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Riscos se acentuam globalmente e postura defensiva se fortalece nos mercados!

O imponderável da revitalização global da pandemia do coronavírus não pode mais ser relegado a plano secundário, otimizando-se a retomada da atividade econômica como prioridade, a ordem destes fatores altera o produto e é absolutamente inquestionável a predominância do desafio sanitário ante todos os demais anseios que as economias possam cultivar no momento.

A vacina continua sendo a esperança, mas o processo de vacinação se revela mais lenta do que a dinâmica da pandemia que neutraliza de forma contundente a dinâmica dos esforços de retomada da atividade econômica, e não só isto, e fomenta o desalento que se sobrepõe a tudo.

Então, o mercado acionário global, com intensidades diversas, recrudesce suas performances, tende ao negativo, e o dólar americano ressurge como “porto seguro” dos momentos de incerteza como recurso de mais rápido alcance.

Naturalmente, os malefícios são predominantes, mas diversos entre as inúmeras economias globais, visto que cada uma detém um “status quo” diferente das demais.

Este é o momento em que todas as economias perdem, e os países têm a absoluta necessidade de reagir na medida de suas possibilidades, e esta é a grande questão e o enorme desafio, que agrega pressão sobre as incertezas.

No Brasil o COPOM errou mais uma vez ao retardar a decisão de ajuste no juro, embora membros do Comitê tenham apontado nesta direção, mas foram votos vencidos. Está tardio, a taxa de 2% não enseja ser a taxa de equilíbrio, e a expectativa é que a tendência de promover o ajuste posta na Ata venha a ser confirmada.

É preciso entender que a taxa de juro foi reduzida em demasiada, e isto não é questão de focar interesses de rentista, mas é que os juros negativos são perversos para a economia no sentido que desequilibram a formação do preço do câmbio e este irradia de forma muito rápida danos às empresas e forte impacto inflacionário, principalmente pelos canais atrelados às commodities exportáveis.

Com o juro ajustado a efetivo ponto de equilíbrio, a despeito da crise fiscal, o preço do dólar estaria abaixo de R$ 5,00 até bem menos, já que o país tem reservas cambiais relevantes, déficit em transações correntes discreto até pela baixa atividade econômica e um CDS que tecnicamente está até acima do razoável visto que o país é credor líquido em moeda estrangeira.

A simples menção da possibilidade afetou o preço no mercado futuro tirando pressão altista na formação do preço da moeda americana.

Neste momento o governo está pressionado pela corrente política que deseja a reedição dos programas assistenciais, para os quais não existem fontes de financiamentos, mas este estado de coisas exerce pressão psicológica sugerindo descumprimento do teto orçamentário, o que, naturalmente a contragosto é negado pelo Governo e provoca enormes ruídos, afetando as perspectivas negativas.

No fundo, é perceptível que o Governo também deseja conceder esta novação do benefício, mas ainda não o fez por não ter encontrado a brecha de viabilização, então demonstra rigor fiscal.

Todos sabem, e quem disser que não, mente, que os programas assistenciais ao transformar massa considerável de brasileiros “não consumidores” em “consumidores” foram o esteio da atividade econômica ao longo da pandemia e evitar desastre mais significativo do PIB nacional, embora os problemas maiores do país tenham continuado inertes.

Por outro lado, há absoluta falta de condições de agilização do processo de vacinação, como causa decorrente de inúmeros desencontros no trato do enfrentamento da pandemia e ações preventivas, e isto não atenua o risco de restrições cada vez mais amplas de inúmeros segmentos da atividade econômica.

A renovação das Presidências do Senado e da Câmara de forma mais favorável ao Presidente Bolsonaro poderá fortalecer as perspectivas de dinamização do andamento das reformas e privatizações fundamentais para o país, mas isto demorará mais uma semana nutrindo expectativas.

É preciso esperar para se ter melhor cenário das perspectivas de curto prazo.

Nos Estados Unidos, ocorreu a 1ª reunião do FED e a taxa de juro foi mantida entre 0 e 0,25%, e a Investing.com Brasil propagou a seguinte síntese perceptiva:

“a crise de saúde pública continua a pesar na atividade econômica e representa risco considerável ao cenário, com a fraqueza da economia está concentrada nos setores mais severamente afetados pela pandemia. Para o FED, a recuperação depende "significativamente" do curso do vírus e da vacinação.”

Não difere muito do “status quo” em perspectiva no Brasil, só que lá, as bolsas cederam em linha com a realidade.

O IBOVESPA foi contra o mercado externo, ancorado pelas ações da Eletrobrás que na quarta “derreteram” e ontem “ressuscitaram” num típico jogo do mercado, onde pontifica a especulação e o “day trade”, mas o ambiente requer cautela, os investidores estrangeiros estão bastante arredios em relação ao Brasil e os eventuais movimentos de discreta recuperação, obviamente, não são sustentáveis.

O dólar, que na terça despressurizou o preço a partir do mercado futuro ante a perspectiva deixada pela Ata do COPOM de corte do juro, voltou a repercutir a postura defensiva dos “players” voltando ao viés de alta e assim deve permanecer, mantendo a volatilidade.

Acreditamos que o suporte do preço mais elevado do dólar está mais ancorado no descompasso da taxa de juro do que objetivamente na questão fiscal, que também é grave, mas menos impactante e fomentador da volatilidade.

A imponderável insegurança sobre as perspectivas está fortemente afetada pelas incertezas no entorno da evolução da pandemia, que sugere consistência.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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