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Fato novo: risco fiscal já contamina formação do preço do dólar no nosso mercado!

Até dias atrás destacávamos que a formação do preço do dólar, no nosso mercado, estava alinhado diretamente ao comportamento da moeda americana no mercado global, havendo quase nenhum fator interno, no momento, que exercesse pressão, visto que não se tinha no radar nenhuma intensificação maior de demanda e nem de oferta.

Asseverávamos que o preço do dólar no nosso mercado face ao quadro de “tranquilidade” revelava dentro da faixa entre R$ 5,00 a R$ 5,50 oscilações simétricas com o comportamento da moeda americana no mercado global, embora houvesse a convivência impertinente com movimentos voláteis ao longo do dia, mas sem fugir a tendência do dólar externamente. 

Ontem, entretanto, observamos que fatores internos passaram a interferir para pior na formação do preço da moeda americana no nosso mercado.

O dólar, face às perspectivas de que seja aprovado o pacote fiscal americano para dar suporte adicional à busca de retomada efetiva da atividade econômica dos Estados Unidos, muito atingida pela ainda presente pandemia do coronavírus, repercutiu fortemente o fato depreciando-se frente às moedas fortes que integram o índice DXY, com o índice apontando queda de 0,57%.(Brasília 16hs) 

O normal, a exemplo do que aconteceu com o peso mexicano (apreciação frente ao dólar de 1,37%) divisa alinhada com o real devido às commodities, seria o preço do real no nosso mercado evidenciasse apreciação frente ao dólar, como normal, maior do que o apontado pelo índice DXY de depreciação do dólar frente às moedas fortes e em linha com o peso mexicano, moeda emergente.

Contudo, o que se constatou é que o real teve ponto de resistência em cumprir o esperado face ao cenário das últimas semanas e apresentou contrariamente DEPRECIAÇÃO (queda) de o,24% frente ao dólar (Brasília 16hs), movimento contrário a queda do dólar indicada pelo Índice DXY e inversa a repercussão no peso mexicano de apreciação frente ao dólar.

Este novo cenário com o real passando a ter movimento bastante assimétrico em relação à lógica frente ao dólar americano no mercado global e também em relação ao peso mexicano divisa normalmente alinhada, pode ser atribuída ao fato novo no novo normal do Brasil, ou seja ao RISCO FISCAL CRESCENTE E PREOCUPANTE que passa a ser melhor observado, e que decorre em parte à pandemia do coronavírus e as perspectivas de mais incrementos nos gastos exigindo novos dispêndios para a saída para o auxílio-emergencial, pela extensão do prazo ou pela mudança de nome do benefício, e extrapolando muito mais o montante da dívida pública, sem clareza nas fontes de financiamentos.

Entendemos que nada tem a ver com a decisão do COPOM sobre a SELIC de forma objetiva, se bem que toda redução do juro impacta na formação do preço do dólar, mas a queda que estava em perspectiva era diminuta e já precificada, como se confirmou ao fim do dia.

A reação da Bovespa é, no primeiro momento, meramente sistêmica visto que a queda do juro SELIC praticamente extermina o mercado de renda fixa e, em tese, deslocaria mais recursos para o mercado acionário, mas esta já não é uma tendência convicta, pois a recuperação da economia brasileira não está sendo homogênea, visto que o setor de bens melhora, mais ainda está bem aquém do momento pré pandemia e o setor de serviços após o desapontamento revelou agora PMI de 42,5 ante prévia de 35,9, e este segmento é responsável por 70% do PIB e grande gerador de empregos, mas pode ser duramente afetado pela Reforma Tributária.

O pacote americano, se aprovado, injetará mais liquidez ao mercado global que já está bastante líquido, mas diferentemente de tempos idos, o Brasil não desperta atratividade aos investidores estrangeiros, dado o conjunto riscos principalmente fiscais, juros baixos e economia lenta. 

Mas, a despeito desta percepção nova entendemos que o preço da moeda americana no nosso mercado não deve extrapolar o teto de R$ 5,50, mas certamente a volatilidade poderá ser intensificada, e as intempéries a serem superadas se configurarão cada vez mais desafiadoras e ensejarão debates longos em torno da Reforma Tributária e suas controvérsias, programas assistenciais necessários, mas sem fontes de financiamentos, e novas adequações, desemprego crescente e retomada gradual das atividades econômicas discretas e não homogênea, e convivência com a pandemia do coronavírus que, em realidade, ainda está muito intensa no país e que está dependente da vacina.

A observar, os estrangeiros elevaram na 3ª feira suas apostas contra o real, elevando a US$ 6,3 Bi suas posições compradas no mercado de dólar futuro.

O fluxo cambial de julho fechou negativo em US$ 3,282 Bi, sendo que as saídas financeiras totalizaram US$ 5,020 Bi no mês e US$ 43,164 Bi no ano. Os bancos fecharam com posições vendidas de US$ 29,707 Bi, e as reservas cambiais em US$ 354,664 Bi, com as linhas de financiamentos em moeda estrangeira fornecidas pelo BC totalizando até julho estoque de US$ 9,2 Bi “em ser” e os swaps cambiais totalizando US$ 57,171 Bi.

Os desafios não ensejam soluções fáceis e rápidas, e o governo tem severas limitações para atender as demandas mais imediatas e, por vezes, certamente faltará convergência política.

O foco mais centrado na efetiva situação interna do país, com abstenção do contágio dos fatores externos, sinaliza desafios enormes em perspectiva.


Sidnei Moura Nehme
Economista e Diretor Executivo da NGO


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