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Movido pelas circunstâncias imperativas, governo tem atitude liberal!

A repercussão havida no mercado financeiro de ceticismo e negatividade frente à intervenção do Presidente Bolsonaro na Administração da Petrobras, com reflexos em inúmeras outras estatais, além da irradiação de inseguranças e incertezas sobre as perspectivas para o país envolvido em agravados riscos impactantes, parece ter imposto ao governo a mudança de atitude assumindo, em princípio, a rota programática das privatizações.

Ainda que se reconheça que a manutenção da “golden share” no processo possa criar ruídos, e, também, que não se possam descartar movimentos corporativos opositores, inegavelmente é o passo na direção certa, afinal, há um compromisso inicial do governo com as privatizações, que até o momento não haviam tido nenhuma ação concreta.

Evidentemente que o mercado financeiro deve repercutir, até excessivamente, o fato, criando e fortalecendo as perspectivas para a mesma atitude em relação a outras estatais.

É natural que o impacto se dê inicialmente no ambiente da Bovespa, pois afeta perspectivas em torno do desempenho da mesma, mas será necessário que se observe se a convicção será perene e duradoura ou, tão somente, um “espasmo” ainda sem sustentabilidade, visto que o país tem inúmeros desafios imediatos em torno da crise fiscal, o que o força a exercitar atalhos para poder restabelecer, não na mesma dimensão anterior, programa assistencial à população carente.

A relação causa-efeito da decisão é para médio prazo e fomenta as expectativas, porém, deverá ser menos intensa no mercado de dólar onde a crise fiscal, agregada à inércia da política monetária que tem protelado decisões importantes, ante um quadro prospectivo de forte inflação, ainda são pontos de resistência à apreciação da moeda local que é, ainda, a alternativa mais acessível e rápida para proteção dos riscos, juntamente com o mercado de ouro, este para investidores mais sofisticados.

O ponto nevrálgico na avaliação desta atitude tardia é o questionamento em torno do “se vai dar tempo” para fazer ainda neste governo, o que deveria ter tido início logo no início da gestão.

É importante, também, que se coloque foco no real benefício que ainda perdura no fato da Petrobras, empresa de economia mista com substantiva participação de investidores não governo, manter o privilégio do monopólio que a beneficia e inibe a concorrência, que é a melhor forma de se atingir o preço justo de qualquer produto.

Esta atitude coloca peso sobre o governo para a dinamização do processo de privatizações, que a exemplo das reformas tributária e administrativa, constituem ações governamentais absolutamente necessárias e urgentes.

O fato novo é uma guinada na inércia que vinha sendo demonstrada pelo governo no trato das privatizações, e, acreditamos que tornará imperativa atitude por parte do COPOM no ajuste da política monetária que está retardatária em suas decisões, com ajuste na taxa SELIC visto que a inflação já tem perspectivas preocupantes para este ano, o que, diretamente, aí sim, impactará atenuando pressões altistas no mercado de câmbio.

O preço do dólar está agravado pelas pressões internas no Brasil, o que o coloca em torno de 15% a 20% acima do razoável devido o peso do prêmio de risco que integra a sua formação, contudo, há fatores externos em torno do comportamento da moeda americana no mercado internacional, visto que se espera agravamento da inflação americana fomentada pelos programas de incentivo à atividade econômica por parte do governo Biden e isto impacta na rentabilidade dos T-Bills, fato que repercute no mundo todo.

É tradicional a ocorrência de exacerbações nos preços dos ativos em momentos como este, repercussões excessivas, por isso a sensatez e cautela não deve estar ausente no comportamento dos investidores mais experientes, e a volatilidade pode ser intensa, pois o ambiente fica propício às operações de “daytrade”.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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