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País tem urgência, nem política monetária e nem congresso revelam esta tendência!

Como se costuma dizer popularmente, precisamos de inúmeras decisões “para ontem”, e parece que o país se faz lento na busca do atendimento de suas prioridades, as posterga por esta ou aquela razão, e inúmeros fatos, até inusitados, acabam por tomar frente às prioridades.

A política monetária se revela com muita tecnicidade explicativa e pouca efetividade e desta forma vai postergando “para amanhã” o que seria necessário “ontem”, e assim continuamos com o juro abaixo do ponto de equilíbrio, o que conspira para que o câmbio persista volátil, além de, naturalmente, repercutir outros fatores de desequilíbrio, como a questão fiscal.

O juro baixo protege o custo de carregamento da Dívida Pública, segurando expansão maior do problema fiscal, mas, causa repercussões no câmbio que tem imensa capacidade de expansão de seus malefícios pelo preço desconforme. O ex Ministro Simonsen costumava alardear que “a inflação aleija, mas o câmbio mata”, e parece que estamos convivendo com os dois malefícios sob o “olhar complacente” do COPOM, que entende há mais de um ano que tudo é temporário.

Não é uma questão de anseio dos rentistas, mas de necessidade imperativa de ajuste para compatibilizar o juro, ainda que minimamente, com o processo inflacionário já instalado.

Naturalmente, que quem avalia o juro somente sob o aspecto dos rentistas, demonstra baixo conhecimento sobre as repercussões no câmbio e na intensidade de sua volatilidade, o que repercute negativamente em toda economia.

Marginalmente, então se atribui à necessidade imediata das reformas para que ocorram ajustes na economia, mas quando se observa a dinâmica implementada para o alcance destes avanços, impossível se deixar de considerar que, face à complexidade dos temas, não se pode ter expectativa que se consolidem antes do final do ano.

Até recentemente, a razão causal do retardamento era atribuída ao ex Presidente da Câmara, mas agora sem este entrave não são afastadas as dificuldades que serão enfrentadas para aprovação das mesmas, já que é evidente que haverá fortes debates com interesses corporativos, que nem sempre estão alinhados com os interesses do país.

Desta forma, quando se projeta dólar a R$ 5,00 para o final do ano, neste momento é pura especulação, visto que enquanto pode haver fatores externos que favoreçam esta tendência há uma enormidade de fatores que se postam como front de resistência a apreciação do real.

Com as reformas com previsão otimista para aprovação em torno de 1 ano, se nada ocorrer postergando-as, as perspectivas de melhora do cenário também devem ser afastadas do imediato, e, não se pode perder de vista, que a “prioridade das prioridades” para o governo é o restabelecimento dos programas assistenciais mínimos, imperativamente necessários, sem que haja fontes de financiamentos, o que acentua em muito o agravamento do risco fiscal do país.

Desta forma, por mais que se queira ser otimista, obviamente há maior probabilidade da piora do cenário brasileiro se agravar mais com o aumento da crise fiscal, tendo como fator agregado a continuidade da crise da pandemia que perdura forte e com vacinação lenta, antes que já no ano final deste governo se tenha como possíveis sinais de melhora.

Se a economia americana continuar revelando tendência à recuperação, é possível que os preços do petróleo sejam aviltados a despeito da Arábia Saudita elevar a produção, e isto com dólar com preço desconforme no Brasil terá impacto inflacionário incontornável.

Difícil admitir o preço do dólar em R$ 5,00 ao final do ano com este cenário prospectivo, devendo revelar volatilidade e podendo estar mais próximo de R$ 5,50 se houver agravamento da crise fiscal.

A Bovespa, por outro lado, de forma consistente ainda deverá persistir dependente dos papéis ligados às commodities, pois para uma evolução sustentável precisaria de uma recuperação da atividade econômica consistente, harmônica, e, não se vê esta possibilidade de imediato.

O país tem uma urgência que os seus gestores não estão conseguindo prover-lhe e este perdura sendo o grande desafio.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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