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Ambiguidade entre otimismo e pessimismo afeta perspectivas do mercado financeiro

O contexto atual tem favorecido a melhor formação do preço do dólar no nosso mercado, repercutindo a distensão presumida que ocorrerá com o novo governo americano; avanços concretos no desenvolvimento das vacinas para prevenção do coronavírus; o retorno de bom fluxo cambial financeiro para o país rompendo a aversão ao risco e, o Banco Central do Brasil, ainda que tardiamente, sinalizando que poderá ofertar swaps cambiais novos que impacta e desmobiliza movimentos especulativos ou posturas defensivas que buscam no dólar “porto seguro” para preservar valor pressionando o preço a partir do mercado futuro.

Houve então neste curto período a fragilização do dólar frente às moedas emergentes ligadas a commodities, mas também a despressurização da pressão depreciativa sobre o real frente ao dólar por insegurança com o retorno em expectativa de oferta de swaps cambiais por parte do BC, instrumento adequado e necessário para conter pressão por demanda de “hedge não comercial”, e, fluxo financeiro positivo líquido na 1ª quinzena de US$ 6,1 Bi, e mais perspectivas que levam a acreditar que a atividade econômica com a proteção da população com as vacinas possa encetar retomada sustentável da atividade econômica.

A conjugação destes fatores provocou a depreciação do dólar no nosso mercado até o entorno de R$ 5,25, uma queda substantiva que pode se mostrar sustentável se o BC tornar efetiva a oferta de swaps cambiais novos e o fluxo de recursos externos for mantido para a Bovespa com o retorno dos investidores externos, e não ocorrer desapontamentos com as perspectivas em relação ao novo governo americano e as esperanças a respeito das vacinas anunciadas se tornarem efetivos.

Este é o lado bom, aquele que estimula os ânimos e fomenta otimismo.

Mas, o Brasil tem outros e relevantes problemas que podem anular todo este contexto favorável, e o mercado, ainda que de forma discreta e silenciosa, já revela sérias preocupações com o risco de dominância fiscal que passa a ganhar foco na medida em que a Dívida Pública cresce e o juro irreal que é mantido em 2% como taxa referencial se mostra inadequada e há sinais de aquecimento inflacionário efetivo.

O risco de dominância fiscal é o pior dos mundos, e se não coibido preventivamente, muito provavelmente com a busca de simetria entre o juro e o câmbio e a realidade da necessidade de juro maior para garantir a rolagem da Dívida Pública, o que não está sendo priorizado pela política monetária do governo, pode provocar forte desorganização e perda de controles relevantes.

A inflação já se insinua na trajetória de 3,5% a 4,0% este ano e o BC/COPOM mantém a SELIC em 2%, claramente evitando o agravamento da Dívida Pública com o agregado de despesas de juro maior, mas pode criar um “corner” de inviabilidade de rolagem pela inadequação do juro, que será exigido maior pelo mercado, além naturalmente de prazos menores dada a insegurança sobre a capacidade solvência do Tesouro.

O custo mais expressivo é aquele de precisar e não ter os recursos absolutamente necessários para a rolagem da Dívida Pública, simplesmente porque o juro ofertado está disfuncional.

A diretriz de política monetária neste momento é de elevar a taxa SELIC e evitar que ocorra a dominância fiscal e viabilize o retorno dos investidores estrangeiros, que já responderam por 20% do financiamento da Dívida Pública brasileira, e, em concomitância intensifiquem os fluxos cambiais positivos que impactarão deprimindo o preço da moeda americana, que consequentemente reduzirá e poderá reverter o agravamento dos preços de produtos alimentares exportáveis que rebotaram fomentando inflação no nosso mercado interno.

Evidentemente que este quadro fiscal absolutamente vulnerável não passa despercebido dos investidores estrangeiros, e, a despeito do expressivo montante de recursos no mercado internacional propensos a correr maior risco versus rentabilidade estimados em US$ 3,0 tri, se constitui fator de contração na propensão de investir no Brasil.

Por outro lado, o risco de ocorrência de um 2º ciclo da pandemia do coronavírus é agora já considerado efetivo no Brasil, e naturalmente, os impactos seriam desastrosos para o país.

Considerado os fatores positivos e os negativos presentes não há tendências sustentáveis enquanto o governo brasileiro não prover de soluções o complexo ambiente da sua política monetária, com reflexos no câmbio e no fiscal e, também, na área de saúde pública.

O contexto imediato transmite o otimismo que se presencia, mas as perspectivas ainda parecem muito incertas e inseguras, dependentes de ações corretivas por parte do governo, e não somente do avanço das reformas e coisas que tais.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO


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