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O Brasil é efetivamente o seu maior oponente!!

O sentimento no momento é idêntico a estar observando um tabuleiro de xadrez com as pedras mal colocadas, não sendo possível formar  perspectivas críveis de curto/médio prazo, não sendo possível vislumbrar como se sairá deste quadro desalentador.

Risco político, risco fiscal, risco severamente agravado da pandemia do coronavírus que replica o seu pior momento e volta a conspirar contra a retomada da atividade econômica, absoluta necessidade de restabelecimento do programa assistencial do governo sem que haja fontes sustentáveis de financiamento, processo de vacinação conturbado, conflituoso e lento, e, ninguém absolutamente ninguém conseguindo antever o amanhã de forma convicta.

Resultante temos perdas patrimoniais relevantes indicadas pelos preços das ações, inflação em forte espiral ascendente, política monetária atrás da curva, dólar com preço aviltado em pelo menos 20% em decorrência do contexto atual, preço do petróleo com viés de alta face à retomada da atividade pelas principais economias mundiais, enfim um ambiente em que sobram incertezas e insegurança.

O ocorrido com os preços das ações das empresas estatais e correlatas pode até ser recuperável ao longo do tempo, mas causa danos ao mercado acionário e pode comprometer as perspectivas para inúmeros IPO´s programados para este ano, e induzir posturas mais defensivas a partir do ambiente de insegurança.

Por outro lado, o preço “líquido” do dólar expurgado o prêmio dos inúmeros riscos, acredita-se, deveria estar entre R$ 4,50 a R$ 5,00, e certamente seria menos danoso à expansão inflacionária a partir dos preços das commodities no mercado internacional refletidos nos preços do mercado interno, mas o prêmio de riscos decorre dos nossos próprios problemas que precisam ter ações pontuais, firmes e rápidas para ainda ser tentada recuperação neste governo.

Fala-se muito nas reformas tributária e administrativa, fundamentais no quadro atual, mas que tem tido trâmite muito ancorado em manifestações contínuas de todos os setores, mas efetiva discussão em ritmo lento, por vezes projetando-se perspectivas em aprovações em períodos próximos que podem estar otimizados, pois, em ambas, haverá muito confronto ideológico e corporativo.

O preço dos combustíveis e seus derivados é consequência na combinação perversa do preço do petróleo no mercado internacional, repercutido em toda sua intensidade a despeito do Brasil ser também produtor, e do preço do dólar no nosso mercado interno, podendo até mesmo, como é tradição brasileira, excesso de impostos, mas fundamentalmente decorre dos dois fatores apontados.

No Brasil o modal de transportes é 70% rodoviário, então a repercussão na economia da alta dos preços dos combustíveis é imediata, e atualmente não há margem para que os caminhoneiros elevem os fretes, já que quando da greve antecedente grandes corporações constituíram frotas próprias estreitando a margem de manobra.

A volatilidade deve continuar sendo a tônica dos movimentos dos inúmeros segmentos do mercado financeiro, repercussão natural de todo este ambiente, que como passo imediato sugere que o COPOM proceda às correções na política monetária, ajustando o juro interno à compatibilidade com a realidade presente, provocando melhor formação do preço do dólar, este é o possível mais imediato, atenuando suas repercussões na formação dos preços da economia.

O juro mais elevado atenuaria um dos vetores de pressão no preço do dólar, mas ainda restarão riscos agravantes, e ao BC, já que não há pressão de demanda efetiva no mercado à vista, cabe fazer o que tem feito rolar os contratos de swaps cambiais vincendos e ofertar lotes pontuais para atender a demanda  “por insegurança” que busca proteção no mercado de câmbio futuro.

Há no horizonte muitas incertezas, mas que dependem da ação política e no campo sanitário, para que se reconstituam perspectivas mais assertivas, o que não é possível neste momento.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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