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Riscos afetam “tração” da Bovespa e colocam dólar na mira dos estrangeiros!

Agosto sinaliza comportamento mais sensato dos investidores no mercado financeiro, quebrando relativamente o entusiasmo que sugeria ser crescente com a retomada da atividade econômica e demonstrando postura mais acomodatícia na Bovespa e maior precaução em relação aos riscos ao comportamento do dólar, e, em ambos, os segmentos maior foco, sem grande propagação do fato, no risco fiscal crescente do país.

A Bovespa “patina” entre 100 e 105 mil pontos, observando melhor as perspectivas para os papéis, em especial de varejo, que tem revelado excessiva valorização num ambiente em que há notória carência de renda efetiva e os recursos têm sido fluidos por programas governamentais de sustentabilidade ainda duvidosa, visto estarem ancorados em um quadro extremamente vulnerável de capacidade pelo governo dado ao expressivo passivo fiscal do mesmo. Inegavelmente, grande parte da impulsão do consumo também se dá a partir do financiamento através cartões de crédito e o risco de inadimplência é substantivo.

Este é uma percepção que pode ter induzido a oportunidade da propositura do tabelamento do juro sobre o cartão de crédito, mas o risco de ocasionar forte seletividade pelas bandeiras no mercado e impacto no varejo também pode ter estimulado a postergação da discussão da matéria.

O real que não revela grande volume operacional no mercado à vista, permitindo ao BC que tenha atuação meramente profilática com a rolagem contumaz das posições vincendas dos instrumentos disponibilizados ao mercado, contudo tem aspectos que merecem maior atenção desde o início deste mês de agosto.

A novidade é a maior percepção do risco fiscal do país, em especial pelos investidores estrangeiros, que acentuam gradualmente suas apostas contra o real, seja no nosso mercado futuro de dólar onde os primeiros sinais surgiram na terça-feira da semana passada (dia 4) quando elevaram suas posições compradas em reais no mercado local em R$ 6,3 Bi e este movimento passou a ser observado também em Chicago na CME, numa clara evidência de posicionamento especulativo contra a moeda brasileira.

Movimentos similares também são observados em relação a outras moedas emergentes, porém desde o início de agosto o real tem apresentado variações superlativas ao longo dos dias, sustentando ao final depreciação frente à moeda americana, mesmo quando esta se fragiliza no mercado global.

Ontem, a volatilidade foi expressiva com o preço variando de R$ 5,35 até R$ 5,46, por volta das 16,30 horas, insinuando inicialmente apreciação e depois se fragilizando e atingindo R$ 5,4693, após ter fechado na sexta feira (dia 7) a R$ 5,4383, sustentando o viés de alta do mês.

A menos que haja um movimento mais acentuado e volumoso de especulação sobre o real, não imaginamos o teto de R$ 5,50 sendo rompido, mas isto está na dependência do grau de intensidade que o governo impuser ao aumento do passivo da questão fiscal, que é o fator que fragiliza o país perante o mercado global.

O novo normal do mercado financeiro brasileiro tendo que conviver com juro muito baixo como nunca havia acontecido, e, o conflito entre as várias inflações que desorganizam a relatividade entre os indicadores, como o absurdo distanciamento entre o IPCA que reajusta salários e o IGP-M que reajusta serviços e contratos, com ênfase aos serviços públicos e aluguéis.

Por outro lado, ocasiona a extrema novidade do juro negativo com a expectativa de que a inflação supere o retorno das aplicações conservadoras indexadas ao CDI.

Estrategicamente este fato deveria ser o indutor dos investidores pessoas físicas deslocarem seus investimentos para a Bovespa, como já aconteceu e os fez representar 27% do todo de participação, mas agora é possível que haja um hiato, pois a mutação de perdas e ganhos no mercado acionário é fator que inibe a expansão do volume por parte deste tipo de investidor que tem foco só no ganho e se retrai quando ocorre a perda.

A Reforma Tributária também “assusta” a pessoa física visto que os “ruídos” sugerem contenção de estímulos ao ensino e a saúde como dedução no imposto de renda e isto impõe postura defensiva às pessoas físicas que seriam atingidas potencialmente, e mesmo, aos prestadores de serviços que revelam preocupações com novas tributações.

Enfim, o novo normal acarreta reflexões relevantes a respeito do novo cenário das finanças pessoais e também da pequena e média empresa e o momento não permite sequer que se tenha projeção além do curtíssimo prazo, sendo absolutamente um exercício de ficção as projeções de médio e longo prazo para o país, que ainda está muito agredido no seu todo pela pandemia do coronavírus.

O “começar de novo” ainda está cercado de muitas dúvidas, a despeito do esforço de se “cultivar” um ambiente de otimismo!


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO


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