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A tendência ao agravamento do risco fiscal coloca o mercado em alerta!

Expectativas imediatas em torno da nova postura do Congresso, contrariadas em sua lógica, causam “frisson” no mercado local e acentuam perspectivas negativas em torno do agravamento do risco fiscal, e provocam postura defensiva que, como sempre, afeta inicialmente a formação do preço do dólar.

É o que ocorreu ontem, após o “affair” Petrobras do dia anterior, a nova “emoção” veio por intermédio do Presidente do Senado sinalizando restabelecer o programa assistencial à população carente sem contrapartidas imediatas.

Gastar sem ter fonte de financiamento sustentável e definida dentro do orçamento é, no mínimo, ato irresponsável e que irradia insegurança e tem repercussões imediatas internamente e, naturalmente, na visão externa.

Desta forma o novo Congresso se mostra mais ágil no descumprimento das regras do que na indução imediata das reformas que poderão gerar os meios ao governo de assumir diretrizes sustentáveis.

Num ambiente de governo em que “todos querem restabelecer algum programa assistencial, mas negam a viabilidade por carência de recursos”, há a clara tentação do populismo de assunção da iniciativa e deve ter sido isto que o novo Presidente do Senado vislumbrou, já que o fato gera “simpatias populares”.

No atual momento, face ao desconforto do risco fiscal presente, este é um tema que deveria ser coordenado pela Presidência e o Ministro da Economia, para definição dos meios se é que existem, e, concomitantemente contar com o apoio político do Congresso.

Há evidências suficientes da necessidade de prolongamento do programa assistencial, sem o que o estado de pobreza ao longo da pandemia ainda presente aumentará substantivamente, e, também, porque estes recursos já deixaram evidente sua importância para manutenção da relativa retomada da atividade econômica, visto que acentua a capacidade de consumo daqueles que habitualmente não são consumidores.

Mas este assunto precisa ser tratado menos afoitamente e com responsabilidade, pois os reflexos negativos consequentes poderão ser maiores do que os benefícios.

Ontem, o BC atuou no mercado de câmbio futuro, profilaticamente, quando percebeu o aumento da demanda neste segmento como fruto da insegurança que o risco de agravamento do quadro fiscal pontua.

O dólar alto é extremamente danoso para a economia brasileira, o problema do preço dos combustíveis é uma evidência clara, e, de não menor importância é o impacto nos preços da cadeia dos produtos alimentares, que na ponta se transforma em inflação e dilapida os salários dos trabalhadores e os seus poderes de consumo.

O IPCA de 0,25% de janeiro é ridículo, e está dentro da linha “o que se ouve não é o que houve”, e basta dar uma observada nos mais recentes números dos IGPs para se notar a realidade.

O COPOM precisa alterar rapidamente a política monetária e assumir maior realismo, sair do argumento de que a inflação é temporária há 14 meses, e ajustar o juro para equacionar a melhor formação do preço do dólar no nosso mercado e atenuar os efeitos danosos destes dois fatores em desequilíbrio.

As consequências, tidas como positivas para a economia com o juro baixo, em realidade acabam por se revelar mais danosas por estar fora do equilíbrio e, a exemplo dos combustíveis está também aquecendo os preços dos serviços administrados que têm peso relevante na atividade econômica, itens que são impactados pelo IGP-M.

O que se espera é que a discussão em torno da retomada do programa assistencial seja mais racional e com acuidade para não insinuar irresponsabilidades e risco de agravamento fiscal, mas, ao mesmo tempo, é absolutamente imperativo que se protagonize de imediato as discussões sobre as reformas fundamentais, para que haja o alento que poderá estimular a retomada da atividade econômica sustentável.

É imprescindível que se altere efetivamente o ambiente prospectivo dentro das expectativas que têm sido propagadas com os novos comandos do Congresso, até o momento mais alinhados com o governo, para que tanto IBOVESPA quanto o dólar assumam tendências factíveis e menos vulneráveis.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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