não pode sugerir impulsão para o Ibovespa, ancorado somente em papéis de empresas ligadas a commodities, sendo que as demais oscilam conforme as mutações temporárias que afetam o segmento, mas sem sustentabilidade.

Há muitas programações de IPOs este ano, mas certamente tendem a perspectivas duvidosas, até porque o fluxo de investidores estrangeiros está refluindo, visto que a alta dos yelds dos Treasuries americanos está golpeando o apetite por risco, conduzindo-os a posição acomodatícia de locar seus recursos no mercado americano.

Este cenário americano afeta todas as Bolsas no mundo, e, é um fator de contração do Ibovespa, que acaba ficando muito concentrado nos papéis de commodities, que tem preço internacional.

O dólar tem um conjunto grandioso de vetores agregando riscos na formação do seu preço no Brasil, o que o distancia da realidade do seu preço efetivo. É o risco político, o risco fiscal, o risco jurídico, descompasso da política monetária e outros menos expressivos agregando prêmio de risco ao preço da moeda.

A alta dos yelds dos T-Bills americanos provocou enorme atratividade aos investidores estrangeiros que têm recursos alocados no Brasil, e assim, não por aversão, mas por melhor oportunidade ocorre o refluxo destes investimentos, o que inibe a tendência de valorização do Ibovespa.

Então o câmbio acaba tendo pressões de demanda no mercado a vista, consequente do movimento de saída, e no mercado futuro onde os investidores buscam a segurança do dólar, e, não necessariamente por hedge.

O câmbio tem muita volatilidade cotidianamente, o conjunto de vetores afeta fortemente, e é bom salientar que a alta do tributo CSLL anunciado pelo governo de certa forma onera as operações de “overhedge”, e se  vislumbra poucas possibilidades de retração na formação do seu preço.

A alta da SELIC que o mercado antevê para a próxima reunião em meados deste mês poderá atenuar relativamente esta pressão, mas para ser relevante precisaria ser forte, o que não se espera neste momento.

A despeito desta letargia esperada mais uma vez na política monetária, a inflação ganhará fatores para forte impulsão visto que com o dólar se mantendo em ascensão e a OPEP anunciando que em abril manterá os preços de março, portanto se redução, os combustíveis no Brasil deverão ter seus preços superando as piores expectativas.

Além disto, sabidamente dólar alto fomenta o aumento dos preços dos produtos alimentares de forma contundente.

Então, a volatilidade tende a continuar sendo a tônica do mercado.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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