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Racionalidade e sensatez determinam postura defensiva do mercado financeiro global

O mundo volta a se atemorizar com a pandemia do coronavírus e o mercado financeiro perde o ímpeto, assim como as commodities, e retoma a racionalidade e a sensatez ante o gravíssimo quadro sanitário que se configura avassalador, a despeito do avanço científico da alternativa de vacinas emergenciais, importantíssimas, mas que trazem perspectivas mais lentas de resultados do que o agravamento dos danos ameaçador do covid-19.

Então, a atitude incontinenti insinuada foi de assumir postura fortemente defensiva e isto implica em buscar “abrigo” nas velhas práticas e deprimir os segmentos do mercado financeiro e se acomodar no dólar, como reserva de valor no primeiro momento.

É o que se assistiu ao longo da semana passada e mais acentuadamente na última sexta feira e o que sugere a racionalidade e a sensatez que deve prevalecer, até que seja possível se vislumbrar os efeitos negativos da retomada da crise da pandemia na busca de retomada da atividade econômica.

Porém, se a postura defensiva global é uniforme, os impactos nos países tende a ser bem diferentes, pois envolve consequências dos riscos assumidos com posturas erráticas ante a realidade efetiva da pandemia e sua gravidade por cada país, assim como os seus “status quo” próprios, e isto afetará a capacidade de cada economia enfrentar este novo ciclo de desafio.

A irracionalidade no enfrentamento desta pandemia com posturas preventivas erráticas, negacionistas, e assim estimuladas por alguns países, certamente, deixará evidente que há “um preço a pagar”, e mais, muitos dos quais já não tem recursos financeiros suficientes para bancar este retorno agravado do problema sanitário que afeta toda a dinâmica da atividade econômica, emprego, renda e carência estrutural de suporte de atendimento médico-hospitalar das populações.

O Brasil tem neste contexto quase todos os problemas adversos presentes, quais seja o agravamento do novo ciclo da pandemia, programa de vacinação pouco auspicioso no curto prazo e desorganizado, severa crise fiscal e perspectiva de que haverá necessidade de nova rodada de programas assistenciais que levarão a agravamento maior este quadro, perda do ímpeto de retomada da atividade econômica decorrente das medidas restritivas imperativas, afora um grande rol de outros fatores já presentes pouco favoráveis.

É inócua a tentativa de minimizar o nosso quadro buscando comparar com outras economias, há muitos fatores distintos entre todas, difere muito ter um nível de endividamento elevado decorrente de investimentos estruturais confrontado com um quadro análogo decorrente de dispêndios de má qualidade, sem perspectivas de retornos.

Como temos salientado, o Brasil precisa fazer por si aquilo que somente ele pode fazer e não buscar contemporizar com comparações inapropriadas, e visivelmente está fragilizado.

Para que se tenha uma noção das diferenças, os Estados Unidos está articulando um novo programa de suporte à economia e população carente que é maior do que o PIB brasileiro, e ainda assim o problema sanitário e de retomada da atividade continuará sendo um grande desafio.

Neste cenário não se pode descartar que possa ocorrer “efeito manada” na Bovespa, em especial pelos investidores pessoas físicas menos resilientes aos momentos desfavoráveis e isto poderá “derreter” o IBOVESPA, mas esta também poderá ser a atitude dos investidores estrangeiros que aportaram recursos recentemente, já que é perceptível por instituições especializadas que estão ficando céticos a respeito do Brasil.

O dólar é o “refúgio” natural, evidentemente não no mercado à vista salvo os eventuais fluxos de saída correlacionados com movimento de desmanche na Bovespa, mas nas demandas no mercado futuro e derivativos e isto dará sustentabilidade ao “câmbio alto”, a despeito de o país ser credor líquido externo, ter reservas cambiais expressivas, situação confortável em transações correntes.

 Este contexto é quase impeditivo ao ajuste necessário na taxa de juro SELIC, acentuando a percepção de falta de proatividade do COPOM, e isto alavancará ainda mais a pressão altista, afora o agregado relevante que é a perspectiva do agravamento massivo do risco fiscal.

O “câmbio alto” estimulante às exportações do agribusiness, novamente, tenderá a impactar forte na impulsão inflacionária de forma inevitável, dando continuidade à dilapidação da renda do trabalhador brasileiro.

Enfim, o risco de piora é muito mais acentuado do que o de melhora, e poderá irradiar uma sensação de que 2021 com novos agravantes negativos poderá ser frustrante.

Ao BC cabe atuar provendo de liquidez o mercado à vista, se for o caso, ou ofertando contratos novos de “swaps cambiais” de forma mais incisiva no mercado futuro.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO Corretora de Câmbio


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