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O mercado já percebeu que pode não ser bem assim, então cautela e muita sensatez!

A percepção é que das prioridades, o supérfluo ou menos importante para os graves problemas que afetam o Brasil serão pautados e “inflados na repercussão” com aprovações, sem muitos ruídos, porém o essencial e fundamental continuará atravancado pela burocracia e confronto de interesses que permeia a ação dos políticos no Congresso.

A “transferência” das responsabilidades promovida pelo Poder Executivo para o Poder Legislativo, figurativamente dentro de um clima harmonioso, não é seguro de sucesso e avanços rápidos como anseia o país, visto que no essencial – as reformas e privatizações – existe elevado grau de conflito de interesses corporativos, além do fato da reforma tributária ter foco na tributação dos dividendos, o que pode representar severo desestímulo ao mercado de capitais brasileiro.

O país tem problemas com irrealismos na sua política monetária, visto que o juro abaixo do ponto de equilíbrio impacta na formação do câmbio, que repercute impulsionando a inflação nos produtos alimentares exportáveis e, em especial e adicionalmente, nos preços dos combustíveis que, face à retomada de atividade nas grandes economias, pressiona o preço internacional do petróleo.

A resultante deste desajuste, afora todas as repercussões alegadas temporárias pelo COPOM, revela impacto imediato e inconteste no preço dos combustíveis que afeta a cadeia distributiva que tem o seu modal 70% por via rodoviária no país.

O governo precisa fazer a sua parte que deve focar a inércia da sua política monetária, e, parar de “transferir” a culpa aos governos estaduais com a cobrança do ICMS, que, em realidade, também tem forte peso na composição do preço, mas não é o fator indutor da alta extemporânea do preço local, que é consequente de preço internacional elevado e câmbio local elevado que determinam a anomalia, e isto precisa ser propagado.

Sinalização de interferência “branca” na gestão da Petrobrás é altamente negativa para a empresa, e isto se faz perceptível pela atitude errática de “dono da empresa” posteriormente negada pela palavra, visto ser uma empresa de economia mista e ter papéis negociados nas bolsas nacionais e estrangeiras.

É preciso atuar sobre as causas e não sobre as consequências.

No fundo todo o desalinhamento e processo inflacionário brasileiro está sendo “alimentado” pelo notório desequilíbrio juro vs dólar, e o COPOM precisa ser mais incisivo e firme na política monetária.

O IGP-DI de janeiro no entorno de 2,90% já é uma forte sinalização.

O desemprego tem viés crescente e o Santander em relatório prognostica:

“A taxa de desemprego no Brasil alcançará um pico de 16,9% neste primeiro semestre, sobretudo por causa da normalização nos números da força de trabalho, após um primeiro trimestre afetado por fim de transferência de renda e piora da pandemia, mas uma recuperação do emprego será vista na segunda metade do ano, na esteira da reabertura da economia e da aceleração da vacinação”

E embora tenha sido parte da campanha dos novos presidentes do Senado e da Câmara e ambição contida do Presidente Bolsonaro, há muitos entraves para a retomada dos programas assistenciais às populações carentes, já que a pandemia ainda resulta forte e a vacinação muito lenta, por uma simples razão, o Governo não tem recursos e nem perspectivas de fontes de financiamentos.

As perspectivas existentes em torno da nova ação assertiva do Congresso, com foco na tramitação das matérias extremamente relevantes que estavam represadas, não ensejam perspectivas de soluções no curto prazo do que seja fundamental e essencial.

Há, portanto, risco latente de agravamento da situação fiscal.

O dólar tem a sua formação de preço afetada por inúmeros vetores, tanto externos quanto internos, mas o BC/COPOM precisa se mostrar atuante e pontual e fazer os ajustes na política monetária, desprezando a visão de que tudo é temporário. Deve fazer rigorosamente a sua parte quanto aos vetores internos e administrar técnica e operacionalmente os fatores fora do seu controle para inibir os malefícios dos impactos na nossa cambaleante economia.

O preço da moeda americana na sexta-feira depreciou-se frente ao real, mas menos do que frente ao peso mexicano, pois o Brasil tem fatores pontuais que se constituem pontos de resistência.

A Bovespa poderá ancorar seu desempenho nos papéis ligados ao setor de commodities que repercutem nos seus preços os efeitos dos preços de seus produtos no mercado internacional, com relativo alheamento ao “status quo” interno, porém pode ocorrer a percepção de exaustão da capacidade de valorização de algumas “blue chips” e há um receio, ainda discreto e distante decorrente do foco da Reforma Tributária introduzir a tributação dos dividendos.

Tanto BC/COPOM quanto Ministério da Economia devem acentuar seus focos nas causas, estancando-as, e não buscando atenuar tão somente as consequências, que diferentemente do que asseveram, não são temporárias e estão desorganizando os preços relativos da economia.

No contexto atual podem existir anseios, mas previsões fundamentadas são praticamente improváveis sinalizando tendências, dado o enorme número de fatores incertos presentes.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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