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Cenário ambíguo  interno, agravado por inflação americana e alta do juro T-Bills!

É contumaz considerar-se como aversão ao risco toda vez que o ambiente do mercado financeiro fica adverso, mas é preciso considerar que esta é uma avaliação nem sempre fundada na realidade, e é preciso entender a razão, o fundamento.

Ocorre no momento a percepção do agravamento das perspectivas efetivas para o Brasil neste ano, havendo muitos fatores conspirando contra a retomada das atividades econômicas e contundentes, como a embaraçosa situação fiscal do país, a crescente e cada vez mais grave crise da pandemia do coronavírus que tem forte capacidade de neutralizar avanços, o aumento expressivo da pobreza agravada pelo término dos programas assistenciais do governo, e, expectativas céticas em torno dos movimentos recentes do governo procurando postar-se como liberal.

Este é um cenário que dá sustentabilidade ao gradual crescimento do desalento dos brasileiros, mas em grande parte vai agregando prêmio de risco e afetando mercado de ações, dólar e juro, enquanto o governo mantém uma postura de desprezo em relação, em especial, a seriedade da crise sanitária, onde após tantos erros agora a estratégia de buscar transferir para outros a responsabilidade para o desastre consequente do negacionismo mantido.

As projeções para 2021 tendem a passar por revisão e as colocando em negativas perspectivas. O 1º trimestre tende a ser de índices desapontadores, inclusive com reflexos negativos no quesito emprego.

O BC tem se mostrado protelativo nas decisões maiores na política monetária, e assim se posta retardatário e fora do ponto da curva, evitando sancionar o fato de que a inflação presente não é uma ocorrência temporária e desta forma vem dilapidando os valores patrimoniais da população, fundamentalmente afetando a renda.

Este cenário brasileiro tem estado precificado, mas em evolução negativa face ao agravamento contínuo, mas o que sugere piora acentuada são as consequências do reflexo do comportamento da economia americana no cenário global, e em especial e de forma mais drástica para os países emergentes, com destaque ao Brasil.

A economia americana vem recebendo consideráveis volumes de recursos com foco em sua recuperação, estando na iminência a viabilização do novo input de US$ 1,9 Trilhões, o que sugere que a inflação se acelerará e como consequência os juros dos T-Bills se elevam e se tornam atraentes para todos os investidores globais.

O juro mais elevado carreia para o mercado americano grande massa dos recursos disponíveis nas demais economias, com reflexos imediatos na valorização do dólar.

O Brasil agregando às consequências do seu desconfortável “status quo” passa a ser afetado pelo refluxo dos investimentos estrangeiros presente para o mercado americano, e isto NÃO POR AVERSÃO AO RISCO, MAS POR SURGIR MELHOR OPORTUNIDADE NO MERCADO INTERNACIONAL, A PARTIR DOS TREASURIES AMERICANOS.

Esta realidade é absolutamente perversa para as perspectivas do mercado financeiro brasileiro, já que impacta fortemente na BOVESPA e impulsiona de forma contundente a elevação do preço do dólar frente ao real.

A recuperação da economia americana e das demais economias desenvolvidas aumenta a demanda por petróleo e desta forma, se não houver ajustes por parte dos produtores, o preço internacional desta commodity é agravado.

A combinação do preço do dólar elevado fortemente no Brasil, combinado com a alta mundial do preço do petróleo, é injeção direta nas pressões inflacionárias dadas a relevância do impacto nos combustíveis e na cadeia produtiva, desencadeando absoluta incapacidade do país contornar os efeitos danosos.

Urge, portanto,  reações imediatas da política monetária ajustando o juro interno à realidade do país e assim, minimamente, influencie a formação do preço do dólar no nosso mercado, já que a atitude tiraria parte da pressão altista da moeda americana.

O cenário atual sugere que o país tem, imediatamente, que adotar medidas contundentes na política monetária, pois o que está ruim pode ainda ficar pior.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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